Postagens

Mostrando postagens de Dezembro, 2012

Uma falsa felicidade

Imagem
O mundo pós-moderno nos presenteou com a ideia do eu. Antes dos iluminismos e humanismos, o eu não era um mundo à parte do nós. Na verdade, a necessidade de um "eu" me parece diretamente ligada à ideia de um mundo no qual estruturas maiores podem ser prescindidas. A gente vive bem sozinho. Nada de família, ou igreja, ou Estado para regular a ação entre pessoas. Com o advento da razão, seremos seres livres de quaisquer amarras, poderemos fazer o que quisermos e, em fazendo isso, seremos felizes e pacíficos.
O problema do pensamento iluminista é que ele desconsidera a imensa, inesgotável capacidade do ser humano de ser baixo, chulo e egoísta. Se ninguém nos despertar para a ideia da coletividade, estaremos sempre com os olhos no próprio umbigo que, meu Deus!, é grande e profundo. Podemos nos perder em nós mesmos.
E aí está a grande revolução perdida do Cristianismo. Ele cedeu sempre aos pensamentos dominantes de seu tempo. Aliou-se aos impérios porque isso é o que todo mundo f…

Deixe para amanhã.

Tem gente que diz que não se pode deixar para amanhã. Que tudo tem que ser hoje. Mas há coisas que se pode deixar para amanhã. A raiva por exemplo. Para que estragar este dia de hoje, tão bonito, ficando irritado com o trânsito? Olhe pela janela... deixe a raiva para amanhã. A mágoa que nos impede de perceber que aquele alguém pode ser roubado de nós de um momento pode esperar até amanhã. Dor não, que se dor não se guarda. Nem alegria. São dois itens de consumo imediato: logo estragam, ocasionando graves problemas... A dor tem que sarar, a alegria tem que rir. Então, mesmo que cura completa só venha amanhã, hoje eu ponho remédio, hoje espero na esperança. Hoje rio, dou gargalhada. Hoje espero. Lágrimas não se guardam. Nem sorrisos. Nem abraços. Não se deve deixar para amanhã o que se pode resolver hoje. Mas não dá para resolver tudo hoje. Existem coisas grandes demais para caber no hoje. Coisas a ruminar. Lidar com elas no hoje é aumentar seu poder destrutivo. Deixem-nas repousar por…