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Mostrando postagens de Março, 2015

Mãos erguidas

Porém as mãos de Moisés eram pesadas, por isso tomaram uma pedra, e a puseram debaixo dele, para assentar-se sobre ela; e Arão e Hur sustentaram as suas mãos, um de um lado e o outro do outro; assim ficaram as suas mãos firmes até que o sol se pôs. (Êxodo 17:12) Manter as mãos erguidas é uma tarefa pesada para o líder. Ter de estar disposto a abençoar o tempo todo, a atender as demandas, a interceder pelos problemas. Pode ser fatigante. É preciso haver quem lhe sustente as mãos. Ao longo da minha vida, tenho encontrado pessoas que fazem este discreto e silencioso trabalho na minha vida. Meus pais estão entre eles. Sei que sustentam minhas mãos enquanto oram por mim. Pessoas a quem recorro em busca de conselho e amparo sustentam minhas mãos enquanto apontam minhas falhas ou ministram conselhos. Minha família sustenta minhas mãos enquanto aguenta minhas lamúrias e dores. Meus amigos e amigas sustentam minhas mãos em conversas leves à roda da mesa. E até quem nem parece que sustenta o f…

Se perecer, pereci.

E foi esta a resposta de Mardoqueu para Ester: “Pensas tu que por estares no palácio escaparás, quando todos os outros judeus forem mortos? Se te mantiveres calada numa situação destas, de outra parte se levantará livramento para os judeus, mas tu e os teus parentes morrerão. E quem sabe se não foi para um tempo como este que Deus te trouxe a essa posição?” (Ester 4.14). 
Não acredito em salvadores da pátria. Não acredito em pessoas iminentes que surgem para apaziguar o caos. O livro de Juízes nos demonstra que libertadores atuam por um tempo e logo depois as pessoas revelam seu melhor e seu pior novamente. Parece que a bonança dura pouco. Mas creio na honestidade, na verdade e na justiça. Ando sofrendo por ver que isso de fato vem se tornando uma coisa cada vez mais de fé, porque os olhos andam vendo pouco. Mas quando Ester foi feita rainha e uma injustiça aconteceu ao seu povo, ela quis se esconder por trás de sua posição. Ela temeu por si mesma. O desafio de sair de sua zona de conf…

Revelações

E lhes propôs: “Quem, porventura, traz uma candeia para colocá-la sob uma vasilha ou debaixo de uma cama? Ao invés, não a traz para ser depositada no candelabro? Pois nada há de oculto que não venha a ser revelado, e nada em segredo que não seja trazido à luz do dia. Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça!”
Marcos 4.22-24. 
Só Deus pode revelar as coisas exatamente como são. Mesmo assim, podemos ser conduzid@s por nossas próprias visões dos fatos, gerando assim contínua desarticulação, fragmentação e desunião. Oremos por mais discernimento, para que as evidências sirvam para mudar-nos à medida em que aprendemos com as experiências da vida. Saber usar os ouvidos, nesse tempo de tanta recusa ao ouvir ou uma audição parcial que só acolhe o que interessa, é um grande desafio. É um desafio espiritual, acrescenta o autor de Apocalipse ao afirmar que o que deve ser ouvido é aquilo que o Espírito está falando. E muitas vezes, na verdade, ele fala o que não queremos ouvir, o que nos incomoda, ad…

Sobre a solidão

É que, às vezes, nesse caminho, a gente se sente muito só. Por isso, talvez, a maior parte do tempo precisemos de alguém como os amigos de Jó, num primeiro momento. Gente que sinta a nossa dor e que se sente e chore junto conosco. Quando começam a querer explicar demais, eles se perdem. Foram necessários enquanto mantiveram a empatia de chorar junto. Foram fundamentais enquanto puderam ter ouvidos atentos para escutar o lamento. Mas Jó também aprendeu. Eu também posso aprender. Posso lamentar demais as tragédias que me acometem, posso brigar bastante com Deus acerca disso. Mas se quiser compreender a natureza divina, ao final acabarei como no começo. Se não houver mais filhos pelos quais interceder e sacrificar, serei convocada a orar pelos amigos. Ao fim, nunca se trata de mim mesma, mas sempre e novamente do próximo. O intercessor é a pessoa que aprendeu a usar sua solidão como forma de alavancar seu afeto. A solidão não a aprisiona, mas a leva ao encontro atento a outras solidões.
Dizem que no começo dos tempos era um jardim.
Se os seres humanos plantassem mais flores
talvez fosse diferente.
Mas foram inventando outras coisas, como cimento, janelas e portas.
Gostam mais de flores de plástico.
Nem fazem mais ideia do que seja um jardim.
Jardim, coisa inútil.
Só serve para quem ainda está bem dos olhos.
Gente rara de se achar.

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Fé é aquela corda da infância pendurada no galho fino da árvore.
Nem tem problema se a corda se romper durante o salto,
se a gente se arranhar ou quebrar o braço na queda,
ninguém nos roubará o fôlego retido do pulo,
o vento no rosto do salto,
o instante único em que a gravidade é vencida
e a gente se sente voar.
Fé é aquela corda... talvez a gente é que esqueceu
do que é ser criança e por isso
não somos mais capazes de nos pendurar nela.

Brigando com Deus (Gênesis 32.22-31)

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Então estou eu lá, no vau de Jaboque outra vez. Jaboque - efusão, vazão, vazante, fluidez. A palavra no hebraico, dizem, lembra a mesma de luta. Talvez venha daí o verbo em hebraico. É que numa luta há efusão de dores acumuladas, vazão de gritos e socos, fluidez de lágrimas e choro. Estou lá. Que nem Jacó, sozinha. As riquezas passam adiante, a família passa adiante, o trabalho passa adiante. E a gente ali, na solidão. De noite - espaço-tempo de medo, de abandono, de trevas.
Jacó é o líder da casa. É o herdeiro da bênção. É o "cara". Mas está sozinho. Essa é a pior hora, quando não precisamos fingir pra ninguém. Tudo vem à tona. Os enganos e engodos nos quais nos metemos para estar à altura de ser um ungido. As brigas em casa, silenciadas. As viagens longas fora de casa. Os retornos sem festa. As madrugadas vazias. A insônia. Tudo isso vem pra cima da gente como um furacão. Um tsunami. Bem assim, justo na hora da solidão e da noite.
Deus aparece. Tem jeito de gente, mas é a…

Que tipo de líder pastoral você gostaria que colocasse a mão sobre a sua cabeça?

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Alguém me fez esta pergunta esses dias. Eu me pus a pensar sobre ela. E me lembrei de certo dia, na sala de aula da Faculdade de Teologia. O professor era o Paulo Garcia. Ele falava sobre o Novo Testamento, a formação dos pastores e líderes daquelas comunidades paulinas, quando um dos alunos interveio, falando que se fosse ele resolveria o problema de tal e tal maneira, expondo suas ênfases. O professor ouviu atentamente e respondeu: Eu escolhi ser pai das minhas filhas, então, agora que elas estão maiores, elas me têm como pai e têm a outras pessoas por pastores e pastoras. Acho que assim é melhor do que confundir os papéis. Mas como pai, eu escolho quem vai pastorear minhas filhas. E baseado na percepção que você está me dando sobre seu caráter agora, eu lhe digo: Você jamais seria pastor delas!
Foi um pouco chocante naquele momento e hoje, quinze anos depois, a lembrança do episódio ainda me marca. Da mesma forma, o professor Jung Mo Sung, que nos pôs em crise ao indagar: Se alguém…