quinta-feira, 2 de março de 2017

Ministério pastoral: especial e essencial


Ser pastor e pastora é uma alegria, um privilégio e um desafio. A Igreja Metodista diz que para ser exercido ele requer vocação e reconhecimento. Vamos saber mais sobre isso à luz da Palavra e dos documentos da Igreja.

“O pastorado é um dentre os ministérios da Igreja. É uma instituição apostólica que consagra e ordena pessoas vocacionadas e reconhecidas pela Igreja. Esse ministério, desde o Novo Testamento, passando pela Reforma até hoje, está voltado para a unidade do corpo de Cristo, para a correta ministração dos sacramentos, para o zelo na pregação da palavra. além de outras tarefas pastorais”. É assim que o Colégio Episcopal da Igreja Metodista definiu, na carta Dons e ministérios, espiritualidade e serviço, publicada em 1997, na página 20, como entende o ministério ordenado.
Homens e mulheres são chamados por Deus para perto de si. Todos eles e todas elas são convidados igualmente à salvação e ao serviço. Porém, cada pessoa é enviada ao serviço de Deus conforme o dom que recebeu e que desenvolve. A diferença entre as pessoas, portanto, não é quem é superior ou inferior, mas o tipo de serviço a que cada uma é enviada.
O pastor ou pastora que quer exercer bem o seu chamado deve compreender que existem dois critérios básicos para exercer seu dom, de acordo com a orientação da Igreja, inspirada nas Escrituras: vocação e reconhecimento.

A vocação
A vocação é mais do que aquele desejo pessoal que expressamos: “Eu sinto que Deus está me chamando para o ministério”. Já fui convencida de que na verdade, recebemos um envio, não um chamado.
O chamado é para estar com o Senhor, o envio é nosso serviço ao mundo. Estou mudando minha linguagem de: “Eu tenho um chamado” para “Eu recebi um envio”. Isso me faz pensar que não tenho exclusividade ou posse do ministério pastoral. Antes, ele é uma concessão de Deus para mim, uma oportunidade recebida para cuidar de pessoas. Se eu não estou com o Senhor (chamado) então não exercerei bem o serviço (envio). Há uma mutualidade aí que não podemos negar.
A vocação é fruto dessa relação com Deus. Em Isaías 6, vemos que é da relação e do encantamento do profeta com Deus, seu preenchimento pela presença divina, que o faz ouvir a voz de Deus: a quem enviarei? E então ele consegue responder: “Eis-me aqui, envia-me a mim”.
Temos de reconhecer que muitas vezes estamos sob o encanto da instituição, do título, da oportunidade de estar à frente de alguma coisa e não sob o maravilhamento da presença de Deus que nos evoca ao serviço. Por isso é que depois de algum tempo, podemos encontrar frustração e aborrecimento ao invés de plenitude. Porque os títulos não sustentam o envio. O dinheiro não sustenta o envio (não mesmo!). Nosso ego não sustenta o envio. O que sustenta o envio é o chamado: “Eu te escolhi, eu te designei para que você vá e dê muitos frutos”. Quando a comunidade vê os frutos, ela reconhece a vocação.

O reconhecimento
O reconhecimento confirma a vocação, porque o pastorado não é uma tarefa de um só. E ele também não acontece só quando a Igreja nos envia para o seminário ou para qualquer tipo de formação específica.
O reconhecimento precisa acontecer a cada momento, para que possamos nos manter no foco ministerial. Ele passa pelos critérios de avaliação da igreja, passa pelos concílios locais, distritais e regionais. Tem a ver com a nossa eleição ou indicação para cargos e funções outras, nos níveis de representação da igreja. Mas compreenda: essas coisas são não a essência do reconhecimento do ministério pastoral que exercemos! A Bíblia diz que nossos frutos são nossa credencial de reconhecimento.
Um pastor ou pastora precisa sempre manter o foco de sua tarefa: precisamos manter o corpo unido. Um pastor ou pastora que age mediante partidarismos frutos de seu egocentrismo desintegra o corpo. Nossa vaidade pode ser nosso calcanhar de Aquiles. Temos de cuidar disso com seriedade! Outro ponto é que temos de ministrar corretamente os sacramentos. Isso tem a ver com o uso do ritual? Sim, mas vai além. Precisamos ajudar as pessoas a compreender a profundidade do batismo e da Ceia do Senhor na sua vida espiritual. O ensino deve ser constante e qualificado.
Também precisa haver zelo na pregação. João Wesley falava da seriedade nos estudos e na meditação para garantir profundidade na mensagem. Ênfase na necessidade do arrependimento e da justificação pela fé muito mais do que em bênçãos e vitórias.
E a gente ainda tem muitas outras tarefas pastorais. Ufa! Nem sempre o reconhecimento vem na hora. Mas a vocação sustenta essas fases. O chamado de Deus consola e conforta. E vamos de fé em fé!

2 comentários:

  1. Que texto lindo Bispa!Fiquei emocionada.Abraços

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  2. Excelente texto!! Exercer o pastorado é uma benção vivenciada em meio a flores e dores. É um privilégio, todavia, penso que deveria haver por parte da instituição um cuidado maior para quem cuida!! Mas, um dia chegaremos lá!! Estamos avançando.

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