Restitui...

Terça-feira passada, cantaram na igreja este hino, que a certa altura, diz: "Restitui, eu quero de volta o que é meu. Sara-me, põe teu azeite em minha dor". Sim, há momentos, situações e sentimentos em relação a minha vida, ao meu coração e a Deus que eu gostaria muito mesmo de ter de volta. Mas, pensando bem, eu gostaria de ir além, quero que Deus restitua não o que é meu, mas o que é dele. Quero de volta não o que eu tinha, mas o que Deus planejou para mim. Na verdade, talvez a memória que tenhamos do que foi bom para nós seja enganosa, quando o presente nos atribula. E, de fato, a nostalgia religiosa (os tempos antigos é que eram bons) é tão ruim e perigosa quando o ufanismo atual (os outros do passado não tinham a verdade, nós é que temos!).
Para ter de volta o que Deus tem para nós desde o início, temos de fazer algumas confissões. Não estamos vivendo o avivamento, estamos fazendo barulho - e diga-se de passagem, um barulho ruim. Nossa pregação cristã anda muito misturada a modismos, escandâlos, rotina e frieza espiritual. Os pastores e líderes não sabem o que fazer para manter a chama acesa, até em si mesmos. Estamos cansados... Precisamos confessar que nossa dependência tem sido muito mais de nós mesmos, de nossos ideais e programas, do que de Deus e de sua Palavra. Precisamos admitir que não temos tido gosto em estudar sua Palavra como deveríamos, nem percebemos sua voz sobre as grandes águas...
Numa coisa o hino está certo: leva-me a águas tranquilas e refrigera minha alma. Para renovar as forças, para reavivar-se, é preciso dar um tempo à mente e ao coração. Hoje, ao menos, parar de pensar nos problemas, nas impossibilidades, nas saudades, nas necessidades. Pensar só em Deus. Usar a imaginação para vê-lo chegando-se a cada um de nós, pessoalmente, estendendo debaixo de nós seus braços eternos (Dt 33.27). Ter a alegria da presença de Deus, para além de quaisquer rituais, cultos e liturgias - e neles também... Eu quero isso de volta - o encontro com Deus nas tardes, no jardim... poder estar diante dele como sou, sem disfarces, sem medo da nudez, que não é do corpo, mas da alma. Sem segredos, como ele queria no começo de tudo... Sim, Deus! Restitui... eu quero mesmo é o Paraíso antes da queda...

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