De pastora (!) para ovelha - uma carta 'pastoral'


Querido membro,
Que a graça e a paz de Deus sejam com você!
Como sua pastora, permita-me dirigir-me a você, meio que parafraseando o bispo Paulo Lockmann, em suas ‘cartas à igreja’... Como não estou com essa bola toda para falar ao todo (ichi, ficou engraçado...) falo ao particular. E isso pra mim tem toda a importância do mundo.
Primeiro, quero te agradecer pela insistência com que você me atura, domingo após domingo, nos dias mais e menos inspirados de minha carreira homilética. Isso é muito importante num mundo em que muitos não querem nem ouvir, nem falar coisa alguma, em busca de um significado além do momento. Mas você ouve – e vez por outra, sei que fiz uma pequena diferença, porque você elogia ou olha meio de lado... Mas, pelo menos, nunca me é indiferente.
Em segundo lugar, agradeço por sua capacidade de discordar de mim. Num tempo em que muitos confundem alhos com bugalhos, você não permite que eu me engane. Você não é qualquer um – não reclama por reclamar, nem fala pelas costas. Você me olha nos olhos e me aponta tudo o que não posso ver. Você me lembra que do alto do púlpito algumas coisas podem sair do alcance dos olhos. Você me lembra que é preciso abaixar-se para ver melhor. Sou grata porque, ao fazer isso, você demonstra o quanto me ama, não permitindo jamais que eu caia por não ver direito o caminho. Como é importante outro ponto de vista!
Em terceiro lugar, eu lhe agradeço por ser guardião da minha alma. Você ora por mim insistentemente. Sou feliz por ter dado a você acesso a minha vida. Por comer na sua cozinha não por mera ‘política da boa vizinhança’, mas pela alegria de partilhar uma refeição como quem faz um piquenique no meio da semana, por deixar a visita de ser um puro ato pastoral para ser um encontro de discípulos, como Jesus fez no dia em que foi à casa de Pedro, ou quando visitou Lázaro e suas irmãs, Marta e Maria. Que petulância! Longe de mim comparar-me a Jesus de forma tão ostensiva, serva que eu sou, mas quero aprender com ele a não ser superior por causa da posição que ocupo, haja visto isso ser apenas uma parte de mim e uma que me foi dada, não que alcancei por mim mesma, apesar dos estudos. Se ele não se dignar a honrar-me, perdida estarei!
Sou feliz porque posso contar com você, uma vez que nos tornamos, como disse Jesus, não ovelha e pastora, mas amigos. Se não posso abrir-me mais, o que é uma pena, é porque não quero colocar fardo mais pesado sobre seus ombros. Você é comprometido, fiel nos dízimos e ofertas, integrante de um sem-fim de atividades. Você lê a Bíblia, pratica o que aprende, insiste em progredir... Você me anima e me desperta e frequentemente me lembra que aprecia nossa convivência, às vezes sem nada a dizer. Por sua causa, eu suporto uma série de coisas e posso ser uma ministra melhor.
Assim, meu querido e fiel membro, minha ovelhinha, meu amigo, muito embora haja mercenários, que querem lucrar com você, fique por aqui, no nosso rebanho. Não desista, porque é por pessoas como você que me é possível ir adiante. Tenho os braços muitas vezes cravados de espinhos por ter de resgatar ovelhinhas bem rebeldes, embora dignas de amor. Tenho os pés cansados de buscas que às vezes não trazem resultado algum. Tenho os olhos cansados de chorar por ovelhas que foram embora por não estarem satisfeitas com nossos pastos. Eu sempre me pergunto: ‘Será que foi porque elas não estavam satisfeitas comigo? Ou porque, na verdade, eu não estava satisfeita com elas? E, Deus, nesse meio, está satisfeito com quem, se é possível estar?’
Mas quando cai a noite em nossas almas, sobre nossos corpos, que coisa incrível é! Que milagre divino fechar os olhos e imaginar... Aninhar-me no pêlo macio de uma ovelhinha amada, cujas patinhas me elevam ao céu, murmurando a Deus orações por mim... Sim, meu lugar é aqui, no meio do pasto, entre ovelhas. Eu me acho às vezes tão importante, tão cheia de mim... Mas o pastor supremo, que olha lá de cima, vê o que eu não quero ver – afinal, posso estar à frente do rebanho, posso ter o cajado na mão, mas aos olhos dele sou ovelha também...

(POR FALAR NISSO, EU EXTRAÍ O DESENHO ACIMA DO ENDEREÇO: http://www.altairgermano.com/2009/03/o-pastor-ovelha-pobre-e-ovelha-rica.html?showComment=1236900240000. TEM UMA HISTÓRIA INTERESSANTE SOBRE OVELHAS E PASTORES LÁ...)

Comentários

  1. Thaís Espíndola8 de maio de 2009 16:51

    Mesmo longe sinto como se essa carta, ou mensagem, tmb seja pra mim. Estarei sempre perto de vs, meus pastores, orando junto a Deus. E que Ele continue abençoando esse ministério, dando dicernimento e amor para seguirem em frente.
    Que benção são as coisas que escreve!Me fazem muito bem!
    Um beijo!

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  2. Amiga Hideide é sempre com grande alegria que visito este importante espaço. Honrado e feliz. Quero agradecer sua amizade, atenção e gentileza. Muito obrigado! Parabenizo você pela harmonia e qualidade deste trabalho. Grande tema, ótima escolha, excelente texto, matéria relevante, uma preciosidade, gostei. Valeu ter passado aqui. “Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove. E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, pura enquanto durar. Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.” Cora Coralina. Encontrar-nos-emos sempre por aqui. Aguardo sua visita, passa lá! E volte sempre! Tenha um agradável e feliz fim de semana. Muita paz, brilho, proteção e sucesso. Tudo de bom, prosperidade... Fique com Deus. Forte e caloroso abraço.
    Valdemir Reis

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