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Mostrando postagens de Dezembro, 2009

Dize-me com quem andas (Ed René Kivitz)

Não podemos ter uma vida espiritual sozinhos. A vida do Espírito é como uma semente que precisa de terreno fértil para crescer. Este terreno fértil inclui não só uma boa disposição interior, mas também um ambiente favorável.

É muito difícil viver uma vida de oração num ambiente onde ninguém ora ou fala com carinho da oração. É quase impossível aprofundar a nossa comunhão com Deus quando aqueles com quem vivemos e trabalhamos rejeitam ou até ridicularizam a idéia de que há um Deus que ama. É uma tarefa sobre-humana procurar fixar o coração no Reino de Deus quando todos aqueles que conhecemos e com quem convivemos têm o coração fixo em tudo, menos no Reino de Deus.

Não é, portanto, surpresa nenhuma que as pessoas que vivem em ambiente secular - onde o nome de Deus nunca é mencionado, a oração é desconhecida, não se lê a Bíblia nunca e a conversa sobre a vida no Espírito é completamente ausente - não consigam agüentar a sua dimensão de comunhão com Deus por muito tempo. Descobri como sou…

Não tem nada a ver comigo

Durante algum tempo de minha vida, sempre que alguém me magoava, falava algo que pudesse me parecer ofensivo ou espalhava algum boato sobre mim, eu logo pensava: "Como essa pessoa pôde fazer isso comigo?". Às vezes, ainda me pego fazendo isso. Mas estou errada, absolutamente. Porque apesar de as pessoas fazerem coisas que me atingem, decididamente isto não tem nada a ver comigo. É uma lição que estou duramente aprendendo. Não sou eu... Não tem nada a ver comigo...
Essas pessoas estão fazendo contra si mesmas. Se me magoam, perdem a imensa oportunidade de fazer uma linda amizade, sedenta que estou de amigos verdadeiros neste caos que é o nosso mundo. Se me ofendem, jamais poderão partilhar comigo meu prazer pela fotografia ou pela poesia...
Se fofocam a meu respeito, jamais irão sentir a fidelidade que eu posso expressar. Jamais conhecerão minha capacidade de guardar seus segredos, de chorar junto com elas, de entender sua dor, de oferecer um abrigo. Jamais saberão porque não…

Mutações (um poema antigo, do baú dos meus arquivos)

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É verdade: não nascemos prontos,
nem prontos morremos.
Somos seres em permanente mutação.
Corpos, mentes e corações que nascem, crescem
e nunca páram de se alterar.
Mudamos a cor dos olhos e o jeito de ver a vida;
                 a cor dos cabelos e a forma de sonhar.
Ganhamos rugas e mágoas, cicatrizes e realizações...
Somos humanos porque somos mutantes.
E por assim sermos, somos infinitos, ainda que morramos.
Porque morremos e viramos lembrança.
É apenas a lembrança que pode nos fazer imutáveis:
nela, quase todos tornamo-nos perfeitos, porque idealizados.
E é a nossa última forma de mutação:
revestidos do amor e da saudade dos que nos acalentam,
assumimos novos corpos, novos jeitos
e passamos a habitar nas conversas sentidas,
                                   nas noites solitárias,
                                  nas fotos antigas.
Somos mutantes infinitos mesmo quando não há lembrança.
Porque até o nada tem sua forma de ser.
É verdade: não nascemos prontos e nem prontos morremos:
Somos seres em per…

Eu desisto!

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Chega uma certa hora na vida que você tem que entregar os pontos. Não dá pra ir adiante. Este momento humanoide de assumir suas limitações é uma hora cheia de dor e frustração. Mas eu já chorei o que tinha pra chorar. Estou emocionalmente esgotada. Estou fisicamente dolorida. E estou espiritualmente frustrada. Portanto, é a hora certa de jogar a toalha.
Estou assumindo que há coisas que, por mais que eu me esforce, não consigo aceitar, nem entender, muito menos mudar. Elas doem muito e já fiz o possível para minorar minha dor, mas não importa o que eu faça, ela só parece aumentar. Tento me livrar das dúvidas, mas elas persistem em me incomodar. Fazem minha cabeça rodar e meu coração doer. Estou farta disso. Ainda mais porque são coisas dos outros, na verdade, e não minhas.
E já que não posso dominar o que desconheço, nem mudar ninguém, estou desistindo. Estou me resignando ao que eu sei. Estou aceitando o mistério e respeitando o segredo. Não quer dizer que não vá me incomodar mais. S…

Natal brasileiro

Os silêncios

Os silêncios em nosso coração, em nosso olhar. A eles é que devíamos dar ouvidos. Há imensa coragem nos discursos nunca discursados, nas ideias nunca idealizadas, nas palavras mudas dentro do peito. Falar, isso é mais difícil, requer perder o medo que nos assombra. Por nos acomodarmos ao barulho que nos rodeia, tendemos a esquecer a força dos silêncios. Mas são eles que fazem muitos corações pararem, muitos pulmões cessarem de fornecer ar, muitos olhos deixarem de ver... Devemos ouvir mais os silêncios, com a coragem de interpretar a linguagem muda que tanto nos diz. Deveríamos ter a coragem de enfrentar a dor que o silêncio carrega e que o barulho quer tornar sem sentido. Os silêncios são os gritos da alma. Só ouvidos atentos podem ouvir - e mesmo assim, é preciso querer. Os meus silêncios andam ao meu redor, volta e meio os ouço - às vezes, choro, às vezes, corro. Às vezes, como milhões de pessoas no mundo, finjo que não estão lá. Só pra trombar com eles na próxima esquina, pois há …

Apesar de ser sexta-feira

Mateus 27
Apesar de hoje ser sexta-feira, como o apóstolo Paulo disse, eu creio também que “as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que há de ser revelada em nós”. Apesar de hoje ser sexta-feira, “a criação aguarda com ardente expectativa a revelação dos filhos de Deus”. E, embora seja sexta-feira e a “criação esteja sujeita à vaidade, mesmo contra sua vontade”, e muito embora ela “conjuntamente, gema e esteja com dores de parto, e não só ela, mas até nós, que temos as primícias do Espírito, também gemamos em nós mesmos”, nós cremos e vivemos na “esperança de que a própria criação há de ser liberta do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus”.
Apesar de hoje ser sexta-feira, tenho fé e esperança, porque “na esperança somos salvos”. E quando eu quero duvidar, por causa do amargor das minhas sextas-feiras, me lembro da exortação de que “a esperança que se vê não é esperança; pois se alguém vê, como o espera?”. Então eu lamento, e …

O que é a Igreja?

Um corpo que sente - Salmo 73

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Dizem que muitas doenças que temos são psicossomáticas. A etimologia dessa palavra é interessante. Ela vem de psique – traduzida no senso comum por alma, mas que indica vontade, desejo, o íntimo do ser – e soma, que tem a ver com o aspecto físico do ser, a matéria, o corpo. Assim, aquilo que a pessoa sente se projeta no seu corpo de modo concreto, fazendo-o adoecer. São doenças psicossomáticas a gastrite, a úlcera, a enxaqueca e até mesmo alguns tipos de câncer, dizem os entendidos!
Antes desse entendimento moderno sobre as relações entre as emoções e o corpo, porém, os povos bíblicos já se utilizavam de partes do corpo para explicar os processos emocionais e mentais. Tinham uma clara compreensão da relação entre a emoção e o físico. Não dá para separar a totalidade do nosso ser das emoções que expressamos.

Coração limpo (v.1)
Em nossa cultura, o coração está ligado aos sentimentos. Mas para o povo hebreu, esse órgão tinha outras funções. A racionalidade que hoje atribuímos ao cérebro e…