A lei é boa, eu é que não sou... Romanos 7.16-17


O apóstolo Paulo exalta a graça divina, entre outras coisas, como a capacidade divina dada ao ser humano, pela qual lhe é possível, pelos merecimentos de Cristo, alcançar a justificação. A justificação, como a palavra mesma indica, é estar “quites” com os aspectos legais em determinada circunstância. Quando, por exemplo, alguém não vota e justifica sua ausência às urnas, isso não a livra da responsabilidade anterior de ter votado, mas elimina a possibilidade de uma punição futura por sua ausência no dia da eleição.
A justificação significa que não escapamos à incapacidade de cumprir a Lei de Deus, mas que, face a essa impossibilidade, Cristo Se apresentou em nosso lugar e fez o que não podíamos fazer. Isso deve nos alegrar, como se estivéssemos presos e alguém pagasse a fiança impagável. Mas não deve nos deixar relaxados e preguiçosos quanto à necessidade permanente da obediência aos mandamentos de Deus. Como disse Paulo, não é porque recebemos a liberdade que podemos dar ocasião à carne. Se a graça é superabundante, é para vencer o pecado e não para dar vazão a ele.
Esta reflexão é importante porque vivemos dias em que a obediência é um valor em desuso. Todo mundo faz o que quer, inclusive em relação aos mandamentos de Deus. As pessoas mercadejam a graça e vendem bênçãos como se impunemente pudéssemos viver os desejos da nossa humanidade sem atentar contra a santidade divina.
O fato de alguém pagar a conta que eu não poderia pagar deve me alegrar e me deixar alerta para não ficar fazendo dívidas infinitamente. A graça me chama à maturidade, ao crescimento, ao compromisso, ao abandono da vida anterior. Significa que Deus me dá valor e eu devo fazer o mesmo em relação à vida de cada pessoa ao meu redor. Obedecer à lei continua sendo um mandamento divino. Jesus mesmo disse que veio para cumpri-la. A diferença agora é que, quando erro, posso pedir perdão, receber a justificação e prosseguir adiante, sem que a culpa ou o castigo fiquem pendentes sobre minha cabeça.
Com seriedade, devo assumir que um preço alto foi pago para que eu tivesse essa possibilidade. A lei é boa, eu não. Por isso, foi preciso alguém tão bom quanto a lei para cumpri-la, a fim de que eu, que não posso fazê-lo, adquira uma segunda chance aos olhos do juiz que, embora amoroso, continua sendo justo.

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Senhor, jamais permita que a graça seja barateada em meu viver por uma disposição interior ao pecado. Valorizo Teu sacrifício por mim enquanto me ponho obedientemente em Tuas mãos. Amém.

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