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segunda-feira, 12 de julho de 2010

Sobre Deus...

Estava pensando acerca de como falar de Deus quando encontrei o texto de Ricardo Gondim, que postei aqui no outro dia. Sabe quando a gente encontra alguém que diz tanto o que a gente queria dizer, que parece nada mais haver para ser dito? Foi assim...
Também não sei explicar o que me faz amar a Deus. Não é a igreja, não é a função clerical, não é o serviço ou o culto. Não é nada tangível, ou visível aos olhos... Amar a Deus é assim, como estar num ônibus de madrugada, sentindo frio, cansada e sem vigor para enfrentar um monte de reuniões no dia seguinte, cheia de problemas insolúveis perturbando a alma, e erguer os olhos para ver uma lua como há muito não via... E esquecer de mim, da vida, do mundo todo, porque existe uma lua cheia no céu mesmo quando o coração está em pedaços...
Deus não existe simplesmente, porque muitas coisas existem e não são. Não. Deus não existe, Deus é... E ser é a essência dele. Ser o que ninguém espera. Deus é este mágico travestido de criança, brincando e sorrindo na minha frente, nos olhos das minhas filhas. Deus é a poesia da música que elas fazem, para me lembrar das poesias que eu fazia antigamente, quando não tinha tanta coisa na cabeça e, para dizer a verdade, muito mais  coisa que valia a pena no coração. Deus é aquele que reordena essas minhas prioridades tão equivocadas e que me entende quando eu não me entendo...
Deus é esta saudade no meu peito, é esse sonho teimoso na minha alma, a única coisa que me mantém de pé no meio das insanidades deste mundo... Deus é meu refúgio secreto, é a mão invisível que guarda minhas lágrimas. Eu encontrei nele um sentido que faz a vida possível e uma razão única para pensar que existe algo além desta vida... e, para ser sincera, nem me preocupo com o céu, nem com os tesouros tão propalados da vida no além... Se me fosse possível adentrar a eternidade para me perder na imensidão dele, como uma névoa que se dispersa sob o sol, então eu encontraria a plenitude... existir nele e nele estar, sem precisar consciência ou razão, só a alegria de abrir os braços ao infinito... Ele é a alegria e a liberdade de comer manga com as mãos e não se preocupar em limpar o queixo. Ele é o gosto único da água fria de nascente no meio do mato, que a gente nunca mais vai beber igual... Ele é o mistério daquela folhinha no meio da grama, que a gente toca e se fecha todinha... Ele é a cor súbita do peixe na vara de pescar e o gosto inigualável de comer o que a gente pegou com a mão no pé de fruta. Ele é a dor insuperável de uma contração de parto que explode em duas bolinhas de jabuticaba olhando você pela primeira vez, e o som do primeiro choro que te faz esquecer como é dura a vida e lembrar como é boa e fugaz a felicidade...
Ele é o bicho do mato que aparece no meio da estrada quando você está viajando sozinha e passa tão depressa que não te deixa ver o detalhe, só para te ajudar a exercer a imaginação tão enferrujada... Ele é a vontade que eu tenho de passar a mão num urso panda...
Ele é toda a minha vontade de céu... por causa dele, eu podia chegar lá só para ver seu rosto e morrer de novo para sempre que nem ia ligar... vê-lo só uma vez vale uma eternidade inteira... eu o amo porque ele é a única coisa que vale a pena, a única coisa que podemos dizer com certeza que é da gente...
Sim, ele é meu... é o meu Deus... tu és o meu Deus, a minha alma anseia por ti, o meu corpo te almeja, meu coração bate porque o teu bate... eu te amo, Senhor, te amo como eu posso, jamais como tu mereces... tu és a minha riqueza e só em ti encontro a paz...

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Quando Deus nos fala

Recebi hoje, pelo correio, o livro que encomendei, chamado "Os horizontes espirituais da criança", de Cheri Fuller. Dez reais no exemplar, no Submarino, um absurdo pagar tão pouco pela oportunidade de aprender alguma coisa valiosa como mãe. Meu Deus, como é difícil ser mãe hoje em dia! Sinto-me um grande fracasso volta e meia, com os desafios da vida. Mas Deus me deu duas meninas lindas, inteligentes e desafiadoras. Elas é que me ensinam sobre Deus!
Quero forjar nelas o amor a Deus acima de tudo. Anseio por vê-las curtindo o relacionamento com o Criador. E Cheri disse uma palavra, logo de início, que me fez pensar que o livro, indicado pela minha amiga Bete, vai trazer resultados que valerão o (grande!!!) investimento: "o segredo para relacionar-se com Deus é desenvolver o maravilhamento".
Taí: preciso remaravilhar-me! Como a maioria das pessoas, tenho estado tão ocupada que não tenho tempo para me maravilhar de nada. As coisas perderam o gosto, o brilho, a novidade. Quero aproveitar minha necessidade materna de incutir na minhas filhas o amor a Deus para que, pelos olhos delas, eu redescubra a alegria de olhar o mundo pela primeira vez...
Pensando nisso, depois de orar hoje, abri a Bíblia e dei de cara com o texto: "Então, sua angústia clamaram ao Senhor e ele os livrou de suas tribulações. Fez cessar a tormenta e as ondas se acalmaram. Então, se alegraram com a bonança e, assim, os levou ao desejado porto." (Salmo 107.28-31). Será que era um recadinho de Deus, me dizendo que vou chegar lá? Ah, que ma-ra-vi-lha! Quero crer que sim. De fato, creio que sim!

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Cansaço de alma



"Minha dor e a causa dela.
A ninguem ouso falar." (Camões)

Existem dores que não são do corpo, não se curam com remédios, não desvanecem com terapias. São dores de alma. A alma, quando dói, só quem sente é que sabe. Não há lágrimas que sejam suficientes. A sensação de dor é tátil, mesmo quando o corpo não traz marcas, nem cortes. Já senti umas dores de alma... algumas até me parecem mesmo que são eternas. Paulo resolveu seu dilema de dor de alma, dando a ele um propósito: para não engrandecer-se diante das revelações recebidas. Era para isso que servia seu "espinho na carne", sua dor insuperável.
Também tenho tentado achar um propósito para as minhas: aprender a compadecer-me. Já fui muito arrogante e dona de uns pensamentos que não devia ter - pensamentos que me levaram a julgar indevidamente situações e pessoas. Até a sentir-me inalcansável por certas coisas que pareciam só acontecer a outros. Até que alcançam, já que todos somos humanos e, no fim, nossas dores são as mesmas, você sabe...
Por isso, ao invés de endurecer-se ou amargurar-se, é preciso buscar o caminho de transformar qualquer problema em bênção. Aprendi isso com um pastor conselheiro, homem de dores, que sabia o que era sofrer, mas nunca se entregou. A força dele me acompanha em todas as minhas dores de alma - que, afinal, graças a Deus, não foram tantas... agora que vejo com olhos mais humanos quanta alma doendo existe por aí. E o fato de doerem não é porque sejam almas doentes; algumas, inclusive, sãs não fossem jamais poderiam suportar a insanidade de sua dor.
O salmista, vendo que a dor parecia vencer sua alma, fez-lhe um lembrete: "Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas? Espera em Deus..." Tenho me feito este lembrete ao longo da minha vida, quando minha alma se agita... tento me lembrar dos conselhos bíblicos (se te afliges no dia da angústia, tua força é pequena). Tenho pensado que coragem é admitir o medo e, mesmo assim, seguir adiante. Que perdoar, aceitar, amar e conviver com os seres humanos é uma tarefa árdua, mas se Ele, que era Deus, aceitou isso como uma oportunidade, devo fazer o mesmo... Afinal de contas, há muitos que pensam ser difícil conviver comigo, outro humano desses seres...
E quando a alma dói um pouco mais, penso na dele, que sabe o que é sofrer... e me diz: "Eu te aliviarei"!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Ricardo Gondim - quando as palavras dos outros poderiam ser as nossas...

Desilusão e desencanto.
Ricardo Gondim.

Despeço-me do ano. Minhas alegrias, bem como as tristezas, foram numerosas e intensas. Surpreendi-me com ressurreições e chorei mortes; dancei nos salões da felicidade e arrastei-me nos charcos do desgosto; abri os braços para acolher quem voltava e, impotente, vi as costas de quem partia.


Esse foi o ano das desilusões e dos desencantos. E eu espero não misturar esses dois sentimentos. As ilusões não passam de idealizações; os encantamentos, estados de admiração. As ilusões baseiam-se em falsidades, elas são miragens; os encantamentos nascem de apreciações da realidade. As ilusões vestem as nossas mentes de fantasias; os encantamentos veem de percepções claras da vida.

Iludi-me com a nobreza institucional; acreditei piamente que a igreja que me rodeava era “a Igreja” de Jesus – por favor, perceba os “is”, minúsculo e maiúsculo. Por anos, dei-me completamente a uma versão do cristianismo que eu percebia como a única, a mais verdadeira, a melhor de todos os tempos. Iludido com essa versão, não notei os ciúmes, as maldades, as invejas, que a motivavam.

Iludi-me com o expansionismo de minha missão. Acreditei no mito moderno do progresso. Eu achava que poderia continuar crescendo numericamente e, ao mesmo tempo, manter o ambiente relacional dos tempos em que me reunia com uma porção de jovens idealistas. Cheguei a pensar que poderia abrir meu coração entre clérigos profissionais com a mesma liberdade que fazia entre os primeiros parceiros de ministério.

Iludi-me com a natureza humana. Acreditei na bondade das pessoas; principalmente, nos que se diziam cheios do Espírito Santo de Deus. Eu imaginava que alguém que transbordasse de Deus não saberia conspirar como Absalão, não conseguiria trair como Judas e seria incapaz de portar-se como um lobo voraz. Ledo engano!

Os porões eclesiásticos estão entulhados de cadáveres de gente esfaqueada pelas costas. A história não omite: os corredores das catedrais comportam verdugos e facínoras sequiosos de subirem as hierarquias organizacionais.

De repente, veio a desilusão. As vendas caíram dos olhos e notei o tamanho de minhas fantasias religiosas. Acontece que uma pessoa desiludida nunca mais volta a se iludir. E nesse processo, fui obrigado a separar as desilusões dos desencantamentos. Pois, ao contrário dos desiludidos, os desencantados podem re-encantar-se novamente.

Andei desencantado com minha missão, vocação e devoção. Mas jamais perdi o que inicialmente me deslumbrou no Evangelho. Continuo absolutamente fascinado com a vida de Jesus de Nazaré. E volto a maravilhar-me cada vez que leio sobre seu caráter, sua ternura para com os desvalidos e seu perdão para os pecadores. Sua doação na cruz, sua morte exemplar e a sua ressurreição triunfante, não permitem desencantos.

Em minhas dores cheguei a cogitar que desistiria de tudo, mas não consegui. Continuo acreditando que os valores do Reino de Deus precisam vazar para todas as dimensões do viver humano, sob pena de deixar o mundo se transformar no inferno de Dante. Os valores de justiça, paz e equidade humana, como propostos por Jesus e seus apóstolos, não podem ficar escondidos, mas devem ser proclamados universalmente. Isso é tão magnífico para mim que cura meu coração desiludido, devolve viço à minha poesia melancólica e re-energiza o meu labor.

Nas coisas que me desiludi, não contemplo retorno, mas sei que os meus sonhos voltam a se colorir. Neste novo ano, responderei com novo alento: “eis-me aqui, envia-me a mim”.

Soli Deo Gloria.

terça-feira, 30 de junho de 2009

O consolo de Deus - Isaías 35.1-8

Tenho dito a Deus que estou cansada de ficar triste. Há muitos motivos hoje para chorar. Certamente, cada pessoa que me ouvir ou que ler este texto vai pensar a mesma coisa. Contas inesperadas, enfermidades na família, mortes de pessoas queridas. Um acidente de avião no qual morrem mais de uma centena de pessoas. Vizinhos que se atracam com violência por causa de um muro ou de um aparelho de som muito alto. Coisas inexplicáveis que nos deixam entre a tristeza e o riso, como se escondessem um pouco de comédia. Fiquei penalizada ao ler que o Michael Jackson morreu, porque a vida dele foi muito triste, eu imagino. Seus últimos dias foram de expectativa de voltar a um antigo tempo de sucesso perdido no horizonte. Ele não teve tempo para realizar seus sonhos, nem para pensar em Deus ou na sua vida eterna. Mas depois de poucas horas de sua morte, muitos CDs e DVDs sobre ele foram vendidos. Achei engraçado pensar que enquanto ele estava vivo as músicas não prestavam, mas agora que ele morreu, tudo é sucesso! Pra mim, isso é uma prova contundente da superficialidade e da hipocrisia do mundo em que nós vivemos...

E eu fico triste. Faz tempos que vivemos cansados. Que uma noite de sono não nos desperta para um dia animado. Encontramos pessoas tristes por onde quer que olhemos. Entramos num hospital para visitar pessoas que estão se aproximando da morte ao mesmo tempo em que, ao lado, nasce um bebê. E quando olhamos para esse neném, não é raro a gente pensar: Coitadinho, mal sabe o mundo em que está entrando...

As pessoas estão sempre reclamando de alguma coisa. Estamos sempre com frio, com calor, gripados, estressados, atrasados, cheios de trabalho, nervosos, com TPM, com pressão alta, com pressão baixa, com falta de ar, com alguma coisa no olho... Nunca temos dinheiro para nada e estamos sempre gastando mais. O mundo é um lugar de desânimo. Nós nos sentimos impotentes para fazer a diferença.

Por isso, tenho falado para Deus que estou cansada de ficar triste. Estou cansada de ver problemas na igreja ou nas lideranças. Estou cansada de pregar e parecer que não faz diferença. Estou cansada de chorar as pessoas que estão morrendo. Estou em busca de consolo. Estou ansiando por dias melhores. Estou desejando que Jesus volte logo ou que um avivamento real aconteça, no qual milagres na vida das pessoas, na economia, na política, na sociedade. Quero algo novo no mundo ou um mundo novo. Não importa como Deus o faça – o importante é que eu veja acontecer.

Então eu me deparo com o sonho de Isaías – sua visão de um futuro consolador. São palavras que Deus escreveu para mim, para você, para cada um de nós. Ele fala de uma visão de esperança. Uma visão que quero partilhar com vocês nesta noite.

Uma terra alegre

Isaías fala nos primeiros versículos deste capítulo que a terra toda estaria em flor no momento em que o consolo de Deus se manifestaria ao povo. Eu vejo isso quando estou em viagem, toda semana para Juiz de Fora. São duas horas que normalmente eu tenho só com Deus, para ir e depois duas horas para voltar. Na noite, a gente fica mais tenso e nem dá pra ver muito as belezas ao redor. Mas na ida, mesmo com o corre-corre do dia-a-dia, Deus tem me agraciado com visões consoladoras de beleza...

No caminho de Astolfo Dutra, eu vejo umas árvores de todas as cores... Agora, nesse tempo frio, mesmo assim há muitos ipês com um sem fim de flores cor-de-rosa. Outro dia, fiquei uns quarenta minutos parada porque eu fui pela estrada de Leopoldina. Enquanto eu ficava meio que preocupada por chegar atrasada à aula, as pessoas desciam de seus carros em busca do barulho de água forte que vinha até nós. Lá embaixo, uma cachoeira enorme. Os minutos passaram mais depressa. Um moço veio vendendo mexericas. Como estavam suculentas, bonitas e saborosas... Olhando aquele alaranjado tão bonito das frutas, eu agradeci a Deus. Pensei no quanto minhas filhas gostam dessa fruta. Louvei a Deus pela alegria de vê-las com saúde para comer o que querem. Pensamentos que alegraram minha tarde, visões de Deus que me deram consolo.

Então eu penso que mesmo com as tristezas da nossa vida, temos de aprender a nos alegrar. Mesmo tristes, temos de aprender a ser felizes. Porque um pensador chamado Teilhard de Chardin disse: “A alegria não é a ausência da dor, mas a presença de Deus”. Ele também disse: “Não vejo outra saída, senão seguir em frente”. Ele devia saber do que estava falando, porque ele sofreu bastante ao longo de sua vida, por causa de sua fé.

Corpos restaurados

Outra imagem do consolo de Deus está nos versículos 3-6: todas as limitações de nossos corpos físicos serão superadas. Seremos pessoas plenas em nossa humanidade, teremos saúde tanto física quanto emocional. Mãos e joelhos, que evocam o trabalho e o sustento corporal, serão restaurados. Corações desconsolados receberão a bênção de ter a certeza da presença de Deus.

Eu vejo este consolo de Deus um pouco ausente hoje de nossas expressões de fé. Falamos pouco sobre a vida futura e quando fazemos isso é negando a vida presente. Eu acredito na vida depois da morte, mas acredito na vida antes da morte também. Rubem Alves fala, num de seus livros, sobre a ressurreição do corpo, de como ele acredita nisso porque nossos corpos precisam ser redimidos de toda a dor que enfrentamos neste mundo. Mas eu creio também que Deus ressuscita nossos corpos quando nos leva além de nossas limitações. Eu vi na internet um vídeo de uma mãe que não tem braços e carrega seu bebê, faz compras sozinha no supermercado, cuida da casa, faz ginástica... Vi um homem que não tem as mãos e toca violão com os pés. Minha afilhada não pode ouvir, mas ninguém enxerga um mundo mais colorido do que ela, basta ver como são brilhantes e coloridos os quadros que ela pinta. Eu acho mesmo que ela enxerga os sons... Deus ressuscita nossos corpos quando nós não nos permitimos os limites que esta vida impõe a eles. A jovem paraplégica que é modelo, o cientista que depois de diagnosticado com uma doença degenerativa fez grandes descobertas sobre a astronomia. Deus ressuscitando corpos.

E mesmo quando as pessoas morrem. Como estamos vivendo dias de luto, eu penso que Deus ressuscita nossos corpos na saudade. Rubem Alves, o pensador que citei, escreveu: “É preciso não esquecer a saudade. É ela que faz toda a diferença. Deus mora na saudade, ali onde o amor e a ausência se encontram”. Quando alguém morre e nós não permitimos a Deus ressuscitar a esperança em nós, então morremos com aquela pessoa e a vida deixa de existir. Perdendo a vida, perdemos a alegria. Por isso é que, embora difícil, é importante a frase do ritual fúnebre que diz: “Há coisas a fazer, pessoas a cuidar, providências a tomar...”

Quem aprisiona o amor e nega a ausência jamais vai experimentar, em profundidade, qual ressuscitadora é a esperança que nasce da saudade! Jamais encontrará o consolo de Deus, porque só tem morte dentro de si e ainda não experimentou a vida...

Um novo caminho

O consolo de Deus aponta um novo caminho para a gente. Pra mim, esta é a parte onde entra a nossa tarefa para receber o consolo de Deus. De nada adianta um novo caminho se ninguém anda por ele. O caminho não é difícil. Até o doido anda por ele, diz o texto. Deus não escolhe somente uns e outros para este caminho de consolo. Mesmo quem não bate bem das ideias humanas pode entender as ideias de Deus! Não é preciso ser superdotado, é preciso apenas andar.

Não adianta pedir a Deus que nos console de nossas tristezas e dores se continuamos a andar no caminho das dores e tristezas. É como aquele burro que trabalhou no moinho a vida toda. Quando o tiraram do moinho, para uma vida livre na aposentadoria, o burro passava todo o dia andando em círculos no pasto. Tiraram o burro do moinho, mas não tiraram o moinho do burro... Não adiantam bênçãos novas se nossos olhos ainda estão embotados pelas lágrimas antigas.

Este novo caminho que Deus nos propõe, em Jesus, é um caminho seguro. Um caminho de canções de alegria. Tão altas essas canções, tão esfuziantes e vibrantes que a tristeza e o gemido fugirão diante delas. Se nos entregarmos demais à tristeza e ao abatimento, teremos esquecido como é estar alegre quando todos estiverem cantando.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

No princípio era o verbo

No princípio era o verbo:
a fala que gera a vida,
a voz que se faz ouvir
o som que permanece no ar.

No princípio era o verbo
e por isso nenhuma palavra emitida
podia voltar para ele vazia:
tinha de adjetivar-se
de substantivar-se
de pronominar-se
e predicar-se.

No princípio era o verbo
em busca de um sujeito
atrás de um complemento
apaixonado pelo adjunto adnominal
somente pela possibilidade do estar junto...

No princípio era o verbo
sem pleonasmo nem hipérbole.

Mas fomos colocando tanta coisa sobre o verbo,
conjecturando acerca do verbo
que ele ficou tão envolvido em palavras
e as frases nossas ficaram sem ação...

Frases sem verbo
Vidas sem verbo
Linguagem de pastiche
Corpo sem coração

E por isso às vezes falamos
e não temos mais voz
porque não temos mais verbo.

Talvez seja hora de repensar o discurso.
Melhor ainda: talvez seja hora de calar.
Deixe que o Verbo fale.
Porque no princípio, sem homilia nem exegese
Sem hermeneutica nem linha teológica
O verbo era Deus.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Pensamentos

O fim de toda a nossa exploração
será chegar ao ponto de partida
e conhecê-lo pela vez primeira (T.S. Elliot)

A verdade está sempre na forca e o erro sempre se assenta no trono (James Russell Lowell)

Quanto tempo? Não muito, porque mentira alguma dura para sempre. Quanto tempo? Não muito, porque ainda se colhe o que se planta.
Quanto tempo? Não muito, porque o braço da moral universal é longo, mas sempre se curva em direção à justiça.
Quanto tempo? Não muito, porque os meus olhos viram a glória do Senhor que virá... Sua verdade já está marchando... (Martin Luther King)

Um mistério: se as boas novas são verdadeiras, por que alguém não se agrada em ouvi-las? (Walker Percy)

Ame cada folha, cada raio de luz.
Ame os animais, ame as plantas, ame cada coisa.
Amando tudo, você perceberá o mistério de Deus em tudo. (Doitoevski)

O povo do coração aquecido

“O justo viverá pela fé” (Romanos 1:17, Habacuque 2:4, Gálatas 3:11, Hebreus 10.38) Uma experiência de mais de um dia John Wesley era um jov...