Avanço econômico passa por mãos femininas -COOL!

(na foto, as mulheres da família: Amanda, Giovanna e euzinha!)

Por Fernanda Pompeu, especial para o Yahoo! Brasil
Os poderosos do Fórum Econômico de Davos poderiam aprender com as mulheres como se virar em crises agudas. Pois, em circunstâncias de pobreza e até de extrema pobreza, elas seguram o rojão da subsistência e alimentam a lamparina da esperança. Um dos primeiros a chegar a essa conclusão foi Muhammad Yunus, criador do bem-sucedido banco do povo para pessoas de baixíssima renda de Bangladesh. No Grameen Bank, 97% dos clientes são mulheres.
Ao receber o Prêmio Nobel da Paz de 2006, Yunus declarou: "Elas criam micronegócios em cenários altamente adversos, ajudam toda a família e pagam seus empréstimos em dia." A partir da experiência do banco do povo, vários países, entre eles o Brasil, adotaram modelos de microcrédito, cerca de 1% de juro ao mês. Em todos, a história se repete: a maioria da clientela é feminina.
A parceria das mulheres impressiona também nos programas sociais. Estão nos mutirões de habitação e nas campanhas de saúde. São presença acachapante em iniciativas voltadas para crianças e adolescentes. São a maioria esmagadora dos cadastrados do Bolsa Família, um dos maiores programas de transferência de renda do mundo. Além de cumprirem com as condições impostas - manter as crianças na escola e o calendário de vacinação infantil em dia - são milagreiras. Inventam jeitos de transformar o quase nada em algumas coisas.
Estudiosas e estudiosos da cultura de gênero ressaltam o quanto o machismo empurra as mulheres para assumirem totalmente as responsabilidades da sobrevivência. Em condições de pobreza severa, muitos homens costumam pular fora. Ou vão para os bares torrar o pouco dinheiro em cerveja e partidas de sinuca, ou mudam de endereço abandonando mulheres e filhos.
Sandra dos Reis, beneficiária do Bolsa Família, lamenta: "Eu estava esperando o quarto filho quando meu companheiro 'pedalou'. Sumiu nesse mundão de Deus."
Outro fenômeno correlato e de grande impacto é o aumento de mulheres chefes de família. Segundo a Síntese de Indicadores Sociais de 2008, divulgada pelo IBGE, 34,9% das famílias brasileiras são chefiadas por mulheres. Sendo que a mulher é a pessoa de referência em mais da metade dos lares.
Ilda Ferreira da Silva, trabalhadora doméstica, não se surpreende com as estatísticas: "Sustentei meus dois filhos trabalhando sempre. Mesmo quando meu companheiro morava comigo, eu era o esteio de todos. Sou mãe e pai ao mesmo tempo. Sou a mulher e o homem da casa."
Explicar as causas do crescimento das mulheres na posição de provedoras principais não caberia em uma tese, mas em muitas. A educadora popular Bia Cannabrava, uma das fundadoras da Rede Mulher de Educação, chama a atenção para os ativos das mulheres, isto é, seus recursos interiores.
Plasmados em condições de dificuldade, elas os utilizam para minimizar os imensos obstáculos econômicos, sociais, educacionais, culturais. "Mas não só isso, as mulheres têm ativos para seguir em frente e propor formas criativas de superação", a educadora ressalta.
As feministas apontam que, nessa dinâmica, as mulheres se sobrecarregam ainda mais. Assumem papéis duplicados. Fiscalizam o que tem na panela e o que tem no caderno dos filhos. Trabalham dentro e fora da casa. O tempo e a energia para investir em si mesmas fica reduzidíssimo. Essa é a realidade para milhões de mulheres no planeta.
Mas o envolvimento das mulheres na roda do dinheiro não aparece apenas em situações de pobreza e de extrema pobreza. O empreendedorismo delas não está só ligado à necessidade de sobrevivência própria e da prole. Ele aparece associado ao desejo de melhorar os padrões de vida e de satisfação profissional. As mulheres estão taxiando na pista da economia de mercado.
O consultor de políticas públicas do Instituto Brasileiro de Excelência em Liderança e Gestão (Ibelg), Silvério Crestana, informa: "A partir de 2007, a capacidade empreendedora das brasileiras superou a dos homens. A cada 100 empresas criadas no país, 52 são dirigidas por mulheres."
Ele acrescenta que elas já são maioria no comércio varejista de vestiários e complementos, bem como capitaneiam as pequenas fábricas de alimentos e confecções.
A outra boa notícia é que no mundo das redes, no qual as relações são cada vez mais entrelaçadas e fluidas, as mulheres levam vantagem porque de tecer fios sempre entenderam. Também tomam a dianteira em outra habilidade muito requisitada: a capacidade multitarefa. Afinal, fazer várias coisas ao mesmo tempo é algo que estão acostumadas desde tempos imemoriais.
Mas, apesar dos números promissores, ainda falta um bocado para as mulheres decolarem e ganharem altitude no grande capital. Falta melhorar a divisão do trabalho doméstico e do cuidado com os familiares. Falta, principalmente, aprender com os homens como se atarefar menos para negociar mais.

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