terça-feira, 29 de março de 2016

As roupas da morte não servem (João 20.1-10) - Páscoa 2016

Quando um judeu morria, seu corpo era envolto em faixas. A roupa da morte travava todo o corpo. Devia ser linho branco. A pessoa ficava como a múmia egípcia, mas sem  todo aquele preparo. Todos os órgãos deviam ser enterrados com a pessoa, seu corpo não poderia ser profanado. Perfumes eram colocados em seu corpo. As carpideiras – choradeiras profissionais – deviam lamentar e chorar pelo falecido.

As roupas da morte escondiam quaisquer feridas, deformações ou podridão. Ao contemplar as roupas da morte, ninguém poderia ficar escandalizado ou assustado. As roupas da morte escondem a morte, despistam, minimizam a dor.

A Bíblia diz que a gente também estava morto em nossos pecados e delitos – Efésios 2. E usamos muitas roupas de morte e também perfumes para esconder os cheiros da morte ou a feiúra dela. Se ao menos as pessoas pudessem ver nossas almas, poderiam descrever quanta podridão e tristeza, quanta corrupção e que desastre algumas delas poderiam, ou talvez ainda podem, trazer. As roupas da morte podem ser o sucesso, a beleza, o sorriso sempre aberto, a família margarina, o dinheiro, as palavras bonitas, o círculo de amigos... as roupas da morte podem ser, de igual modo, o distanciamento, a ausência de relacionamentos profundos. Tudo o que possa afastar as pessoas para que elas não sintam o cheiro da morte em nós.

Jesus foi envolvido nas roupas da morte. Seu corpo ficou totalmente coberto por ela. Não era possível ver o seu rosto, porque um lenço foi colocado sobre ele. Tudo escondido. Ele entende perfeitamente, portanto, o que a morte espiritual significa para nós, porque ele a experimentou no seu físico, do jeito mais intenso – e voltou para contar como é; para nos impedir de passar por isso de modo definitivo.

Seu rosto ficou coberto. Sua face sofrida foi escondida. Assim também você e eu podemos usar máscaras ou lenços para cobrir nossas verdadeiras feições. Ninguém vai ver o quanto a nossa alma está agonizando ou sofrendo de morte. Ninguém pode saber a dor que a gente traz lá dentro. Escondemos e achamos que tudo está bem.

Eu me espanto de João ser o único dos evangelhos que gasta tanto tempo para descrever o que aconteceu com as roupas da morte. Na verdade, a gente não pensa muito nelas. Há anjos, há mulheres chorando, há Jesus aparecendo... mas quem iria reparar num monte de panos jogado no canto?

Eu só posso imaginar. Só posso imaginar o corpo de Jesus se remexendo dentro do túmulo quando ele despertou da morte. Ele não conseguia se mover. Estava amarrado como Lázaro (João 11). Estava restrito em seus movimentos. Aqueles panos deviam estar meio fedidos, porque sequer seu corpo foi lavado antes de ser sepultado. Havia neles marcas de sangue, de terra, de ferro, pedacinhos de madeira. Sei lá. Ele não podia se mover.

Eu só posso imaginar que os anjos estavam ali no sepulcro não apenas para contar aos discípulos, mas também para ajudar Jesus. É como no Salmo 91 – os anjos receberam ordens para cuidar de Jesus. Eu imagino que eles estavam ali para tirar os panos da morte e para receber seu Senhor ressuscitado! Eles o desenfaixaram para que ele pudesse andar novamente por este mundo, como Rei e Salvador, aquele que venceu a morte!

Jesus recebeu novas roupas. Não sei de onde vieram. Mas elas são simbólicas para nossa reflexão. Jesus recebeu novas roupas porque as roupas da morte não servem. Adão e Eva haviam recebido roupas e as deles eram de peles, sinal de morte (Gênesis 3-4). Jesus, como sumo sacerdote, deve ter recebido roupas de linho. Será? Não importa! Eram roupas de alguém que estava vivo!

Hoje, neste culto, celebramos esta vida. Não podemos seguir usando roupas de morte quando estávamos em vida! Se Jesus é a nossa vida, temos de aprender com ele a deixar as roupas da morte dentro do sepulcro. Qual é sua roupa da morte? O que você usa para esconder os sinais do pecado, da morte espiritual? A Igreja de Laodicéia usava seu status social. Dizia-se rica. Nicodemos usava seu conhecimento da lei. Entendia-se doutor. Mas eles precisaram nascer de novo, abandonar suas roupas velhas, de morte.

Contemple esses panos no chão. Eles sinalizam que a morte foi vencida. Você pode se sacudir desses panos de morte hoje mesmo. Os anjos de Deus estão aqui nesta noite para ajudar você a se desfazer dessas amarras. Eles estão aqui para proclamar que existe vida em Jesus Cristo para você! Essa boa notícia tem que transformar a vida da gente todos os dias. Cada vez que o pecado quiser amarrar nossas mãos, nossas pernas, nossas emoções, temos de nos sacudir e dizer: Estamos vivos! Há vida de Deus em nós! E jogar esses panos no chão e pisar por cima deles em triunfo! Se ele vive, também viveremos! Toda inspiração vem dele, todo fôlego vem dele, todo amor de Deus vem dele para nós! Temos de nos despir dessas roupas de morte e temos de vestir as vestes da vida.

Jesus, ao ressuscitar, cumpriu a promessa: “O Espírito do Soberano Senhor está sobre mim porque o Senhor ungiu-me para levar boas notícias aos pobres. Enviou-me para cuidar dos que estão com o coração quebrantado, anunciar liberdade aos cativos e libertação das trevas aos prisioneiros, para proclamar o ano da bondade do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus; para consolar todos os que andam tristes, e dar a todos os que choram em Sião uma bela coroa em vez de cinzas, o óleo da alegria em vez de pranto, e um manto de louvor em vez de espírito deprimido. (Isaías 61.1-3)

Quero lhe convidar a receber o manto de louvor, a roupa da alegria nesta noite, porque Jesus ressuscitou. Simbolicamente, nós vamos fazer isso em comunhão, passando esse manto pelos nossos ombros e nos abençoando em nome de Jesus! As roupas da morte não servem para quem está vivo!


terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Pistas para se pensar acerca de nossa fé, identidade e estrutura metodistas a partir da relação com o episcopado

Eu acredito em projetos coletivos. Creio que um caminho para eles é a gente jogar ideias, espalhar trilhas de sonhos, recolher indícios de paixões pelo ensino, pela pregação, pela vivência... e disso tudo pensar coisas concretas, com as ideias de cada um. Pela construção de um projeto coletivo de participação, visando ao avanço e maturidade do corpo de Cristo que se reúne como Igreja Metodista, particularmente na minha Região de origem, na qual, junto com os colegas, a gente vê a nossa realidade (e os colegas e membros de outras Regiões podem contribuir, trazendo também as suas), achamos por bem colocar por escrito algumas ideias, sonhos, proposições para fomentar a discussão que se propõe por outros canais, mas que precisa ser conduzida a um fim proveitoso. Entendemos que ela sempre se fez presente ao longo da história do povo de Deus, uma vez que a necessidade faz surgir a vontade e a vontade se transforma em reflexão, em proposição e, eventualmente em clamor. Isso é evidente em textos como 1 Samuel e Juízes. As necessidades concretas do povo o levava a clamar por líderes com perfis adequados aos desafios propostos. Eles não podiam responder a tudo, mas foram bem-sucedidos muitas vezes por terem a clareza necessária ao seu chamado específico.
Devemos recordar este caminho trazendo à tona algumas justificativas, as quais se encontram nos textos bíblicos e também nos nossos documentos. Os Cânones, no seu artigo 127, estabelece os critérios para a eleição episcopal quanto ao caráter e características da pessoa a ser eleita:
Art. 127. As eleições ao episcopado da Igreja Metodista se processam por escrutínio e são realizadas por meio de processo do qual participam os Concílios Locais, Distritais, Regionais e Geral, da Igreja Metodista, em diferentes etapas, observando-se o seguinte:
I - o processo de escolha leva em conta as condições básicas mencionadas na Bíblia Sagrada, em 1 Timóteo 3.1-7 e Tito 1.7-9 e, em especial, os seguintes requisitos:
a) integridade moral e espiritual;
b) probidade;
c) coerência entre discurso e a prática;
d) capacidade de liderança;
e) facilidade de expressão oral e escrita;
f)  firmeza doutrinária, segundo os padrões da Igreja Metodista;
g) reconhecida competência no exercício pastoral em igrejas locais, inclusive capacidade administrativa;
h) boa condição de saúde física e mental;
i) não ter pendências judiciais que o desabonem para o exercício do Episcopado na Igreja Metodista.
(Tais critérios pressupõem que os candidatos e candidatas deveriam apresentar algum material comprobatório ou fossem questionados quanto a esses critérios uma vez que se apresentassem ao exercício do episcopado. Ou que as listas de candidatos apresentadas ao processo da igreja local já trouxessem os nomes aprovados a partir dos critérios apresentados. Ainda não sabemos de forma isso se dará, mas, enfim, é preciso demonstrar prévia competência em áreas relacionadas com a atividade pastoral a ser desempenhada.)
Os versículos bíblicos constantes no texto canônico trazem as seguintes recomendações:
Esta é uma palavra fiel: se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja. Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento; que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia (Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?). Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo. Convém também que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta, e no laço do diabo. (1 Timóteo 3.1-7)
Aquele que for irrepreensível, marido de uma mulher, que tenha filhos fiéis, que não possam ser acusados de dissolução nem são desobedientes. Porque convém que o bispo seja irrepreensível, como despenseiro da casa de Deus, não soberbo, nem iracundo, nem dado ao vinho, nem espancador, nem cobiçoso de torpe ganância; mas dado à hospitalidade, amigo do bem, moderado, justo, santo, temperante; retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes. (Tito 1.6-9)
Há na Bíblia diversos textos que qualificam aquelas pessoas chamadas para o serviço do santuário e ministérios relacionados com o anúncio profético: os ajudantes de Moisés, os profetas do tabernáculo, os diáconos da igreja primitiva, entre outros. Todos eles contavam com um testemunho público acerca de seu caráter, sendo, a partir disso, incontestável a presença do Espírito Santo, confirmando sua vocação. E eles operavam por áreas de ação. Desta forma, estamos trazendo algumas ideias para que sejam debatidas e, em parecendo bem ao Senhor e a nós, levadas adiante como um projeto. Algumas dessas ideias já vêm sendo debatidas há algum tempo entre pessoas de várias regiões eclesiásticas interessadas num projeto de bases comuns e biblicamente estabelecidas.

O episcopado e o pastoreio
A vocação pastoral precisa ser seguida. Há um distanciamento entre o episcopado e as demandas do pastorado, por conta da institucionalização dessa função. O bispo ou a episcopisa precisa de uma igreja local, na qual possa estar, conjuntamente com sua família, ministrando e recebendo ministração. Não há necessidade, em sua função, de que esteja fora da igreja local todos os domingos. Sua agenda pode prescindir de muitos compromissos não essenciais em nome de uma cabeça e um coração focados na missão e que, desta forma, inspire colegas em seus próprios ministérios.
Aquilo que é pedido do pastor e da pastora precisa ser feito pelo bispo ou episcopisa. Portanto, é mister que ele ou ela conduza um grupo pequeno ou pelo menos participe de um, se essa é a atual ênfase da igreja. É sua forma de manter ativo o ardor evangelístico na base.
O episcopado é um espaço de ministração ao corpo pastoral da igreja. Com uma redução drástica nas viagens que nada acrescentam ao processo de cuidado, essa pessoa poderá e deverá estar presente com mais assiduidade em momentos como retiros e encontros distritais, que ocorrem geralmente durante a semana, sem prejuízo de sua igreja local e com grande ganho para os pastores e pastoras. O investimento correto nessa área pode significar custos mais reduzidos para encontros e possibilidade de ter mais a presença da família pastoral sendo cuidada de perto.
Em sua tarefa junto ao corpo pastoral, garantir ampla transparência, prestação de contas e fiscalização por técnicos e profissionais de aspectos relativos ao pecúlio pastoral, uma grande fragilidade nacional e que gera incertezas quanto ao futuro da família pastoral.
Para dar prioridade ao processo de pastoreio e discipulado, é mister não agir de modo centralizador, principalmente na área técnica, financeira, institucional e burocrática da instituição e suas instituições, que atualmente consomem grande tempo e com míseros resultados para a missão.
Zelar com especial atenção pelas famílias pastorais, provendo espaços de reflexão, encontro, partilha e atendimento às necessidades.
Zelar com especial atenção pelo corpo pastoral que é viúvo, solteiro e do sexo feminino, por suas particulares necessidades, muitas vezes não contempladas pela ação episcopal contemporânea, em função do foco na família a partir da perspectiva do casal.
Definir, em projeto junto às igrejas locais e distritos, o número de pastoras/es que a Região suporte pagar e o número de pastores/as de tempo parcial.
A nomeação em tempo integral ou parcial e seus critérios serão justos e claramente discutidos. O mérito de trabalho, de conhecimento, de estudo e atualização, os frutos e a dedicação aos votos feitos como membro clérigo da Igreja serão efetivamente levados em conta, bem como o projeto da família pastoral, evitando traumas desnecessários e súbitos.
Casais em que ambos são do corpo pastoral da igreja não podem ter prejuízo em seu subsídio e trabalho em função de sua situação conjugal. Há que se propugnar meios para trabalhar essa questão que se arrasta por tempos esquecidos, em nome de uma pretensa “praxe” que pode acabar por abalar o relacionamento.
Seminaristas e recém-formados não serão enviados para abrir novas igrejas sem a experiência ou suporte necessário por meio das igrejas-pólo em cada distrito. Preferencialmente sob a supervisão de um pastor ou pastora que exerça o mentoreamento e acompanhamento para dar estabilidade emocional e espiritual ao novo pastor e pastora.
Rever os processos e conceitos de itinerância, adequando-os ao novo momento histórico e buscando humanizar os processos, forjando o pastor e pastora para pensar um ministério mais longo em cada igreja local.
Desenvolver um cuidado intensivo, igualmente, junto aos pastores e pastoras aposentados da Igreja, verificando a possibilidade de gestar junto a eles e aos mais experientes um projeto real de mentoreamento e cuidado “interpastoral”.

O episcopado e a administração regional
Priorizar pastor e pastora no ministério pastoral, na igreja local ou em ministérios pastorais específicos, não em cargos administrativos, a não ser que tenham a qualificação acadêmica e a experiência necessária. Essa relação distorcida prejudica, pois se tratam muitas vezes de cargos regidos por CLT, caracterizando desvio da função pastoral.
Atendendo ao dispositivo do Concílio Geral que determinou que as cidades com mais de 100 mil habitantes sejam priorizadas como possibilidades de implantação de igrejas, antes de abrir novas frentes priorizar as cidades e seu potencial e não a realidade da igreja local no processo de nomeação. Apoiar integralmente ao pastor ou pastora que realiza sua tarefa com desvelo e apego à doutrina, costumes e tradições da Igreja Metodista, sob a unção e direção do Espírito Santo, para as alterações necessárias visando ao avanço missionário nessas localidades e nas demais.
Investimento no corpo pastoral: pastores/as de tempo integral a cada cinco anos teriam o incentivo para fazer um curso de mestrado ou outro relativo ao seu campo de atuação ministerial, com a criação de parcerias com instituições ou criação de aportes regionais por meio da disponibilização de livros e materiais para a criação de um fundo com este fim, administrado pela Ordem Presbiteral, com critérios estabelecidos em assembleia dos pastores e pastoras.
Estruturação da Ordem Presbiteral na Região, com amplo debate, conforme as orientações canônicas, para atuação junto ao gabinete episcopal na tarefa de cuidado, disciplina e doutrina metodistas, no que couber.
Não é necessário abrir mão de autoridade ou responsabilidade, mas é possível à pessoa no exercício do episcopado terceirizar bastante de suas tarefas administrativas. Ela deve voltar a ser a cuidadora de almas do corpo pastoral e famílias, bem como as demais lideranças regionais e ministérios.
Redução dos gastos do Gabinete Pastoral com visitação às igrejas locais pelo estabelecimento de parcerias com as igrejas locais quando necessário. Os recursos daí gerados servirão para subsidiar a formação de pastores e pastoras com bolsas de participação em eventos que interessem ao distrito e às igrejas locais, conforme agendamento dos superintendentes distritais, bem como a redução de taxas de participação em eventos e convocações regionais.
Também, de acordo com o crescimento regional, alocar recursos para investimento na saúde da família pastoral, por meio de ações diversas de cuidado, desde cursos até ajuda para descanso, refrigério e renovo, bem como apoio financeiro e psicológico em casos de crise, doenças e eventuais. Prevenir ao máximo.

O episcopado e a expansão missionária
Os encontros regionais da liderança pastoral devem abordar temáticas como a história, doutrinas e documentos da Igreja Metodista, sempre em amplas discussões e atualização, para evitar ou prevenir eventuais saídas motivadas por projetos pessoais ou igrejas independentes, como vêm ocorrendo em larga escala na Igreja atualmente.
Os pastores e pastoras, missionários e outros obreiros e obreiras devem ser relembrados de seus votos à Igreja, renovando-os periodicamente em seus encontros e tendo espaço para expor, sanar e sarar suas questões e reinvindicações, nos termos dos pactos que Wesley estabelecia com seus obreiros no passado, sempre com foco na missão.
Pensar juntos um projeto de reconhecimento e valorização do corpo pastoral, sem o qual o avanço missionário fica prejudicado, com vistas a garantir um subsídio adequado e a satisfação interior do obreiro e da obreira enquanto ser humano e “bom presbítero” no sentido discutido por Paulo em suas cartas a Timóteo, sem abuso de poder, autoridade ou falta de transparência do pastor e da pastora na igreja local.
Nenhum pastor ou pastora poderá exercer função regional ou coordenar ações regionais se sua igreja não estiver em dia com suas obrigações junto à sede regional, por uma questão de caráter e coerência, que prejudica e pesa sobre todas as demais igrejas, sempre considerando situações alheias à vontade da igreja, no que couber.
Os pastores e pastoras da região coproduzirão o material de discipulado, podendo contribuir com sua produção por meio do site da Sede Regional e sendo convidados para projetos específicos de produção de estudos, materiais para grupos pequenos, Escola Dominical e outros. Garante-se assim a multiplicidade de olhares, ministérios e práticas que abarquem a multiforme necessidade humana sob a multiforme graça de Deus que opera em todas as pessoas.
A avaliação pastoral passará por profunda revisão, em parceria com a Ordem Presbiteral, visando ao conhecimento da realidade dos pastores, pastoras e igrejas e não apenas para fins de nomeação. Estratégias missionárias, planos de ação e encontros regionais levarão em conta os resultados dessas avaliações, a serem elaboradas por profissionais da área e com a intenção de conhecer profundamente o corpo pastoral e as igrejas. Seus resultados mais relevantes poderão divulgados visando à construção de um projeto coletivo, como acontece em instituições como universidades e grandes corporações.
Desvincular sistematicamente o concílio regional do processo de avaliação e nomeação pastoral para fortalecer sua vertente missionária e de pensar a igreja.

Episcopado e ministérios
Investir sistematicamente na educação e atualização dos pastores e pastoras da igreja. O nosso futuro está no passado do metodismo primitivo dialeticamente aplicado aos nossos tempos pós-modernidade.
Restauração do pressuposto do sacerdócio universal dos crentes, atuando na parceria entre grupos pequenos e ação ministerial dos dons, numa igreja, de fato, conciliar.
Ênfase na igreja como comunidade missionária, lugar e povo de serviço. Priorizar uma formação para além do culto, engajando-se na comunidade por meio de ações de evangelização, cuidado, ação social, políticas públicas, investimento na formação de jovens, educação e parcerias com escolas e poderes públicos.
Entender a equipe de SDs como alvo primeiro do processo de discipulado. Esse grupo deverá ser escolhido numa percepção dupla da sua relação com o gabinete episcopal e com as igrejas locais em cada distrito. Deverão, de igual modo ao gabinete, apresentar seu plano de ação, alvo, objetivos e formas de atuação, com os respectivos resultados anualmente.
Atuar, junto às Federações, em busca de um modelo de ação que preencha a atual necessidade das igrejas, sem engessar a missão, sempre com ampla discussão e debate nas bases. Investir nas Federações como elemento de aglutinação distrital para projetos de impacto nas cidades e movimentos missionários distritais e regionais.
Pensar os processos de emancipação de igrejas, implantação de novas igrejas e transformação dos campos distritais e regionais em Igrejas locais autônomas, com investimentos previstos no orçamento regional, a partir de parceria com as igrejas-pólo em cada distrito, SDs e gabinete episcopal.
Reestruturar as pastorais regionais para que consigam uma atuação mínima real possível, junto às diversas realidades, principalmente junto a crianças e jovens, pessoas em situação de risco, mulheres, grupos étnicos e outros.
Estabelecer formas de parcerias com outros grupos que trabalham o discipulado e com igrejas comprometidas com a missão de modo a agregar conhecimento, sem o risco da desagregação das igrejas locais, como hoje se vê, ou minimizando-a ao máximo sempre que possível por meio da efetiva ação pastoral de cuidado.

Discipulado e sacerdócio de todos os santos
Em minha prática pastoral, tenho crido que a igreja em pequenos grupos foi um fator de favorecimento do surgimento de novas lideranças e ministérios, com grande atuação dos leigos e leigas. Sei que existem modelos negativos de células e grupos, mas nossa história com John Wesley demonstra efetivamente o valor dos leigos e leigas na ministração da palavra, visitação, cuidado aos doentes e enfermos, sem clericalismo ou formalismo.
Gerar espaços de formação para os leigos, não apenas para a liderança dos pequenos grupos, mas também de ministérios específicos como pastorais urbanas, missões com grupos minoritários, direitos humanos, atuação carcerária.
Desenvolver parcerias com igrejas locais que realizam esse tipo de trabalho para ministração de workshops durante congressos de federações, concílios ou quaisquer reuniões do povo metodista, para divulgação e formação de novos agentes nessas áreas.
Restaurar espaços formativos de leigos e leigas para atuar nos diversos ministérios, por meio de parcerias com os distritos, com o fim de realizar eventos que abarquem o maior número de pessoas com menores distâncias. Essas celebrações servirão para unir o povo em projetos comuns, juntamente com a capacitação por meio de oficinas, cursos, trocas e intercâmbios entre distritos e igrejas locais que poderão oferecer seus dons.
Organismos regionais, como os institutos teológicos, ministérios de apoio a famílias pastorais, pessoas de referências poderão acolher em seus quadros pessoas indicadas pelas igrejas locais, com reconhecida atuação como membros, para formar um quadro de consultores, professores e afins para dinamizar e atualizar a Escola Dominical nas igrejas locais. Aliás, a ED precisa de um estudo profundo para responder à nova demanda de ensino, considerando a realidade das regiões e distritos.

Espaços voltados à arte, à reflexão, ao estudo são oportunidades desprezadas atualmente para forjar a identidade e o caráter metodistas em nossos membros. Oportunidades de contemplação, de adoração e louvor num culto racional podem ser incentivadas de diversas formas, desburocratizando em alguns casos e evitando o excesso de espiritualização em outros, pela formação de grupos distritais, com representação regional, para atuar em fomento, orientação e produção de materiais, sempre sob a supervisão teológica episcopal.

sábado, 21 de novembro de 2015

O episcopado e a vida pastoral - rastros de sonhos

O episcopado é um espaço de ministração ao corpo pastoral da igreja. Creio ser possível uma redução drástica nessas viagens que nada acrescentam ao processo de cuidado às famílias pastorais. Desta forma, a pessoa no exercício do episcopado poderá e deverá estar presente com mais assiduidade em momentos como retiros e encontros distritais, que ocorrem geralmente durante a semana, sem prejuízo de sua igreja local e com grande ganho para os pastores e pastoras. O investimento correto nessa área pode significar custos mais reduzidos para encontros e possibilidade de ter mais a presença da família pastoral sendo cuidada de perto.
Em sua tarefa junto ao corpo pastoral da Igreja e seus aspectos administrativos, essa pessoa eleita precisa garantir ampla transparência, prestação de contas e fiscalização por técnicos e profissionais de aspectos relativos ao pecúlio pastoral, uma grande fragilidade nacional e que gera incertezas quanto ao futuro da família pastoral. Além disso, as contas da igreja precisam ser abertas sem temores nos concílios. Se a Igreja é uma associação, todos os membros têm o direito de saber o quanto custa cada coisa, inclusive o subsídio. Ninguém reclama do salário de alguém que trabalha bem. Ao contrário, a Bíblia diz que a pessoa que precise bem merece ganhar o dobro. A questão é não privilegiar excessivamente um pequeno grupo enquanto igrejas locais pequenas se sentem inertes para a missão e pastores e pastoras há que se enriquecem - de fato - nesse ofício! Vide igrejas por aí com pastores andando em aviões e helicópteros particulares...
Quanto aos casais em que ambos são do corpo pastoral da igreja, eles não podem ter prejuízo em seu subsídio e trabalho em função de sua situação conjugal. Há que se buscar meios para trabalhar essa questão que se arrasta por tempos esquecidos, em nome de uma pretensa “praxe” que pode acabar por abalar o relacionamento. É uma questão de se examinar a Região como um todo, refletir junto com o corpo pastoral, humanizar o processo de nomeação pastoral. Quando todos e todas realmente querem alguma coisa, sempre há uma saída que "parece bem a nós e ao Espírito Santo".

REVISÃO DE TEXTO COM PERSONALIDADE