Uma igreja digna do seu nome

Certa vez, Alexandre, o Grande, conquistador da Grécia, julgou um jovem que havia abandonado o campo de batalha. Era um soldado novo, coitado, inexperiente... mas a acusação era grave. Então, o conquistador perguntou: Como é o seu nome, garoto? E o jovem respondeu: Alexandre, senhor! Então Alexandre ergueu-se e exclamou com o dedo em riste: “Então, mude seu proceder ou mude de nome!”. Um covarde não poderia ser chamado pelo mesmo nome do conquistador.
O texto bíblico acima diz que, até então, os cristãos eram conhecidos como os “do Caminho”. Talvez em referência à frase de Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”. Mas agora, em Antioquia, há uma relação direta entre os seguidores e o mestre. Eles são chamados de cristãos... Eles faziam algumas coisas que os identificavam com Jesus. Que lições podemos aprender com Antioquia?
Primeiro: Era uma igreja que não fazia julgamentos antecipados, mas acolhia as pessoas. Isso acontecia por uma série de eventos contidos nos capítulos 8 a 13 de Atos. Foram perseguidos e dispersos; na fuga, anunciavam a mensagem de Cristo também aos gregos (contra a orientação da igreja de Jerusalém; cf. At 11.19-22). Mas quando Paulo se converte, Barnabé o procura e inicia seu ministério em Antioquia, como parte da comunidade (At 11.25-26). Quantos talentos são desperdiçados por causa de julgamentos e “pré-conceitos”! Uma igreja digna do seu nome é aquela que, como Cristo, abre os braços a todos, impulsionando as pessoas para a vida e para a salvação.
Segundo: É uma igreja rica nos ministérios e que põe as mãos à obra (Atos 13.1-2). Havia ali profetas e mestres de vários jeitos diferentes: Simeão, chamado Níger (que significa negro; portanto, era estrangeiro); Lúcio de Cirene (de outra cidade); Manaém, que trabalhava para Herodes. Pessoas que tinham muitos afazeres; eram ocupadas, mas estavam dispostas a investir na missão. A Igreja digna do seu nome é aquela que diz: “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.”
Terceiro: É uma igreja unida, mesmo diante de pensamentos divergentes. Barnabé e Paulo estiveram juntos por muitos anos, mas houve um dia em que se desentenderam. Barnabé queria levar João Marcos, que havia desistido antes (At 13.13). Paulo não queria arriscar. Eles discutiram e decidiram pôr um fim à parceria (At 15.36-41). Mesmo assim os irmãos abençoaram a missão que ambos empreenderiam. Barnabé ficou com Marcos. Diz a tradição que este jovem escreveu o Evangelho que leva o seu nome. Barnabé acreditou e investiu nele, como fez com Paulo. A Igreja de Antioquia nunca deixou de apoiá-los, embora pensassem diferentemente. E, dali a um tempo, foi possível a reconciliação (cf. a tradição expressa em 2Tm 4.11). Paulo faz recomendações a respeito de Barnabé aos Colossenses (4.10); enfim, há um respeito ao ministério que é feito com temor e amor. Além disso, a Igreja de Antioquia, apesar de ser composta por gentios, sempre teve grande respeito e submissão à Igreja de Jerusalém, consultando sempre os apóstolos ali reunidos em questões de doutrina e prática.
Jesus nos desafia a ser uma igreja digna do nome “Cristã”. Desafiada assim, Antioquia respondeu favoravelmente. Seu testemunho se espalhou por toda a parte. Foi ali que os cristãos receberam o nome que até hoje carregamos. Cumpre a nós sermos fiéis a esse nome. Se não, resta-nos a dura palavra de Alexandre: “Ou muda teu comportamento; ou muda de nome”.

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