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Mostrando postagens de Abril, 2015

Uma igreja digna do seu nome (Atos 11.19-26)

Certa vez, Alexandre, o Grande, conquistador da Grécia, julgou um jovem que havia abandonado o campo de batalha. Era um soldado novo, coitado, inexperiente... mas a acusação era grave. Então, o conquistador perguntou: Como é o seu nome, garoto? E o jovem respondeu: Alexandre, senhor! Então Alexandre ergueu-se e exclamou com o dedo em riste: “Então, mude seu proceder ou mude de nome!”. Um covarde não poderia ser chamado pelo mesmo nome do conquistador. O texto bíblico acima diz que, até então, os cristãos eram conhecidos como os “do Caminho”. Talvez em referência à frase de Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”. Mas agora, em Antioquia, há uma relação direta entre os seguidores e o mestre. Eles são chamados de cristãos... Eles faziam algumas coisas que os identificavam com Jesus. Que lições podemos aprender com Antioquia? Primeiro: Era uma igreja que não fazia julgamentos antecipados, mas acolhia as pessoas. Isso acontecia por uma série de eventos contidos nos capítulos 8 a 13 de…

Pentecostes: restabelecendo a comunicação

Entre os teólogos, há certo consenso de que Atos 2.1-11 marca o início da era cristã, pois se trata da sinalização do Reino de Deus pelo testemunho da Igreja. A partir desse evento, Deus atinge toda a humanidade, restabelecendo, assim, a comunicação que desejara ter com o ser humano, desde a criação. Por meio do Pentecostes, a raça humana é convidada a se tornar novamente parceira de Deus nesse anúncio, levando o Evangelho de Cristo a todos os confins da terra. Atos 2 nos faz lembrar Gênesis 11.1-9. De fato, são textos em paralelo. Suas mensagens são opostas, mas partilham contextos semelhantes. Em Gênesis, se narra que em toda a terra se falava apenas uma língua (11.1). Motivados pela fala comum, os povos se reúnem para construir uma torre, a fim de celebrizar seu nome e gerar fama (v.4), para dominar sobre outros povos. Têm na torre, “cujo topo chegasse ao céu”, a chave de seu poder. A intervenção de Deus acontece “para que um não entendesse o outro” (v.7). Para eles, a comunicação…

Uma coisa só

38 E aconteceu que, indo eles de caminho, entrou Jesus numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa; 39 E tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, assentando-se também aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra. 40 Marta, porém, andava distraída em muitos serviços; e, aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe que me ajude. 41 E respondendo Jesus, disse-lhe: Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária; 42 E Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada. (Lucas 10.38-42)
Certa mulher recebeu Jesus em casa. - Aceitamos a Jesus como salvador. Convidamo-nos a entrar em nossa vida. O que nos motiva a acolher alguém em nossa casa? O prazer da companhia, a alegria da amizade. Ninguém que é autenticamente hospitaleiro recebe outra pessoa por interesse, ou porque vai lucrar alguma coisa. Receber a Jesus não pode ser gesto de quem tem interesse mercantilista. Precisa ser ato de graça…

Reflexões sobre o ministério pastoral (o meu, diga-se!)

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O segundo domingo de abril é o dia do pastor e da pastora metodistas. Alguns e algumas de nós receberão homenagens, algum mimo e declarações de amor. Outros e outras estão lidando com conflitos em suas comunidades. Outros e outras tantos, desanimados. Alguns e algumas, aposentados, estarão fora dos holofotes.
Eu me lembro de que quando me formei no pré-teológico, nosso paraninfo foi o professor Clemir de Oliveira. Ele foi SD, pastor e professor em Belo Horizonte no distante ano de 1992 (1993?). Estava num momento de grande atuação no Vale do Aço. Ajudou muitíssimo a minha igreja em Itabira, pelo que o tenho sempre em grata e afável recordação... Ele escreveu um longo poema, no qual afirmava, várias vezes, "vale a pena ser pastor". E o declamou de modo esfuziante no dia de nossa formatura, na Igreja Metodista em Santa Tereza, Belo Horizonte. Não sei se ele ainda tem o tal poema. A frase me marcou. Outro momento igualmente marcante foi o encontro com um colega, cuja esposa me …

Ontem

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Ontem... hoje... (uma imaginação acerca das mulheres que foram ao túmulo de Jesus)
Ontem, eu vi Jesus Cristo pendurado na cruz. Vi seus olhos cerrados, seu lado ferido, suas mãos e pés transpassados. Vi a esperança morta nos olhos dos Seus discípulos, o desespero nas lágrimas das mulheres, a indiferença no rosto dos poderosos. Por um momento, parece até que vi o próprio inferno em festa na multidão que gritara: Crucifica-O! Crucifica-O! Ontem, quando olhei para o alto, eu vi o luto do céu. Às três horas da tarde, tudo escureceu porque os anjos não podiam contemplar a tamanha maldade humana. Deus fechou Seus olhos por um momento diante do último suspiro de Seu filho amado. As nuvens se escureceram como se uma grande tempestade fosse desabar em lágrimas da natureza sobre o próprio autor da vida, tomado pela morte. O sol se recusou a dar a sua luz, para que seus raios não se refletissem no suor da testa de Jesus, nem nas gotas de sangue e água que escorriam de seu lado ferido. O vento se…

O que fazer com a notícia?

Maria Madalena foi ao túmulo de madrugada, escondido, para prestar suas homenagens a Jesus. Medo dos judeus, medo dos  romanos, medo do que os outros poderiam pensar. Medo dos homens, dos discípulos, dos assaltantes da madrugada, dos roubadores de esperança. E vergonha. Sim, inadmissível que amassem tanto o mestre, mas é certo que sentiam vergonha daquela morte humilhante, bandida. Isso tornava até o amor deles repugnante. Como amar alguém assim? Bandido bom é bandido morto. O bandido está morto. Amá-lo é crime. Então o jeito é chorar de madrugada.
Perfumes e panos arrumados para cumprir os rituais. Humanizar o morto, prepará-lo, ainda que de atraso, para o encontro com o Eterno.
As leis religiosas não poderiam mais ser cumpridas, porque o tempo de preparar o morto já havia passado. Assim, na verdade, apesar do medo e da vergonha, no gesto das mulheres há um brilho genuíno da graça de Deus. Fazer o certo mesmo quando não cabe mais. Mostrar afeto ainda que não faça diferença. Cultivar am…

Ainda é sexta-feira

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A agonia do Calvário começou ontem, quando, reunido com seus discípulos, o Mestre amado comeu e bebeu sua última refeição. Quando ele orou sozinho, pedindo forças para beber a amargura da morte, enquanto seus companheiros dormiam... Bem disse o evangelista que foi de tristeza, mas muita gente sabe que a causa de sua insônia é o peso da dor que carrega no coração... Eles dormiram, sim, mas acho que foi mesmo de incompreensão, de indiferença até, de achar que nada daquilo seria realmente possível... Mas, agora, é inegável... Hoje é sexta-feira e o mal está feito. O beijo roubado da traição já foi dado. E todos ouviram quando o galo cantou. O que pouca gente viu foi o choro da vergonha, do arrependimento, da convicção da verdade quando bate fundo na alma de um discípulo duro e turrão... Menos gente ainda viu o mal irremediável do remorso, a corda tensa da culpa, da ignorância tão extrema do amor perdoador do Pai, que não o nega a ninguém... Sim, hoje é sexta-feira. Era madrugada quando c…