21 de setembro – Dia nacional da luta das pessoas portadoras de deficiência


Depois de ter como membros de minha igreja pessoas portadoras de limitações físicas, tenho que dizer o milagre que se operou em minha vida. Como aquele homem curado por Jesus, eu era cega e agora vejo (João 9.25). É interessante que Jesus certa vez disse aos fariseus que o problema deles era enxergar (João 9.41). De fato, quando achamos que vemos, nos tornamos arrogantes, autossuficientes e, portanto, sujeitos ao pecado.
Mas agora que meus olhos foram abertos, eu consigo ver a dificuldade que os degraus representam para a cadeirante que vem à minha igreja. Consigo perceber que o tapete tão bonito, colocado à porta, é um risco para o irmão que usa muletas para se locomover. Percebo que não podemos ficar mudando os móveis de lugar sem prévio aviso na igreja, pois aquele irmão que não enxerga terá dificuldades para mover-se com liberdade. Agora que vejo, posso perceber que urgência existe em construir um novo salão social, pois aquele no terceiro andar do prédio não dá acesso ao grande número de idosos que frequentam nossa igreja e que têm tanto direito a participar das festividades, dos “comes e bebes” quanto os jovens.
Ter os olhos abertos é uma grande responsabilidade. Já que vejo, não posso ignorar. Tenho de fazer algo a respeito, pois, caso contrário, “subsiste o meu pecado” (João 9.41). Tenho receio de ser como os fariseus, tendo uma aparência de religião mas o coração insensível para celebrar os milagres que acontecem ao meu redor. Milagres que vejo na vida dessas pessoas que superam seus limites para servir a Deus, enquanto eu reclamo dos pequenos obstáculos que se apresentam diante de mim.
Ter os olhos abertos é também um desafio. Pois ao meu redor existem outros que não veem, para os quais aquilo que eu enxergo não é importante. Eles tateiam por projetos fabulosos e se esquecem das pessoas. Eles andam correndo e deixam os pequeninos para trás. Eles favorecem o show e esquecem a instrução. Se depender desses, que ainda não enxergam, as pessoas portadoras de deficiências jamais terão acesso sequer ao templo, às atividades ou celebrações.
Hoje é um dia para refletir sobre os espaços que elas ocupam e, quem sabe, pedir a Deus que faça os verdadeiros coxos (aqueles que ficam emperrados na missão) andarem; os verdadeiros cegos (aqueles que não enxergam o próximo e suas carências) verem; os verdadeiros aprisionados (aqueles que estão nas grades do legalismo) serem libertos e os verdadeiros mudos (aqueles que sabem do mal e não o denunciam) falarem. Sim, este seria o milagre de que verdadeiramente estamos precisando... (H.B.T.)
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Senhor, que Teu povo se sensibilize para as demandas não apenas da alma ou dos interesses, mas também dos corpos das pessoas, em suas necessidades mais elementares de acolhida e acesso, tanto a Ti quanto aos nossos corações. Amém.

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