Por uma espiritualidade saudável na família


Tendo sido convidada a refletir, numa semana de estudos em torno da família, proporcionada pelo Colégio Soberano, sobre o difícil tema da espiritualidade, cabe, inicialmente, estabelecer alguns marcos pelos quais nortearei minha palestra, procurando, de modo muito claro e transparente, expor dois pontos que poderão nos auxiliar neste tópico.

O primeiro é que, como é sabido de muitos, sou uma pastora metodista, o que, de imediato, insere totalmente minha reflexão num ponto de vista cristão-protestante. Embora aqui eu esteja me dirigindo a pessoas de muitas experiências religiosas distintas e até mesmo de nenhuma experiência religiosa, é importante ser honesta neste ponto.
O segundo é que o conceito de espiritualidade pode e, certamente muitas vezes, está ligado a uma experiência religiosa, mas esta questão vai além da mera adesão a uma fé dogmática. Ela parte, e nisso a maioria das religiões concorda, de uma necessidade que se pode entender como inerente ao ser humano. Isto é, há algo em nós, em nossa busca pelo próprio sentido da vida, que nos impele a pensar além do momento presente e além de nós mesmos. Se a resposta a esta demanda nos é dada por meio da experiência religiosa, isto é bom e pode nos trazer um senso de pertença, de realização. Ainda assim, trata-se de uma busca pela vida inteira, estaremos sempre a caminho, querendo expandir mais e mais nossos horizontes de espiritualidade.
A partir dessas premissas, quero acrescentar que, desde meu ponto de vista, a espiritualidade saudável possui alguns aspectos característicos. Nisso eu também me apoio em muita gente boa que escreve maravilhosamente sobre este tema.
Em primeiro lugar, ela começa dentro de casa. O escritor Ron Hutchcraft escreveu, num livro chamado “Five needs your child have met at home” (Cinco necessidades que sua criança deve encontrar  em casa): “Na verdade, a realidade espiritual de que a criança necessita começa no coração dos pais. A estratégia “mamãe e papai primeiro” é que dá início à realidade espiritual, de acordo com a Bíblia. Você não pode dar o que você não tem e não pode guiar  uma criança a um lugar onde você nunca esteve . A realidade espiritual que toda criança precisa encontrar em casa é, antes de tudo, um relacionamento e não uma religião.”
Em segundo lugar, a espiritualidade tem a ver com maravilhamento: as crianças se maravilham com facilidade, pois seu mundo tem milhares de coisas que acontecem pela primeira vez. O encanto da vida precisa encher nossos olhos. Mas nossas agendas estão cheias de nossos compromissos. Nossos olhos se esvaziam das belezas, nossos corações se esvaziam de emoções alegres, nossa vida se esvazia de sentido... E nós nos ressecamos por completo. A Bíblia, por exemplo, é cheia de descrições vívidas do céu, da noite, do dia, das danças, do riso. O livro de Cantares é uma descrição vívida do corpo humano, das suas belezas e prazeres. O livro de Salmos é uma coletânea de emoções. Os poetas, as crianças, os músicos são pessoas prontas a encantar-se com cores, gestos e sons. Mas os adultos, em geral,  não sabem se maravilhar. Rubem Alves, num de seus textos, declara, a respeito da necessidade do maravilhamento, que crer em Deus é abrir-se para a beleza, que logo se  vai e deixa a saudade. Por isso, para ele, Deus é o vazio. E ele explica, em suas próprias palavras: “Pois isso a que nos referimos pelo nome de Deus é assim mesmo: um grande, enorme Vazio, que contém toda a Beleza do universo. Se o vaso não fosse vazio, nele não se plantariam as flores. Se o copo não fosse vazio, com ele não se beberia água. Se a boca não fosse vazia, com ela não se comeria o fruto. Se o útero não fosse vazio, nele não cresceria a vida. Se o céu não fosse vazio, nele não voariam os pássaros, nem as nuvens, nem as pipas...
E assim, me atrevendo a usar a ontologia de Riobaldo, eu posso dizer que Deus tem de existir. Tem Beleza demais no universo, e Beleza não pode ser perdida. E Deus é esse Vazio sem fim, gamela infinita, que pelo universo vai colhendo e ajuntando toda a Beleza que há, garantindo que nada se perderá, dizendo que tudo o que se amou e se perdeu haverá de voltar, se repetirá de novo. Deus existe para tranquilizar a saudade.
Posso então responder à pergunta que me fizeram. É claro que acredito em Deus, do jeito como acredito nas cores do crepúsculo, do jeito como acredito no perfume da murta, do jeito como acredito na beleza da sonata, do jeito como acredito na alegria da criança que brinca, do jeito como acredito na beleza do olhar que me contempla em silêncio. Tudo tão frágil, tão inexistente, mas me faz chorar. E se me faz chorar, é sagrado. É um pedaço de Deus...”
Por isso, em terceiro lugar, quero afirmar que a espiritualidade requer tempo, como um jardim, para ser cultivada. Não existe espiritualidade fast-food, assim como não existe um grande amor a jato ou uma biografia completa em duas linhas. Talvez, sabedor disso, o autor do livro de Gênesis diz que Deus criou o mundo em sete dias, para admirar cada coisa a seu tempo e depois, tendo visto tudo e visto que era bom, descansar e apreciar a vista... Sem querer entrar no mérito criacionista ou evolucionista, próprio da Ciência, quero apreciar a beleza da poesia bíblica e convidar você a pensar nisso, na maravilha do relato. Você já reparou que, depois de ter feito tudo, Deus vinha passear no jardim, todos os dias, ao lado de Adão e Eva? Pois é... se tiver Bíblia em casa, veja lá e confira. Deus tem sempre tempo para apreciar as belezas. E se ele, como criador, faz isso, porque nós, meras criaturas, queremos correr mais do que o tempo?
Pensando nisso, eu escolhi uma canção popular para trocar com vocês umas ideias sobre espiritualidade. Como cristã, fica muito difícil dissociar espiritualidade de Deus, mas vou deixar a você a liberdade de definir isso dentro do seu coração. Se de nada servirem as referências, celebre comigo esta poesia, sinta a música, relaxe a agenda e escute um pouquinho... Acho que vai valer a pena. Contemplar a vida, por si só, é um prazer e um privilégio que só os seres humanos podem usufruir.
Se eu quiser falar com Deus
Se eu quiser falar com Deus, de Gilberto Gil, é um clássico da música popular brasileira, escrita em 1980, segundo o próprio autor, a pedido de Roberto Carlos, que terminou por recusar a obra por não compartilhar da mesma ideia de Gil sobre Deus. O poema possui 36 versos, nos quais o autor enumera uma série de ritos ou atitudes que deve tomar para conseguir acesso a Deus. Esses ritos ou atitudes são apresentados em caráter de exigência, dado pela expressão “Tenho que”, que implica necessidade, diretivas, postulados (e não sugestões ou possibilidades). Sinalizam algo que deve realmente ser feito, sob o risco de não conseguir falar com Deus. Por outro lado, Gil não apresenta a origem dessa exigência (Vem dele mesmo? Vem de Deus? Vem de uma religião estabelecida?), deixando-a subentendida ou a critério do leitor da letra ou ouvinte da melodia.
Eu vou entender isso como uma necessidade de exercer a espiritualidade. Talvez seja por isso que ele não aponta a resposta divina em nenhum momento. Todos os ritos pontuados são para que ele possa falar com Deus, dando a ideia de obtenção de acesso, não necessariamente de favores ou um retorno divino. Também não apresenta o conteúdo de sua fala (um pedido, um agradecimento, uma intercessão), senão a necessidade mesma de falar: uma fala que sinaliza acesso, estar diante de, encontrar-se com.
A fé na existência divina está posta – ele não a questiona. Ela está dada de si mesma na forma como a música é construída. Mas os ritos dos quais se utiliza não podem ser diretamente encontrados numa dada religião, nem parecem diretamente vinculados a um culto religioso. São mais atitudes de postura em relação à vida, o que leva alguns críticos a considerarem que se trata de um texto filosófico, não religioso, no sentido estrito do termo.
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz

“Ficar a sós, apagar a luz e calar a voz” indicam uma negação de si mesmo. Fico pensando que Gil, como cantor, frequentemente está diante de plateias, sob a luz de holofotes e à espera de que sua voz seja ouvida. Para falar com Deus, a contradição é estar em silêncio e fora do foco principal. Frequentemente, nós achamos que devemos ser o centro de todas as coisas. Somos seres egoístas e egocêntricos. Uma espiritualidade saudável passa pelo resgate da capacidade de ouvir. Ouvir os sons da natureza, ouvir os sentimentos que emanam das queixas de nossos filhos, de nossas esposas e maridos, de nossos amigos, ouvir as necessidades de nosso próprio coração. É por aí, entre outros caminhos, que a voz de Deus ecoa na história e na vida de cada um de nós. É preciso calar. Eu gosto da impressão que me dá quando entro numa igreja muito antiga. De abóbodas altas, de semipenumbra... as igrejas antigas conseguem fazer a gente sair do tempo presente e entrar  noutro ritmo. A gente se assenta, cala e ouve... As igrejas modernas muitas vezes parecem shopping centers iluminados, movimentados, apressados. Sermões e homilias fastfood, coisa corrida. Em igreja antiga, parece que o próprio lugar é o sermão... Mas também pode ser um jardim, uma biblioteca, um cantinho tranquilo da casa, uma caminhada no horto... Onde é que você pode sair de si mesmo e encontrar-se com o silêncio no qual seu coração pode ouvir a voz mais íntima? É aí que vai residir o cerne de uma espiritualidade de calma, que vai combater a violência e a ferocidade que nos cerca todos os dias. Tem gente que não consegue estar com sua família porque, em primeiro lugar, não consegue estar consigo mesmo. Não consegue ouvir a si mesmo, como vai ouvir os demais? Como vai ouvir Deus? Temos de sair do palco da nossa vida e cultivar o maravilhamento de observar, da plateia, a beleza das coisas que nos cercam...
Citando novamente Rubem Alves, “Espiritual é o jardineiro que planta o jardim, o pintor que pinta o quadro, o cozinheiro que faz a comida, o arquiteto que faz a casa, o casal que gera um filho, o poeta que escreve o poema, o marceneiro que faz a cadeira. A criatividade deseja tornar-se sensível. E quando isso acontece, eis a beleza!” Mas eu só verei a beleza, se me calar, sair do centro e observar...
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus
“Encontrar a paz, folgar os nós dos sapatos, da gravata, dos desejos, dos receios” evocam a imagem do homem de negócios, preocupado e ansioso, sufocado pelos compromissos. Essa ideia é reforçada pelos versos seguintes: “esquecer a data, perder a conta, ter mãos vazias, alma e corpo nus”. Pensando neste verso da canção, eu gostaria de  afirmar que a  espiritualidade saudável cultiva valores que não se pode comprar.
Diante do consumismo dessa sociedade capitalista, seria necessário abrir mão dos valores que determinam o poder e a expressão social: ter a agenda lotada, a conta bancária polpuda, ostentar joias nas mãos e roupas de marca no corpo. Mas, às vezes, só diante da fatalidade, da perda, a gente percebe que trocaria tudo o que tem por mais um dia com a pessoa amada, uma hora a mais de felicidade, um momento a mais pra um olhar verdadeiro. Quando nossos filhos são pequenos, a gente costuma se deslumbrar com tudo o que eles fazem e valorizamos suas conquistas. Quando eles crescem, deixamos de elogiar, de observar...  Quando erram, vamos com tudo pra cima. Ou desculpamos seus erros com nossa omissão silenciosa...
Temos de afrouxar o nó: temos de sair do sufoco imposto pelo tempo, pelo relógio. Temos de mudar a agenda antes que o inevitável faça isso por nós. Foi o que aconteceu a um executivo de sucesso que descobriu, quando alcançara o ponto máximo de sua carreira, que tinha apenas três meses de vida. O curto prazo foi dado em maio de 2005 a Eugene O´Kelly, então presidente de uma das maiores empresas de consultoria do mundo, a KPMG.   Lendo uma matéria sobre este assunto, descobrimos que “Demitir-se do emprego foi a decisão mais difícil para um executivo que se dedicou ao máximo ao trabalho durante 33 anos. Uma atitude inevitável para quem deu menos importância do que devia à família e aos amigos e precisava compensar o tempo perdido. Atrás de momentos felizes, despediu-se de centenas de pessoas com as quais teve contato e se aproximou dos parentes. Seu objetivo, conta sem pudores, era ‘desanuviar os relacionamentos’. (...) Aos 53 anos, a notícia do fim próximo também serviu para o executivo rever toda a vida. Descobriu que poderia ter acompanhado melhor o crescimento das filhas e convivido mais com a esposa. Pessoas que, por causa do trabalho, se alimentam mal, não se cuidam, viajam mas não conhecem de fato os lugares, vivem ligados nos e-mails e nas chamadas do celular vão se identificar profundamente com o relato de Claro como o dia (livro escrito pelo executivo assim que soube do diagnóstico). "Se você tem 50 anos e planeja pensar na morte aos 55, antecipe-se. Se tem 30 e planeja pensar na morte daqui a 20 anos, antecipe-se", aconselha o autor. Os últimos três meses de O´Kelly foram repletos de encontros com ex-colegas de trabalho, antigos amigos e parentes. Momentos felizes foram passados numa casa de campo à beira do Lago Tahoe, na Califórnia, ou aproveitando o melhor de Nova York, com idas a museus, caminhadas no Central Park e almoços e jantares em bons restaurantes.” (http://www.miradaglobal.com). É só assim que podemos fazer estas coisas? Será que não podemos afrouxar o nó da gravata e da agenda enquanto ainda respiramos?

Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração
Mas a canção de Gil também nos lembra que espiritualidade tem a ver com sofrimento. E isso não se deve ao fato de pagar penitência ou que o sofrimento pode elevar o espírito. Tudo isso é besteira... O sofrimento tem a ver com a espiritualidade exatamente porque ele é uma experiência humana. As dificuldades devem servir para nos humanizar, para nos levar a compreender os limites do próximo, para nos lembrar de nossa finitude e nos levar à solidariedade, a negar o isolamento e o egoísmo. As sociedades antigas e muitas das sociedades primitivas davam ao ato de morrer, por exemplo, um lugar especial em seus rituais. As pessoas morriam, por exemplo, em casa, cercada de familiares, num ambiente de acolhida. Hoje, a maioria de nós morre sozinho, num hospital, entre estranhos e tubos.
Apesar da verdade existente – a depressão crônica, o esgotamento nervoso e outros – muita gente toma remédios não porque está doente, mas para apagar a dor e não enfrentar o sofrimento. O resultado é a alienação, o isolamento, a falta de afetividade. Não seria esta uma expressão da falta de impunidade que vemos em nossa sociedade? Um filho não pensa no sofrimento de sua mãe e não se coloca jamais no lugar do outro a quem ataca e assassina friamente?
Encarar o sofrimento é descer de nosso próprio pedestal de autossuficiência, colocar-nos numa posição mais realista. Isso pode ser depreendido dos versos em que ele fala sobre lamber o chão dos castelos e palácios de seus próprios sonhos – isto é, reconhecer que seus projetos pessoais são ilusórios. O ser humano tende à autoglorificação, mas achar-se “triste”, “medonho” e apesar do “mal tamanho” em sua existência, encontrar motivos de alegria é o caminho apontado pelo autor para falar com Deus.
Um filósofo chamado Kierkegaard afirmou, certa vez, que existe uma angústia existencial no ser humano, uma dor e um sofrimento que consistem no fato de que somos incompletos. Aceitar esta incompletude e viver o sofrimento interior como um impulso para buscar a completude, abstraindo-se de si mesmo e buscando a Deus era, para ele, um caminho para exercitar a fé. Não é um sofrimento de penitência, ou sem razão. É uma consciência de que a humanidade “sente” e porque “sente”, ela “sofre”, mas ao sofrer é que ela se completa, posto que se aproxima do outro e do transcendente. Ao direcionarmos nosso sofrimento à compreensão de nós mesmos e do outro, nós nos humanizamos. Quando deixamos de nos compadecer da dor do outro, nos afastamos de nossa humanidade. Quando deixamos de confessar nossa fragilidade, negamos a fragilidade do outro, negamos-lhe o direito de sofrer, de ser gente.
Temos de resgatar este sentimento em nossa família. Temos de perceber nossa necessidade de encontro, de partilha, de afeto, antes que somente o sofrimento insuperável nos uma. O resultado deste tipo de desencontro é o remorso, o arrependimento, o buraco sem fundo da alma... Aprender a dizer e a ouvir não, a reconhecer a importância dos limites, a não achar que podemos ter tudo o que queremos, a dar valor às pequenas coisas... este é um desafio fundamental de espiritualidade saudável nas famílias que hoje que vivem seus relacionamentos por meio das coisas, dos presentes, dos bens, das trocas...
A espiritualidade saudável é um exercício de fé que se dá no caminho da vida
Gilberto Gil, na estrofe final, apresenta uma definição poética da fé sem o declarar abertamente. Ele chama o falar com Deus de “aventura”, “subir ao céu sem cordas” – uma memória do filósofo Kierkegaard, que define “a fé como salto no escuro”? Difícil afirmar, mas que parece, parece! “Dar as costas” evoca a imagem do abandono do mundo, outra idéia bastante presente no Cristianismo. “Caminhar decidido pela estrada” também é uma forma de ilustrar uma opção consciente, se bem que não no sentido de conversão, porque aqui o autor deixa transparecer uma idéia própria de Deus, uma ideia que, de antemão, ele mesmo reconhece poder “dar em nada do que pensava encontrar”. Ele deixa aqui uma porta aberta e talvez a única ideia da resposta divina presente na letra: ‘Eu posso falar com Deus e pode ser que o que eu receba de volta não seja nada do que eu espero’. A espiritualidade saudável se dá pela possibilidade do novo. Não se enclausura o maravilhamento. Ele é experimentado, renovado, vivido diariamente. Podemos falar muito sobre Deus, mas devemos admitir que sabemos muito pouco. Se tão somente experimentarmos mais, vivemos mais, amarmos mais, relacionarmo-nos mais uns com os outros, então teremos uma experiência saudável de Deus. Há muita gente vivendo com medo de Deus, ocultando seus dramas numa religiosidade de aparência, pronta dar tudo do outro como errado... Pensa muito, diz muito, argumenta muito, mas sente pouco. Gosto da definição divina de que Deus é amor – muita gente gosta de enfatizar o poder, a autoridade, a autossuficiência, mas o evangelista enfatiza  que a essência de Deus é amor. Isso porque, no fundo, no fundo, nossa necessidade maior do que todas neste mundo não é de conhecimento ou sabedoria, conquanto isso seja desejável. Nossa realização maior como seres humanos se dá, simplesmente, quando somos aceitos, acolhidos, amados, postos em segurança em relação ao afeto de quem nos é importante. Não há dinheiro no mundo, nem terapia no mundo, que possa prover alguém disso...
A espiritualidade saudável é a experiência de Deus no cotidiano da vida. Ter tempo para tocar, cheirar, ouvir, saborear, ver... Este é um caminho que não está pronto e por isso pode dar em algo que nunca imaginamos. Temos de ter a coragem de percorrer o caminho, com olhos e corações abertos, para ter a experiência de estar vivos enquanto vivermos. Para falar com Deus, é preciso estar com Ele. E Deus está na vida humana, aqui mesmo, bem perto. Não fosse assim, o maior dogma do Cristianismo não seria a encarnação. Quanto mais humanos nos tornamos, mais nos aproximamos de Deus, porque nos aproximamos do outro, da outra, porque vivemos mais com o coração.

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