quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Os silêncios

Os silêncios em nosso coração, em nosso olhar. A eles é que devíamos dar ouvidos. Há imensa coragem nos discursos nunca discursados, nas ideias nunca idealizadas, nas palavras mudas dentro do peito. Falar, isso é mais difícil, requer perder o medo que nos assombra. Por nos acomodarmos ao barulho que nos rodeia, tendemos a esquecer a força dos silêncios. Mas são eles que fazem muitos corações pararem, muitos pulmões cessarem de fornecer ar, muitos olhos deixarem de ver... Devemos ouvir mais os silêncios, com a coragem de interpretar a linguagem muda que tanto nos diz. Deveríamos ter a coragem de enfrentar a dor que o silêncio carrega e que o barulho quer tornar sem sentido. Os silêncios são os gritos da alma. Só ouvidos atentos podem ouvir - e mesmo assim, é preciso querer. Os meus silêncios andam ao meu redor, volta e meio os ouço - às vezes, choro, às vezes, corro. Às vezes, como milhões de pessoas no mundo, finjo que não estão lá. Só pra trombar com eles na próxima esquina, pois há de convir que eles nunca fogem de nós. Preciso ter a coragem do Mestre, que após cada batalha da vida, enfrentava os seus. Ia ao monte sozinho para orar, escondia-se do povo esbaforido por milagres, ia para o deserto... Talvez seja fato que só quem enfrenta primeiro seus próprios silêncios pode depois andar sobre as águas. Se ao menos conseguimos tirá-las de dentro das almas, do entorno dos olhos, podemos andar por cima delas - e até chamar os outros a fazer o mesmo...

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Apesar de ser sexta-feira

Mateus 27
Apesar de hoje ser sexta-feira, como o apóstolo Paulo disse, eu creio também que “as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que há de ser revelada em nós”. Apesar de hoje ser sexta-feira, “a criação aguarda com ardente expectativa a revelação dos filhos de Deus”. E, embora seja sexta-feira e a “criação esteja sujeita à vaidade, mesmo contra sua vontade”, e muito embora ela “conjuntamente, gema e esteja com dores de parto, e não só ela, mas até nós, que temos as primícias do Espírito, também gemamos em nós mesmos”, nós cremos e vivemos na “esperança de que a própria criação há de ser liberta do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus”.
Apesar de hoje ser sexta-feira, tenho fé e esperança, porque “na esperança somos salvos”. E quando eu quero duvidar, por causa do amargor das minhas sextas-feiras, me lembro da exortação de que “a esperança que se vê não é esperança; pois se alguém vê, como o espera?”. Então eu lamento, e choro e sofro, porque não posso esconder de Deus minha dor. Mas me refaço, e luto, e não me acomodo, porque “se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos”. E quando o peso da sexta-feira parece demais para mim, eu sinto que “o Espírito nos ajuda na fraqueza, porque não sabemos orar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós, sobremaneira, com gemidos inexprimíveis”.
Por isso, prossigo, ainda que seja sexta-feira. Por ser sexta-feira, meus limites me param, mas minha fé me leva além. E porque assim espero, também fico bem certa, de “que nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem principados, nem coisas do presente, nem do futuro, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”.
Sim, é sexta-feira. Mas todo o cristão sabe, e crê, e espera, e suporta. Porque ele sabe que depois de toda sexta-feira da paixão há um tempo de espera confiante. Talvez demore um pouco, talvez o sábado se alongue. Mas não é sem fim. Depois de toda sexta-feira da paixão, há sempre uma manhã de domingo. Vem, Senhor, transforma esta sexta-feira em domingo de ressurreição!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O que é a Igreja?

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Um corpo que sente - Salmo 73

Dizem que muitas doenças que temos são psicossomáticas. A etimologia dessa palavra é interessante. Ela vem de psique – traduzida no senso comum por alma, mas que indica vontade, desejo, o íntimo do ser – e soma, que tem a ver com o aspecto físico do ser, a matéria, o corpo. Assim, aquilo que a pessoa sente se projeta no seu corpo de modo concreto, fazendo-o adoecer. São doenças psicossomáticas a gastrite, a úlcera, a enxaqueca e até mesmo alguns tipos de câncer, dizem os entendidos!
Antes desse entendimento moderno sobre as relações entre as emoções e o corpo, porém, os povos bíblicos já se utilizavam de partes do corpo para explicar os processos emocionais e mentais. Tinham uma clara compreensão da relação entre a emoção e o físico. Não dá para separar a totalidade do nosso ser das emoções que expressamos.

Coração limpo (v.1)
Em nossa cultura, o coração está ligado aos sentimentos. Mas para o povo hebreu, esse órgão tinha outras funções. A racionalidade que hoje atribuímos ao cérebro era a característica mais marcante do “coração” para o povo bíblico. Ele não era somente indispensável, por suas funções biológicas, mas a fonte da moral, da ética, dos valores mais elevados, tanto nos aspectos físicos quando espirituais. Vejamos Jeremias 31.33: “Eu pus minha lei nas suas entranhas e eu as escrevi sobre seus corações”. Com o coração, o povo de Deus definia a inteligência, a reflexão, a meditação, a racionalidade: “Que as palavras da minha boca e a meditação do meu coração sejam agradáveis a ti, Senhor, rocha minha e redentor meu”, disse o salmista.
Segundo Asafe, Deus ama os limpos de coração. Não aqueles que sentem boas coisas, mas as pessoas conduzidas racionalmente por valores corretos e justos aos olhos do Senhor. Por isso é que a Bíblia muitas vezes afirma que o coração humano é enganoso. Não pelo que ele “sente”, mas pelo caráter da pessoa que ele designa.
A palavra “leb”, que designa coração em hebraico, é muito importante. Ela e suas variantes aparecem 858 vezes no Antigo Testamento, referindo-se 814 vezes ao “coração” humano. Do mesmo modo, outras palavras mencionadas neste salmo vão nos mostrar como o próprio corpo demonstra as emoções e disposições da pessoa, no todo da sua vida e diante de Deus também. Senão, vejamos:

Por pouco me resvalaram os pés e me desviaram os passos (v.2)
Na Bíblia, muitas vezes a referência a pés, caminho, passos, veredas e palavras similares a essa designam o reto proceder, um senso de direção na vida, propósitos e alvos da pessoa. Quando se caminha com firmeza, significa que a pessoa está no controle da situação. Deus firma os pés daquele que não tem convicção do que está fazendo, devido à sua muita tristeza ou aflição (Salmo 40, Habacuque 3). Se o coração (mente, razão) está firme, então os passos (postura, modo de agir) não vacilam.
As convicções do salmista foram abaladas e isso reflete na maneira como ele age e conduz suas ações. Isso é um exemplo para nós do processo que Tiago, já no Novo Testamento, fala a respeito da concepção do pecado: os olhos (fonte do desejo) vêem; o coração (mente e razão) absorve e engendra e o corpo todo age conforme essa disposição, transformando o pecado em algo concreto, tangível e, portanto, efetivado (Tiago 1.15). É por isso que um coração puro pode levar a pessoa a uma vida inteira de virtude. Se a sede da racionalidade, da motivação, dos valores é pura, então todo o corpo sentirá e agirá de modo coerente a essa disposição.

Lavei as mãos na inocência (v.13)
Em diversos textos bíblicos, o uso do termo “mãos” indica as ações concretas que a pessoa tem. Lavar as mãos na inocência é agir de modo livre de culpa, a pessoa pratica coisas que sabe serem as mais justas, honestas. Se os pés indicam a retidão do caráter, a postura mesma da pessoa, as mãos significam suas ações, aquilo que ela efetivamente realiza. Frequentemente, temos esse tipo de leitura no mundo do Antigo Testamento. Toma-se uma parte da pessoa pelo seu todo: pés, mãos, coração, rins indicam não apenas partes biológicas, mas partes espirituais, morais, éticas e emocionais do ser humano.

Minhas entranhas se comoveram (v.21)
Algumas traduções usam aqui a palavra “rins”. Elas significam o centro emocional da pessoa, os aspectos psicológicos do ser. Equivalem ao coração no sentido em que o usamos em nossa cultura. É interessante pensar na relação feita pelo povo bíblico, uma vez que este é o órgão que filtra as impurezas do ser. Se ele não funciona adequadamente, todo o corpo pode se infeccionar e morrer. Se as emoções não são saradas, elas podem determinar o fim de nossas racionalizações (coração), de nosso caráter (pés) e de nossas ações (mãos).

Um corpo que sente
Existem muitas outras partes do corpo usadas figurativamente na Bíblia para falar do todo do ser, mas vamos ficar por aqui. Muita gente às vezes “psicologiza” demais (com todo o respeito a essa importante área do conhecimento humano), e termina, em certa medida, por desprezar algo que na Bíblia é muito importante: o todo do ser. Quem se fragmenta demais, perde a si mesmo no caminho. Temos supervalorizado nossos desejos e emoções a tal ponto que destruímos nossos corpos. Não é o que acontece quando nos entregamos à promiscuidade sexual, ao uso indevido de drogas, às bebidas, às paixões avassaladoras? Quanta gente, ao final desses processos, está com o corpo totalmente estragado porque não soube conduzir suas emoções? Basta dar uma olhada nas “celebridades” de nosso tempo. Tanto valorizam a busca dos sentimentos que se esquecem e deterioram seu corpo. É importante recuperar esse sentido para nossos dias.
O próprio salmista, ao olhar os maus, desejar ser como eles e frustrar-se com suas próprias posturas, fala de como seu corpo sentiu todo o processo: fraqueza (v.2); cólicas (v.21) e uma fala geral que lembra um processo depressivo, pois é feita em tom de desânimo e entrega.
Talvez devamos resgatar hoje a comparação hebraica e ver as emoções pelo prisma dos rins. Filtrá-las, limpá-las, extrair o que sustenta e jogar fora o que não presta. Emoções boas e límpidas nos encaminham à realização. Emoções negativas infeccionam o ser e levam à morte, em qualquer sentido que seja. Os rins nos ensinam que é preciso encarar os sentimentos e realizar o devido processo de limpeza, que nos permitirá extrair apenas o melhor. Usando seus rins no santuário de Deus, purificando seus sentimentos na meditação na Palavra, o salmista alcançou a verdadeira esperança. Caso algo acontecesse ao seu corpo (v.26), seu interior estaria revigorado pela presença de Deus. Quando as emoções vão bem, o corpo se renova. Quando vão mal, o corpo se entrega. Talvez se possa explicar bem isso em termos científicos. Mas a experiência do povo de Deus já nos mostrou, na prática, que é preciso e possível, com a força de Deus, ter uma ‘mente sã’ num ‘corpo são’...

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Reflexões sobre o 39o. Concílio da Quarta Região

Estas seis coisas o SENHOR odeia, e a sétima a sua alma abomina: Olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, O coração que maquina pensamentos perversos, pés que se apressam a correr para o mal, A testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia contendas entre irmãos. (Provérbios 6.16-19).

Já se passaram alguns dias do Concílio Regional e nosso coração continua inquieto. Vemos sinais por toda a parte de que algo mais profundo precisa ser mudado, se quisermos ver a vontade de Deus cumprir-se em nosso meio. Não se trata apenas de uma mudança de mentalidade, mas de profundas transformações de caráter. Concordamos com o bispo Roberto ao posicionar-se firmemente a favor do crescimento da Igreja. De fato, o discurso de que somos o que deveríamos ser mostra-se uma falácia. A igreja tem a natureza do crescimento, da expansão. Sua missão é ir até aos confins da Terra, anunciar o evangelho a toda a criatura, fazer discípulos/as de todas as nações. Para chegar tão longe, ela precisa de muitos braços e pernas e bocas e corações palpitantes pela missão. Ela tem que ser despertada, motivada e orientada a sair de si mesma, a olhar o passado com humildade, aprendendo com os acertos e erros, honrando a memória dos que se foram em dedicação ao Senhor, honrando seu legado indo mais adiante e também reconhecendo seus limites e propondo novos parâmetros quando necessário for.

Ontem mesmo, ao ir à fisioterapeuta e, depois, ao supermercado, encontramos duas pessoas que já foram membros da igreja que pastoreamos – estão longe agora, sem participar de nenhuma comunidade. Ficamos felizes pela oportunidade que Jesus nos deu de poder convidá-las a voltar. Ainda as encontraremos outras vezes e reforçaremos o convite, orando e crendo que Jesus pode fazer com que elas regressem, pedindo-lhe que nosso encontro com elas seja já a sua ação efetiva a favor dessas vidas.

Mas quando elas vierem para a Igreja, encontrarão um espaço de acolhida e crescimento? Um espaço em que serão desafiadas a ter o caráter de Cristo? Ou a Igreja será a nova arena das vaidades, dos desvarios e dos desvios que tanto mal fazem ao mundo? Pensamos nos nossos colegas de ministério que desistiram da caminhada vocacional. Alguns deles por problemas concretos, que mereciam uma intervenção. Mas não poucos por puro desapontamento, por relacionamentos mal conduzidos e mal direcionados, movidos por aspirações humanas e pecaminosas. Há muitos pastores e pastoras assim. Há muitos membros assim. Ovelhas sem pastor, não apenas por que não os têm, mas ainda pior: por não acreditarem mais neles...

E isso tem acontecido de modo devastador, muito embora haja o empenho de nosso bispo em trabalhar contra isso. Reiteradamente, o bispo falou durante nosso concílio, nos cultos e nas plenárias, para que não houvesse conversas paralelas e boatos de corredor. Com firmeza, ele alertou contra tais práticas, mas, novamente, o que vimos foi isso acontecer. Podemos falar com certeza e firmeza, pois pessoalmente fomos atingidos, vitimados por boatos, fofocas e mentiras, dos quais, infelizmente, só viemos a ter conhecimento quando já terminava o culto de encerramento do 39º Concílio Regional.

É preciso que as palavras sérias e proféticas que foram ditas durante este Concílio Regional se encham de real e profundo conteúdo, capaz de transformar a vida e a missão da Igreja Metodista. Nosso bispo afirmou categoricamente que é preciso garantir a unidade da Igreja e que tal unidade significa respeitar a todas as pessoas. Ele afirmou e nós concordamos, que “é melhor ter um inimigo declarado do que um falso amigo, muito embora na vida da Igreja devemos nos esforçar para não vermos uns aos outros como inimigos, já que todos fomos comprados pelo mesmo sangue de Cristo e somos irmãos”. Nossas diferenças de postura, opinião e forma de viver a fé nos fazem diferentes e não opostos. Doeu demais ouvir que circulou por lá esta veemente mentira: “O Otávio está deixando de ser superintendente distrital para fazer oposição ao bispo e porque ele vai fazer campanha para que a Hideide seja bispa”. Ao deixar o cargo, por razões estritamente pessoais e da vida da Igreja, procuramos o bispo, expusemos todas as razões pelas quais era necessário, estrategicamente para a vida familiar, para a vida da Igreja, pelos projetos pastorais assumidos e por dificuldades particulares. Fizemos como fizemos quando de sua chegada à Região: conversamos abertamente sobre nossa disposição ao serviço.

Cremos que a Igreja é maior do que nós. Que não precisamos concordar de modo homogêneo e uniformizante com todas as pessoas para estar no mesmo barco, navegando lado a lado, atendendo aos desafios da missão. Não estamos contra ou a favor de ninguém. Prova disso é que temos nos mantido fiéis ao princípio interior que temos e não integramos movimento ou grupo algum na vida da Igreja. Não participamos de nenhuma reunião dos chamados metodistas confessantes, nem atuamos no movimento do coração aquecido, por exemplo. Nem somos contra quaisquer desses movimentos, reconhecendo sua participação, quer na reflexão, quer na prática da Igreja. Mas temos amigos e amigas em todos os lugares, porque cremos que todos somos metodistas, porque assim é que é o corpo de Cristo: diferentes membros, um só corpo. Atuamos, em dois anos de Coream e quatro anos de Superintendência Distrital, sempre no melhor interesse do corpo de Cristo, sempre ponderando e conversando, sempre assessorando o bispo da melhor forma que pudemos fazer. Desafiamos qualquer um a dizer o contrário disso – a provar que tenhamos feito qualquer coisa para prejudicar a missão metodista.

O bispo falou, numa de suas mensagens, entre outras coisas, algo que achamos fundamental neste momento crucial de nossa Região. Ele disse: “Desafio a vocês que fazem as coisas no escondido, a fazer cara a cara”. No mundo secular, são feitas alianças e acordos partidários para se alcançar os objetivos desejados, pessoais ou corporativos. No entanto, o bispo nos lembrou em seu sermão, na abertura do concílio, enfatizando a carta do próximo biênio, inspirada em 1 Coríntios (Eu sou de Paulo, eu sou de Apolo...), que, na Igreja, esta postura e modo de agir não devem existir. Na Igreja, nem tudo o que é lícito nos convém. Sobre esse assunto, os próprios Cânones nos esclarecem que devemos agir “sem discussão, nem debate”. Por isso, ficamos tristes, ao ouvir, nos bastidores dos concílios, boatos perigosos sobre a existência de listas para isso e aquilo, do uso da sala de oração para outros fins que não a espiritualidade. Não foi apenas este boato terrível que circulou, entristecendo os corações dos conciliares, comprometendo a espiritualidade de nosso conclave.

Mal saiu a nomeação pastoral e já havia rumores sobre igrejas “com coronéis” e “pastores ruins”. Ao ouvir essas conversas, nosso coração se rompeu em dor, porque as pessoas dizem isso e, quando confrontadas, afirmam: “Eu não quero me comprometer”. Então, não espalhe boatos, não entre na roda dos fofoqueiros, meu irmão, minha irmã! Não diga o que não pode provar, não espalhe o que apenas semeia contenda entre os irmãos/ãs e lança desconfianças sobre a liderança pastoral desta igreja tão combalida!

Lembremos a seriedade da visão que a revda. Maria de Fátima compartilhou com todos nós, no culto da manhã: “o corpo está ferido... Jesus pergunta: você não se importa?” Foi a pergunta feita a ela, feita a todos nós... Sim, o corpo está ferido, nós, pessoalmente, estamos feridos. E quando falamos isso não tem nada a ver com o resultado deste ou daquele pleito. Não precisamos de cargos para demonstrar nosso chamado – as funções são apenas mais trabalho, como o talento dado ao que já tem dez. Não é prêmio, é serviço. O maior reconhecimento que temos vem dos membros de nossa igreja local, que oram por nós e sabem o quanto nos doamos, viajando, pregando, participando de reuniões, correndo riscos nas estradas, para estar onde a Igreja precisa de nós, onde nos chama. Queremos receber desses irmãos e irmãs o reconhecimento, queremos receber do Senhor. Não queremos estar nos lugares porque fomos colocados lá, por que razão for – queremos estar em decorrência de nosso caráter, de nosso esforço e da confirmação de Deus e da Igreja. Caso contrário, estaremos fora.

Em nosso quarto, naquele dia pela manhã, após o culto de encerramento do 39º Concílio Regional da 4ª RE, e nos dias até agora, choramos e oramos ao Senhor pela sua cura em nós, membros feridos de seu corpo por causa desses boatos e – por que não dizer? – mentiras, a cura de Deus, que só vem pela verdade que Ele dará a conhecer e que nos libertará.

Fazemos um apelo sincero: se você viu algo errado, fale a verdade e não tema as consequências. Seja um profeta, uma profetisa de Deus. Mas se viu e não quer assumir, então se cale. Se você só ouviu dizer e não viu nada, não passe adiante. Não fique exaltado pelos corredores, falando pelas costas e negando encarar o face a face. Conversas de segunda ou de terceira mão de nada servem senão para semear a dor, a contenda, aumentar as feridas do corpo de Cristo. A Primeira Região deu provas de que tem a coragem de fazer isso: buscar a verdade é desafiador, mas sem isso, como alcançar o caráter de Cristo?

Não se tratam de posturas teológicas, nem de rótulos, como bem frisou o bispo em sua pregação. De fato, há rótulos bem velhos mesmo, que devem cair, há rótulos falsos, que podemos nos induzir ao erro, ao envenenamento. Trata-se de algo que tanto foi frisado neste concílio: trata-se de caráter. Nada ganhamos com boatos, como diz a Palavra do Senhor: “Ó língua fraudulenta, que te será dado ou que te será acrescentado?” (Salmo 120.2).

Nossa palavra aqui não é de denúncia, em termos formais e legais, mesmo porque não somos testemunhas desses acontecimentos; apenas chegaram a nós os boatos. E, como nos atingem pessoalmente, temos o direito de manifestar nosso aborrecimento frente a eles. Mas se trata de uma reflexão (dom que nos foi concedido por Deus); também de um desabafo pessoal e um chamado à unidade, apelo que outras vozes também têm feito e que queremos ver na prática. É tempo de cura, cremos nisso. É hora de deixar para trás o que aconteceu no passado, deixar de perseguir uns aos outros por posições teológicas ou por posturas tomadas nos concílios anteriores.

É hora de deixar de lado os discursos excludentes e assumir que somos uma Região com diversas vozes e que todas podem encontrar o tom ideal para serem ouvidas sem abafar as demais. É hora de pedir a Deus que faça maravilhas no meio de nós – começando por purificar nossa boca de todo boato, fofoca e mentira. Que nos dê coragem de falar a verdade na hora certa. Que nos dê os caminhos certos, justos e éticos para colocar nossos temas em pauta sem recorrer a nenhum subterfúgio.

Por esta razão, procuramos o bispo imediatamente, assim que ficamos sabendo o que a nosso respeito se dizia, para lhe reafirmar nossa posição, que é de contribuir para a Região, para a Igreja Metodista e para o Reino de Deus. Ele está informado. Apesar de todas as diferenças que existiram, porventura existam ou venham a existir num ponto ou outro da caminhada, com relação a colegas pastores/as ou membros de nossas igrejas, não agiremos jamais sem verdade, sem respeito, sem amor cristão. Não há razões cristãs que justifiquem tal postura.

É hora de vestir a armadura de Deus. A nossa luta não é contra a carne, nem o sangue – muito menos de uns contra os outros. De fato, se como diz a Palavra de Deus, onde está o Espírito do Senhor, aí a liberdade, é preciso que assumamos o que é necessário para ter liberdade: “CONHECEREIS A VERDADE E A VERDADE VOS LIBERTARÁ”.

Otávio Júlio Torres e Hideíde Brito Torres
Pastor e pastora da Igreja Metodista na 4ª RE
Cataguases, novembro de 2009

Mulher é apedrejada até a morte por adultério na Somália

"Um juiz de um grupo militante islâmico da Somália afirmou que uma mulher foi apedrejada até a morte por ter um relacionamento extraconjugal. O namorado dela recebeu cem chibatadas pela mesma infração, segundo ele. O xeque Ibrahim Abdirahman, juiz do grupo al-Shabab, disse que a mulher foi morta na terça-feira, em frente a uma multidão de aproximadamente 200 pessoas, perto da cidade de Wajid. Abdirahman afirmou que a vítima, de 20 anos, teve um caso com um homem solteiro de 29 anos e deu à luz um bebê que já nasceu morto. Os militantes controlam boa parte do sul somali e têm vínculos com a Al-Qaeda. Eles instituíram uma versão conservadora da lei islâmica na região. Este foi pelo menos o quarto apedrejamento até a morte por adultério na Somália no último ano. Foi a segunda vez que uma mulher foi morta por esse motivo, no mesmo período."

Publicado no site do yahoo. Façamos um alerta em favor de mulheres de perto e de longe que são assassinadas todos os dias. Violência contra mulher é covardia!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Combate ao câncer infanto-juvenil Mobilize-se!