sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Visões e sonhos: um alvo claro (Salmo 62)

Chega uma hora na vida da pessoa em que a maturidade começa a dar sinais de que está fazendo efeito. Eu acho que estou vivendo um momento assim. E eu falo que acho porque a gente nunca tem certeza de estar maduro até tomar uma decisão ou alcançar um alvo tão importante que possa dizer: Cheguei lá! Não aconteceu nada, está tudo basicamente do mesmo jeito... um monte de perguntas sem respostas. Mas, em meio a essa minha ansiedade, persiste uma sensação de que fiz o que devia fazer e que é preciso esperar um pouco mais, com calma, que tudo vai se ajeitar. E tendo de escrever sobre visões e sonhos, particularmente pensando na juventude, me lembrei dessa minha sensação e do salmo 62. A situação do salmista é como a nossa hoje. Ele fala sobre sua espera em Deus e as situações que estavam acontecendo ao seu redor. É algo para se pensar: para se ter uma boa visão, é preciso ter foco. E para ter sonhos, é preciso ter paz para um sono suave...

A diferença entre visão e sonho
Tenho lido muitos livros sobre liderança ultimamente. Vivendo a transição para grupos pequenos em nossa igreja, esta percepção e aprendizado são algo tão fundamental que corremos o risco de colocar tudo a perder porque não entendemos o conjunto da obra antes de nos meter a cuidar dos detalhes. Então, tenho aprendido muito.
O bispo Adriel Maia tem uma expressão sobre engenharia e arquitetura que acho extremamente aplicável, tanto à vida pessoal quanto à missão da igreja. Podemos dizer, acompanhando o raciocínio episcopal, que a visão tem a ver com o trabalho da engenharia – que é pensar as estruturas, acompanhar planejamentos e execução de atividades, viabilizar os custos, a qualidade, o ritmo de uma obra, controlar a qualidade e a execução dos serviços, etc. A visão é que dá a viabilidade ao projeto da pessoa, seja ele de vida, de ministério, de estudos, e tudo o mais. O sonho tem a ver com a arquitetura: é a beleza, a plasticidade, o design da visão. Uma visão sem sonho pode se tornar muito objetiva, talvez um pouco seca; um sonho sem visão pode ficar perdido nos delírios plásticos e não se consolidar. É preciso ter visão porque ela estabelece o alvo; é preciso ter sonhos porque eles enriquecem e embelezam o processo. O sonho dá origem à visão e a visão sustenta o sonho. Engenharia e arquitetura...

Uma visão e um sonho no salmo 62
Tenho lido e relido o Monge e o Executivo porque gostei demais dessa forma poética com que o autor interage filosofia, fé e princípios de liderança. Permita-me fazer uma mescla desses aprendizados com o Salmo 62. Por exemplo, ao final do livro, os dois personagens principais dialogam. Um pergunta ao outro: “Mas, onde começar, Simeão?” E o outro responde: “Você começa com uma escolha”.
O salmista começou seu salmo com uma escolha – esperar somente em Deus. Sua visão de mundo poderia se basear em muitas coisas: no seu estudo, no seu conhecimento, na posição que ele poderia ocupar no contexto social e religioso do seu tempo. Mas ele, para alcançar a vitória sobre seus inimigos, que agem contra ele com maledicência, engano e armadilhas (v. 3-4), ele coloca sua visão, primeiramente, em Deus.
Não se trata, ao contrário do que parece, de mera contemplação. Deus é o modelo de autoridade, de caráter e de poder no qual o salmista quer espelhar seu próprio ser. Veja o que o salmista diz que recebe de Deus: salvação (v. 1 e 7); segurança e abrigo (v. 2 e 7); esperança (v. 5); glória (v. 7). Ele compara aquilo que lhe pode advir dos seres humanos tão somente: vaidade (ou seja, a qualidade daquilo que é transitório, passageiro, v. 9); a origem pura ou a alta sociedade são apenas falsidade e aparência (v.9) e seus valores não fazem diferença na balança (v. 9); as riquezas também não constituem fonte de segurança ou de visão para nossa vida (v.10).
Outro detalhe importante sobre o caráter de Deus, exposto pelo salmista, tem a ver com a fonte da força que sustenta a vida. Deus fala apenas uma vez que o poder é dele; mas o salmista ouviu duas vezes: é o testemunho que ecoa a respeito daquilo que somos. Nossas ações devem corroborar nossas palavras (v. 11).
Portanto, conclui o salmista, a minha visão sobre minha vida se baseia no que Deus representa para mim. A todo o tempo ele reforça sua dependência de Deus (v.7) e a necessidade de um relacionamento profundo com ele, a ponto de exigir plena abertura ou derramamento de coração (v. 8).
Nossa visão de vida – isto é, os fundamentos pelos quais orientamos nossa existência e alinhamos nossas ações e nossos sentimentos – tem a ver com esta opção por Deus. Ela precisa ser clara e firme para que não sejamos muito abalados (v. 2) ou, com mais maturidade, não sejamos abalados de forma alguma (v. 6). Esta visão nos permite reconhecer a necessidade de reconhecer nossos limites e nos fundamentarmos no seguimento da Palavra.
Uma vez, alguém me perguntou por que os crentes vivem dizendo que têm certeza da salvação. Se isso não é uma arrogância. Eu respondi que os crentes que dizem isso, se estiverem se baseando na sua própria conduta ou pretensa justiça, sim, estão pecando em sua arrogância. Mas eu aprendi que podemos dizer que temos certeza da salvação por causa do caráter excepcional do salvador. Se o salvador é bom, a salvação é garantida, pois ela não depende de quem é salvo, mas de quem salva! Por isso, uma visão cujo fundamento é Deus é uma visão que supera qualquer obstáculo, pois seu alvo é elevado e além! Seu fundamento é eterno, firme como uma rocha!

Alimente seus sonhos, clareie sua visão!
As pessoas hoje em dia têm tido sonhos terrestres, materialistas. Sonhos que não preenchem a vida, não conquistam a alma, não dão sentido à vida. Sonhos que estão nos olhos somente, mas não no coração. E a Bíblia diz que a cobiça dos olhos nunca se sacia. Os sonhos de Deus vêm do coração e exigem, por vezes, um silêncio meditativo que lhes permita sair do coração de Deus para o nosso (v. 1, 5). Que sonhos você tem para sua vida, seu ministério, sua família? Mas lembre-se: um sonho sem visão é apenas um sonho e pode se perder...
Temos de parar na estrada da vida para ajustar o foco, para colocar novamente o alvo adiante de nós. Temos a tendência a nos desviar. Por isso, a visão precisa ser alimentada pelo sonho e o sonho pela visão. Por duas vezes o salmista fala como se dissesse a si mesmo: “Somente em Deus, minha alma! Espere somente em Deus! Cuidado consigo mesma! O foco é sempre Deus!” A meta, o alvo à nossa frente é clareado quando alinhamos a nossa vontade à vontade de Deus, quando nossos planos são os planos dele. O salmista tem clareza de que o alvo pode e será alcançado. Suas palavras finais são em tom de vitória e recompensa: como Deus é gracioso, ele dará a retribuição justa e amorosa a todos os nossos atos. Diante dele, nenhum esforço escapa, nenhuma ação passa despercebida... E eu não quero pensar nessa recompensa em termos de prêmio ou galardão, mas em termos de que, como Pai nosso e líder de sua igreja, nosso Deus sabe dar a cada um de nós exatamente aquilo de que precisamos. E ter nossa necessidade mais profunda atendida é a melhor visão de futuro que podemos ter!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Lembre-se de mim

Lembre-se de mim neste pão que te alimenta
Pois eu, muitas vezes, ainda sinto fome.
Lembre-se de mim neste cálice tão doce
Pois minha boca está seca de tanta sede...
Lembre-se de mim porque esta refeição
É para recordar tudo o que vivemos juntos
E uma promessa do que poderemos ainda viver.
Mas ao mesmo tempo, é um compromisso
De que enquanto alguém ainda sentir fome
De pão, de afeto, de justiça e de acolhida
Então a mesa ainda não está pronta
E falta alguém para ser servido.
E enquanto houver quem sinta sede
De perdão, de paz, de água, de vida
Então a gente tem que seguir lembrando.
Lembre-se, não esqueça, não se permita esquecer
Porque de nada adiantam opiniões e polêmicas,
Mas atitude muda tudo.
Não foi por acaso que eu quis esta lembrança:
Em torno da mesa somos todos humanos
Todo mundo sente fome e sede.
Todo mundo quer amar e ser amado.
Todo mundo pode ajudar a servir.
A mesa é o espaço onde nossa fragilidade
Pode ser superada pela solidariedade
Lembre-se de mim, que eu sou gente como você
E sofro, e sinto, e choro, e preciso...

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Três coisas que precisamos saber

Josué 1.1-9

Este texto traz para nós algumas importantes coisas de que precisamos para ter vitória no ano novo que virá. A Bíblia define esta vitória neste texto nos seguintes termos: “para que sejas bem-sucedido por onde quer que andares” (v.7) e “farás prosperar o teu caminho” (v.8). Quem não quer prosperar e ser bem-sucedido? Mas isso nos termos de Deus e não nos nossos! O diferencial é este: colocar nossos planos nos planos de Deus e não Deus nos nossos planos... Desta forma, precisamos saber...

TRÊS COISAS SOBRE NÓS:

Devemos saber que somos servos: “Moisés, meu servo, é morto”... “dispõe-te” (v. 2). Josué tinha de saber que Moisés agira como servo e Deus agora requeria isso dele também. Para ser bem-sucedido, é preciso ser servo, estar submisso a Deus e a sua vontade.

Devemos saber se somos fortes: A força, de acordo com a Palavra de Deus, não é a capacidade de submeter alguém, mas de submeter-se ao outro; não é a capacidade de destruir, mas de resistir; não de pesar, mas de sustentar. Sê forte é uma expressão que aparece nos vs. 6, 7, 9. Três vezes é um sinal bíblico de importância, um superlativo, como em “santo, santo, santo”. É uma urgência para ser bem-sucedido, porque o fraco é aquele que não tem uma vontade resistente, é aquele que retrocede, que abandona, que não persiste. Ser forte é ter compromisso.

Devemos saber se somos corajosos: A coragem não é a ausência de medo, mas a capacidade de vencê-lo, de não ceder a ele. Esta expressão aparece junto aquela referente à força. A coragem é que nos faz andar, dar um passo adiante e tomar a terra da promessa. Deus não tolera a covardia, porque ela significa falta de fé.

Mas além de saber três coisas sobre nós, é preciso saber...

TRÊS COISAS SOBRE DEUS

Devemos saber que Deus é vivo: Moisés, meu servo, é morto... mas eu serei contigo como fui com ele, promete Deus neste texto. Deus não está preso a pessoas do passado, nem a modismos, nem a tradicionalismos, mas Deus é dinâmico; ele é vivo, está em ação. Não podemos ficar presos a nossos traumas do passado, nem ao luto daquilo que foi perdido. Devemos “dispor-nos”, porque Deus é vivo!

Devemos saber que Deus é fiel: “assim como fui com Moisés, assim serei contigo”. O plano de Deus não muda porque as circunstâncias mudaram. A terra precisa ser conquistada. Deus tem um plano e irá com ele até o final. Ele conta conosco, mas ele é fiel naquilo que promete. Deus tem compromisso com suas promessas.

Devemos saber que Deus é presente: “nunca te deixarei, nem te desampararei” (v.5); “o senhor, Teu Deus, é contigo, por onde quer que andares” (v.9). Deus não manda recado, ele vai conosco. Ele é presente em qualquer tempo ou circunstância. Ele está conosco na caminhada.

Conclusão
As três coisas que podemos saber sobre Deus são certas, perfeitas, imutáveis. As coisas que podemos saber sobre nós dependem, única e exclusivamente, de nossa opção por Cristo e nossa entrega total a Ele. Saber quem Deus é – isso é fundamental. Mas saber quem nós somos também é igualmente importante. Sendo servos, fortes e corajosos, saberemos que Ele também nos reconhecerá naquele glorioso dia, quando nos chamará, dizendo: “Entrai, servos e servas, vocês que foram bons e fiéis, no Reino que vos está proposto.” Um feliz e abençoado ano novo, cheio de vitórias, de abundante colheita, para glória de Deus!

REVISÃO DE TEXTO COM PERSONALIDADE