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quinta-feira, 21 de abril de 2011
Poema: Nada era dele (Gioia Junior) - A propósito da Páscoa
fazendo referência ao Mestre amado:
por acaso era dele? Era emprestado!
e palmas recebeu pelo caminho,
alimentando a multidão
ficando alimentado. Esse prato era seu? Era emprestado!
Mostrando à multidão qual o caminho
Ao lado de Judas que o traiu, de Pedro, que o negou
de onde havia de ressuscitar
Essas eram de fato de Jesus! "
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Um poema adolescente
Na sexta série, a gente estudou os textos do período chamado realismo. Carlos, nosso professor de literatura, nos desafiou a escrever um poema no estilo daqueles escritores. E hoje, olhando meus caderninhos de 1980, reencontrei o meu... que engraçado... nostálgico... acho que estou ficando velha...
Adeus
Já não há mais festa ao redor,
e findou-se o tempo de parabéns.
Estamos a sós, com nossos conflitos.
Já não há mais palavras de amor,
nem gestos de infindo carinho.
E ainda assim não sabemos partir.
Vivemos como dois estranhos
mas somos tão íntimos que é o fim.
Falamos línguas iguais, mas entendemos diferente.
Onde fica o amor nessa hora?
Onde ficam os gestos, as carícias?...
Estão no vácuo do nosso egoísmo!
E nos cansamos de nós.
Se lá fora, na noite, brilham estrelas,
brilham para todos, menos para nós.
Nossos olhos só contemplam as nossas feridas
e filosofamos sobre tudo e nada.
Paramos em frente ao espelho
para contemplar palidez e fealdade.
Não nos interessa o amanhã:
a dor de hoje nos basta.
Para que recordar o passado tão feliz e belo,
se a pureza daqueles dias se foi
sem nunca sequer ter existido?
Mas, ainda assim, quando a porta,
a porta da rua se abre, me convidando a sair,
eu fito a sala ao redor de mim,
e em cada canto percebo um pedaço de nós.
E nas lágrimas de meus olhos se refletem as suas,
num pedido mudo, gritando pra mim:
Fica, fica por favor!
E eu olho a rua, tão escura e fria.
E eu olho a casa, tão escura e fria.
E eu olho pra mim, tão fria e só.
E fecho a porta da rua.
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Mutações (um poema antigo, do baú dos meus arquivos)
É verdade: não nascemos prontos,
nem prontos morremos.
Somos seres em permanente mutação.
Corpos, mentes e corações que nascem, crescem
e nunca páram de se alterar.
Mudamos a cor dos olhos e o jeito de ver a vida;
a cor dos cabelos e a forma de sonhar.
Ganhamos rugas e mágoas, cicatrizes e realizações...
Somos humanos porque somos mutantes.
E por assim sermos, somos infinitos, ainda que morramos.
Porque morremos e viramos lembrança.
É apenas a lembrança que pode nos fazer imutáveis:
nela, quase todos tornamo-nos perfeitos, porque idealizados.
E é a nossa última forma de mutação:
revestidos do amor e da saudade dos que nos acalentam,
assumimos novos corpos, novos jeitos
e passamos a habitar nas conversas sentidas,
nas noites solitárias,
nas fotos antigas.
Somos mutantes infinitos mesmo quando não há lembrança.
Porque até o nada tem sua forma de ser.
É verdade: não nascemos prontos e nem prontos morremos:
Somos seres em permanente mutação.
É por isso que jamais nos conheceremos inteiramente.
Por isso reagimos de modos tão surpreendentes à vida.
Por isso choramos e rimos, desistimos e resistimos.
Por isso sempre queremos algo mais.
É que há um sopro de Deus dentro de nós e é fascinante,
um Deus que é sempre o mesmo e faz sempre o novo.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
De braços abertos

De braços abertos...
Pregaram Jesus na cruz... Que dor, meu Deus!
Suas mãos e pés furados, o lado cortado...
A contradição da cruz: a dor, de braços abertos...
Jesus morreu de braços abertos,
Foi de braços abertos que ele pediu:
Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem!
Mesmo sendo inocente, de braços abertos
Ofereceu perdão a quem o feria...
De braços abertos, é... de braços abertos,
Jesus morreu na cruz por todos nós...
Suas palavras ecoando esperança no coração da gente:
Hoje estarás comigo no Paraíso
Ele mesmo tão longe do Paraíso, pendurado na cruz,
Crê na vitória e a promete a quem se arrepende,
Como o ladrão...
De braços abertos, estendidos, doloridos,
Os braços que carregaram crianças,
Que abraçaram enfermos,
Que trabalharam com a madeira...
Braços abertos de Jesus na cruz:
Mulher, eis aí teu filho, ele disse.
Filho, eis aí tua mãe, repetiu.
Jesus, na morte, de braços abertos,
Preparou para que a Maria não faltasse
O braço que acolhesse e amparasse
Depois que ele morresse...
Como também hoje não quer que falte abrigo
À criança, ao jovem, ao adulto, ao ancião.
E sofre, vendo tanta gente sem teto sobre a cabeça,
Sem sorte, sem camisa, sem casa, sem chão.
Braços abertos, Jesus agoniza e chora
Que nem a gente, quando não entende a vida
E grita, como a gente tem vontade de gritar
E estender os braços pro céu e perguntar:
Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?
Braços abertos, pedindo forças, e o silêncio
Quando a gente não entende porque Deus parece longe...
Braços abertos, Jesus geme, geme o gemido que era nosso
E o gemido de muita gente que não tem como viver:
Tenho sede! A garganta seca debaixo do sol,
Como o lavrador do nordeste, o menino e a menina de rua,
Como o mendigo, o povo brasileiro diante do governo desleal
Que de braços abertos também diz: Tenho sede, tenho fome...
O mesmo Jesus que disse: “Se você pedisse, eu te daria
A água da vida”, sente sede na garganta do meu irmão!
Braços abertos, na cruz que era minha,
Geme Jesus o gemido meu e anuncia:
Está consumado! Nada mais será como antes,
Morrendo na cruz o filho de Deus,
Consuma o amor, o pecado, a morte
Consuma e completa o caminho pra Deus!
Seus braços abertos aguardam agora
Que a glória resplandeça e a treva pereça
Para os que são seus...
Braços abertos e a última prece
Ecoa da boca trêmula de Jesus:
Pai, nas tuas mãos entrego meu espírito!
Braços abertos que confiam no Deus
Que parece distante na hora da dor
Mas que se achega e acolhe, recebe em si mesmo
De novo manifesta imensidão de amor!
Braços abertos de Jesus na cruz...
Tantos sentimentos na gente a imagem produz!
Ele abriu os braços para salvar o mundo,
Abraçar os povos, espalhar sua luz...
Que pena que tanta gente não entende...
Que tristeza que tanta gente recuse esse abraço de amor...
Abraço que não ficou na morte, mas do túmulo renasce!
É o Jesus que vive, que reina,
que ainda abre os braços pra todo e qualquer pecador!
(Escrito em 31/03/99. Este poema pode ser dramatizado da seguinte forma: Cada frase de Jesus é escrita em uma folha de papel. O local onde a dramatização ocorrerá deve estar escuro, sendo o desenho de uma cruz projetado na parede. Enquanto alguém declama o poema, diversas pessoas, pela ordem, colam as frases sobre o desenho projetado da cruz, segundo o traçado. Ao final, as luzes são acesas e todas as frases são lidas novamente. Pode-se então cantar algum cântico relacionado à crucificação, seguido de oração e apelo.)
Pregaram Jesus na cruz... Que dor, meu Deus!
Suas mãos e pés furados, o lado cortado...
A contradição da cruz: a dor, de braços abertos...
Jesus morreu de braços abertos,
Foi de braços abertos que ele pediu:
Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem!
Mesmo sendo inocente, de braços abertos
Ofereceu perdão a quem o feria...
De braços abertos, é... de braços abertos,
Jesus morreu na cruz por todos nós...
Suas palavras ecoando esperança no coração da gente:
Hoje estarás comigo no Paraíso
Ele mesmo tão longe do Paraíso, pendurado na cruz,
Crê na vitória e a promete a quem se arrepende,
Como o ladrão...
De braços abertos, estendidos, doloridos,
Os braços que carregaram crianças,
Que abraçaram enfermos,
Que trabalharam com a madeira...
Braços abertos de Jesus na cruz:
Mulher, eis aí teu filho, ele disse.
Filho, eis aí tua mãe, repetiu.
Jesus, na morte, de braços abertos,
Preparou para que a Maria não faltasse
O braço que acolhesse e amparasse
Depois que ele morresse...
Como também hoje não quer que falte abrigo
À criança, ao jovem, ao adulto, ao ancião.
E sofre, vendo tanta gente sem teto sobre a cabeça,
Sem sorte, sem camisa, sem casa, sem chão.
Braços abertos, Jesus agoniza e chora
Que nem a gente, quando não entende a vida
E grita, como a gente tem vontade de gritar
E estender os braços pro céu e perguntar:
Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?
Braços abertos, pedindo forças, e o silêncio
Quando a gente não entende porque Deus parece longe...
Braços abertos, Jesus geme, geme o gemido que era nosso
E o gemido de muita gente que não tem como viver:
Tenho sede! A garganta seca debaixo do sol,
Como o lavrador do nordeste, o menino e a menina de rua,
Como o mendigo, o povo brasileiro diante do governo desleal
Que de braços abertos também diz: Tenho sede, tenho fome...
O mesmo Jesus que disse: “Se você pedisse, eu te daria
A água da vida”, sente sede na garganta do meu irmão!
Braços abertos, na cruz que era minha,
Geme Jesus o gemido meu e anuncia:
Está consumado! Nada mais será como antes,
Morrendo na cruz o filho de Deus,
Consuma o amor, o pecado, a morte
Consuma e completa o caminho pra Deus!
Seus braços abertos aguardam agora
Que a glória resplandeça e a treva pereça
Para os que são seus...
Braços abertos e a última prece
Ecoa da boca trêmula de Jesus:
Pai, nas tuas mãos entrego meu espírito!
Braços abertos que confiam no Deus
Que parece distante na hora da dor
Mas que se achega e acolhe, recebe em si mesmo
De novo manifesta imensidão de amor!
Braços abertos de Jesus na cruz...
Tantos sentimentos na gente a imagem produz!
Ele abriu os braços para salvar o mundo,
Abraçar os povos, espalhar sua luz...
Que pena que tanta gente não entende...
Que tristeza que tanta gente recuse esse abraço de amor...
Abraço que não ficou na morte, mas do túmulo renasce!
É o Jesus que vive, que reina,
que ainda abre os braços pra todo e qualquer pecador!
(Escrito em 31/03/99. Este poema pode ser dramatizado da seguinte forma: Cada frase de Jesus é escrita em uma folha de papel. O local onde a dramatização ocorrerá deve estar escuro, sendo o desenho de uma cruz projetado na parede. Enquanto alguém declama o poema, diversas pessoas, pela ordem, colam as frases sobre o desenho projetado da cruz, segundo o traçado. Ao final, as luzes são acesas e todas as frases são lidas novamente. Pode-se então cantar algum cântico relacionado à crucificação, seguido de oração e apelo.)
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