O furto

De mim podem ter furtado um objeto, mas deles roubaram a esperança.
Um coração roubado de esperança não sonha...
Objetos se recuperam; é difícil tirar segunda via de esperança.
É duro olhar nos olhos de uma mãe e ver vergonha,
Um sentimento de que falhou – quando falharam com ela
O mundo, o sistema, a vida, o companheiro que nada deixou
Senão suas marcas de egoísmo e ganância.

De mim podem ter furtado um objeto, mas deles roubaram os sonhos
E é por isso que eles pegam o que não lhes pertence
Porque o que era seu não está mais lá – a credulidade no mundo.
Cabeça de gente grande em corpo de gente pequena – paradoxo insuperável.
Nunca dá certo... gente pequena deve ser o mundo grande, como um parque de diversões,
Uma grande aventura...
Mas olhos de gente grande em gente pequena só vê o errado – e aprende o mal.

De mim podem ter furtado um objeto, mas deles roubaram a inocência.
E eu senti vergonha no alto de meus saltos, eles de pé no chão
Tendo de ouvir sermão em vez de contos de fadas...
Uma vez só eu queria este mundo possível aqui e agora...
Neste mundo que não quer Deus, mas não tem nada melhor para dar.
Que é arrogante e autossuficiente, mas não tem nada melhor para dar.
Que se acha tudo e não é nada, que não sabe dar, só cobrar...

De mim podem ter furtado um objeto, mas meu medo incerto
É que deles um dia vão roubar a existência
E vão dizer que eles mereceram, que são maus...
Mas a verdade nua e crua é esta:
De mim roubaram um objeto, deles roubaram a infância.
E há coisas que a gente dificilmente recupera.

Comentários

  1. Que lindo poema pastora, infelizmente inspirado em um acontecimento tão triste e lamentável!

    Que a graça do Senhor seja sobre estas pessoas das quais não roubaram objetos, mas sim a esperança, os sonhos, a inocência, a infância...

    Abraços!

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