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Mostrando postagens de Maio, 2008

Os retalhos, a agulha e a linha

"E, partindo dali, (Jeú) encontrou-se com Jonadabe, filho de Recabe, que lhe vinha ao encontro, ao qual saudou e lhe perguntou: O teu coração é sincero para comigo como o meu o é para contigo? Respondeu Jonadabe: É. Então, se é, disse Jeú, dá-me a tua mão". (2 Reis 10.15)

Alguém já disse que a vida é encontro. Nós somos quem somos por causa das pessoas que cruzaram nosso caminho, das lições que aprendemos com elas. Existe um filme, chamado Colcha de Retalhos, em que a atriz Winona Ryder representa uma jovem que está se decidindo a casar. Ela vai para a casa de suas tias e avó e ali, enquanto elas fazem uma colcha de retalhos, vão partilhando com ela as histórias da família, os valores, os sentimentos. A vida da personagem se mescla à costura, suas emoções são tecidas enquanto a agulha vai passando, unindo parte a parte. É um belo filme para a gente assistir no início de um relacionamento, para nos inspirar a ver o que é realmente importante e para ver o perigo das decisões er…

Falar e cantar as coisas de Deus (Salmo 40)

O Salmo 40 é um dos mais conhecidos e cantados salmos de nosso repertório judaico-cristão. Diversos grupos já musicaram suas palavras e muita gente gosta de recitá-lo quando passa por uma situação difícil. Ao receber a proposta da Revista para escrever a respeito da fala, imediatamente me lembrei deste texto, pela quantidade de vezes em que o salmista se refere à fala – mas de modo bem específico a fala a respeito de Deus e de suas maravilhas.
Um hino antigo dizia, em sua letra: “Falamos do mau tempo, do frio e do calor. Oh, bem melhor seria, falar do salvador! Irmãos, irmãos falemos do nosso salvador. Oremos ou cantemos, rendendo-lhe louvor”. De fato, nossa fala gira em torno de muitas coisas, a maioria delas dizendo respeito a nós mesmos. Mas o salmista proclama o que Deus fez em sua vida e desloca o eixo de seu discurso de si mesmo para o Senhor, libertador e restaurador.
Este salmo possui algumas peculiaridades redacionais que fazem com que alguns estudiosos vejam nele uma espécie d…

Deus, o criador e sustentador da vida (Salmo 104)

Gosto muito de poesia. Acho que a maioria das pessoas que, como eu, gostam de escrever e de ler, reconhece de imediato o valor da poesia, das rimas e metáforas usadas para descrever coisas que, de outra forma, não se poderiam mostrar tão belas. Quero dizer, a poesia parece ser um retrato em forma de palavras. Sua capacidade descritiva é capaz de encher nossos olhos de imagens que não estão ali. Com a vantagem de trazer os sentimentos, as sensações, os gostos, os cheiros... que uma simples foto não consegue mostrar.
É assim que me sinto quando leio o Salmo 104. Ele parece um desses dias claros de sol, depois de ter caído uma chuvinha à noite, quando a gente abre a janela e sente o ar friozinho da manhã. E a natureza parece ter se banhado, limpando suas cores. Para mim, o Salmo 104 deveria ser uma espécie de Salmo de ano-novo.
Digo isso por causa de uma perolazinha que ele traz, lá no versículo 30: “Quando sopras o teu fôlego, eles são criados, e renovas a face da terra”. Mas, antes de ch…