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segunda-feira, 5 de março de 2012

Ensina a criança no caminho em que deve andar

Eu estava voltando de um culto abençoado em nossa congregação, em Itamarati de Minas. Minha filha tinha ido comigo ao invés de permanecer com o pai, na igreja-sede, em Cataguases. Eu a tinha convidado para fazer um solo no culto. Sentada ao meu lado, no escuro da estrada, ela, de repente, me disse: “Sabe, mãe, eu hoje senti Jesus tocar meu coração no culto da manhã. Eu nem sei como eu me sinto quando Jesus toca meu coração assim. Eu abri o meu coração para ele hoje”.
Eu fiquei emocionada demais... Amanda tem apenas oito anos. Consternada, eu disse a ela: “Que bom, minha filha. Temos de abrir nosso coração a Jesus muitas vezes ao longo de nossa vida. Às vezes, ele quer se fechar para Jesus. Se a gente deixar, pode ser para sempre. Temos de manter a porta aberta.”
Então, ela realmente me surpreendeu, declarando: “Mas eu acho que ter pais pastor e pastora facilita abrir o coração para Jesus.”
Eu perguntei: “Por quê?”
E ela me disse: “Porque eu vejo as pessoas indo lá em casa e vocês falam de Jesus para elas e às vezes eu escuto. Então fica mais fácil porque vocês são pastores.”
Confesso que fiquei sem palavras. Voltamos cantando um hino que estava tocando no CD. E eu pensando: “Meu Deus, que seja sempre assim. Que minha vida facilite para minha filha sempre manter o coração aberto para Jesus”.
Diante de situações consternadoras e sem respostas, como o assassinato recente do bispo anglicano por seu filho; ou de tantos filhos e filhas de pastores que abandonam a fé, a palavra da minha filha me põe contra a parede e inibe qualquer arrogância ou vanglória de minha parte. Ela ainda é uma criança, mas me colocou diante do maior desafio da minha vida.
Desejo, de todo o coração, que quando ela estiver idosa, indo para a glória com o Senhor, ela ainda possa dizer: “O fato da minha mãe e do meu pai serem pastores facilitou para mim o abrir meu coração a Jesus”.
Querida Amanda e querida Giovanna, filhas amadas, eu quero sim, facilitar para vocês, a cada momento, encontrar-se com Jesus, amá-Lo e viver para a glória Dele. Afinal,  de que adianta ser exemplo para qualquer outra pessoa, se não conseguir mostrar a vocês, diariamente, o amor de Jesus?

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Pagar o preço

Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo. Filipenses 3.7

Uma frase vem ganhando cada vez mais expressividade entre os evangélicos capitalistas de nosso tempo: pagar o preço. Ela é de inspiração bíblica e de interpretação muitas vezes demoníaca... Tem suas origens nas Escrituras e sua deturpação em muitos púlpitos. No entanto, ela é autenticamente importante no contexto do discipulado...
Para muita gente, pagar o preço significa tentar comprar a bênção de Deus por mesquinharias humanas. Na Bíblia, pagar o preço é o que Cristo fez, cumprindo o que fosse necessário para que a vida humana fosse preservada, salva, resgatada e purificada do pecado.
Para muita gente, pagar o preço significa abrir mão dos seus prazeres pessoais, num falso ascetismo cristão, com o fim de alcançar algum benefício divino ou poder sobre a comunidade dos fiéis. Na Bíblia, pagar o preço foi o que o apóstolo Paulo fez, sendo açoitado, aprisionado, ferido, apedrejado, para que as pessoas de seu tempo pudessem ouvir a mensagem da salvação.
Para muita gente, pagar o preço significa deixar de fazer o que se quer, com o fim de obter alguma vantagem institucional ou eclesiástica. Para os primeiros cristãos, pagar o preço era ser o pária da sociedade, abandonando espaços e status para viver em catacumbas, com o fim de permanecer fiel a Cristo.
Para muita gente, pagar o preço significa desvalorizar a graça - "Deus não faz exigência alguma de nós", dizem eles, com isso abrindo mão da ética, da moral, do respeito aos valores mais elevados da vida. Deus não exige estas coisas dos cristãos - Ele o demanda de cada ser humano que, criado à sua imagem e semelhança, deve ver no outro e na outra tanto um reflexo de Deus como de si mesmo. Por isso é que Jesus disse: "Façam aos outros o que querem que seja feito a vocês..." A graça nos concede não a liberdade de fazer o que queremos, mas de ser capazes de fazer o que é preciso, tendo o outro e a outra como fonte do nosso amor, não do nosso sacrifício, neste sentido pejorativo com que se vê...
Temos, sim, de pagar o preço pela nossa fé, pelo nosso compromisso com Deus. Um preço que é o desagradar a nós mesmos... temos sido tão agradados por esta fé falseada e mercadológica, hedonista e egoísta, que desvalorizamos o alto preço que ela custa...
A Igreja e, nela, cada um de nós, deve ser convidada a repensar se deseja pagar o preço de servir a Cristo. Isso significa reconhecer o valor daquilo que temos. Esta é uma lição que aprendi na infância. Meus pais sempre me ensinaram a valorizar cada roupa, brinquedo e passeio, fazendo-me saber quanto aquilo tinha custado em termos de esforço, trabalho, dinheiro e tempo. Assim, eu não seria como o filho pródigo, desperdiçando aquilo que não era fruto do meu suor. Lição aprendida também para com a minha fé em Cristo - ela custou um preço alto ao meu Senhor. O preço que ele requer de mim é a fidelidade, o coração atento, a vida comprometida. Não é barganhar com a graça, mas dar a ela o seu devido valor... Observe seu proceder, sua forma de conduzir sua vida, os valores que a regem, a forma como as outras pessoas se referem a seu respeito: tudo isso mostra e realça o valor de Cristo e da salvação em sua vida? Caso contrário, você está barateando a graça, não está pagando o preço. Pagar o preço não é fazer sacrifício - é dar o valor devido, é viver à altura da graça... Paulo sabia disso ao declarar: Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo... Somos capazes de dizer o mesmo, num mundo que valoriza tanto o lucro, de qualquer natureza que seja? Esta é a reflexão que quero deixar para você no dia de hoje.

O povo do coração aquecido

“O justo viverá pela fé” (Romanos 1:17, Habacuque 2:4, Gálatas 3:11, Hebreus 10.38) Uma experiência de mais de um dia John Wesley era um jov...