Priscila, Áquila e Apolo: mentoreamento e aprimoramento de liderança

Atos 18.18-28

Investir no dom do irmão
Há muitas teorias acerca da liderança e pelo menos duas posturas: uma diz que a pessoa que é líder nasce com este dom. A outra diz que se pode aprender a ser líder. Particularmente, prefiro acreditar que toda pessoa pode ser uma liderança, pois ser líder, no aspecto mais bíblico possível, é exercer influência por meio de sua vida e levar outras pessoas a seguirem você. Esta é uma capacidade que pode ser aprendida, por meio da vivência da palavra de Deus e da comunhão na comunidade de fé.
Não conhecemos nenhuma pregação de Priscila e não há registros de nenhum escrito de Áquila. Mas, apesar de sua discrição, este casal tem um peso de influência enorme na história da Igreja. Estão associados ao ministério de Paulo e também aparecem no livro de Atos, em diversas referências, como líderes do povo de Deus. No estudo de hoje, veremos sua atuação particular na vida de Apolo, um famoso pregador do Novo Testamento.

Quem foram Priscila e Áquila?
Eles aparecem pela primeira vez em Atos 18. Ali, no verso 2, temos a informação de que Áquila era natural do Ponto. Segundo a Wikipédia, era uma província romana, mais tarde chamada de Bitínia e ficava ao norte da Ásia Menor, ao longo do Mar Euxino ou Mar Negro. Ali, o clima é quente no verão e moderado no inverno. Há muitos vales pluviais, onde se cultivavam cereais. As encostas dos montes eram cobertas de florestas, e produziam madeira para a fabricação de navios. Portanto, ele era proveniente de uma região bastante fértil. Ali também a fé judaica e, posteriormente, cristã, encontrava bastante seguidores. Ainda segundo o site de pesquisas, Filo, escritor judeu do século I d.C., informa em seus escritos que os judeus se haviam espalhado a toda parte do Ponto. Em Atos 2.9, temos a presença de judeus desta região na festa do Pentecostes e, a Epístola de Pedro se dirige, mais tarde, aos "residentes temporários espalhados por Ponto", e outras partes da Ásia Menor (1 Pedro 1.1).
Ele se encontra com Paulo num momento em que estava voltando da Itália, passando a residir em Corinto. Não sabemos, portanto, qual é o lugar geográfico de sua conversão, mas ele, como judeu, entendeu a mensagem de Cristo e, juntamente com sua mulher, passa a apoiar o ministério de Paulo. Eles chegam a viajar juntos (At 18.26) e Paulo lhes dirige saudações na carta aos Romanos (Rm 16.3) e depois informa que havia uma igreja na casa deles (1 Co 16.19). Em 2 Timóteo 4.19, Priscila aparece sendo chamada pelo diminutivo Prisca, e novamente Paulo envia suas saudações ao casal. Isso nos mostra o nível de companheirismo que desenvolveram no ministério cristão.

O casal e Apolo
Enquanto estavam em Éfeso, após terem acompanhado Paulo em sua viagem, Priscila e Áquila se deparam com um jovem pregador, muito ousado, chamado Apolo. Ele parece ter sido alguém de tanto carisma, que, no passado, ao se debater sobre a autoria do enigmático livro de Hebreus, se chegou a cogitar que ele fosse o escritor! Ele era judeu, portanto, conhecedor tanto da Lei quanto das promessas sobre o Messias. E, sendo natural de Alexandria, uma cidade famosa por seus sábios e local onde se realizou a tradução da Bíblia Hebraica para o grego (a famosa Septuaginta), não é de se espantar que ele fosse bem articulado em seus discursos. Provavelmente, tenha ele estudado entre os melhores daquela localidade, assim como Paulo foi aluno de Gamaliel, um dos maiorais do farisaísmo de Jerusalém.
Apolo era um convertido ao Cristianismo e estava muito animado, querendo pregar a todas as pessoas a mensagem maravilhosa que tinha recebido. Porém, sua inexperiência não estava permitindo seu maior desenvolvimento. Percebendo isso, Priscila e Áquila resolvem mentoreá-lo.
O texto bíblico diz que eles “tomaram-no consigo”. Isso significa que passaram a exercer um discipulado pessoal, estando com ele em relacionamento, convivência, comunhão, de modo que ele pudesse aperfeiçoar seus dons e talentos com o que lhe faltava de conhecimento. Eles procuram fazê-lo de modo consistente, explicando “com exatidão o caminho de Deus” (At 18.26). Este casal nos mostra a importância do mentoreamento exercido por cristãos mais experientes, a fim de permitir aos mais novos na fé explorar o potencial máximo de seus dons e talentos no meio da comunidade.

Resultados do mentoreamento de Priscila e Áquila
Os frutos da intervenção amorosa de Priscila e Áquila são evidentes. Podemos listar alguns deles, apesar de não haver muitas referências diretas a Apolo no Novo Testamento:
a)      Liderança reconhecida: Apolo torna-se um pilar na igreja de Corinto e uma influência tão poderosa que está no mesmo nível de Pedro e Paulo em termos de pessoas sob sua liderança (mesmo que isso, infelizmente, ocasionasse a que alguns quisessem exercer partidarismos: uns dizem que são de Pedro, outros, de Apolo, outros de Paulo... 1 Coríntios 1.12).
b)      Frutos partilhados: O próprio Paulo partilha da sua liderança com Apolo, reconhecendo sua importante participação no processo de consolidação da igreja, ao afirmar que havia plantado a Igreja, mas quem a havia regado era Apolo, apesar de o crescimento ser de Deus (1Co 3.5-8).
c)       Envio: Não sabemos quanto tempo se passou entre o primeiro encontro entre os três irmãos em Cristo e seu processo de discipulado até o envio de Apolo por parte da Igreja em Éfeso. Mas o fato é que, quando Apolo foi para Acaia, ele foi com uma carta de recomendação, sinal evidente do reconhecimento de seu chamado e seu comissionamento por parte da comunidade em face dos frutos apresentados (At 18.27).

Conclusão
Priscila e Áquila nos demonstram a importância do mentoreamento para a consolidação dos novos convertidos e daqueles que, demonstrando algum dom, necessitam de apurá-lo, tendo mais segurança para avançar nos caminhos da missão. Este é o exemplo de um casal amoroso que acolheu um jovem e lhe proporcionou as condições para se tornar um líder de excelência.

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