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segunda-feira, 21 de março de 2011

Para refletir sobre o lugar da mulher no ministério - e na vida

Recebi de um pastor, amigo meu, o testemunho abaixo. Em tempos de pré-concílio, há inegáveis burburinhos em torno da eleição episcopal que me dizem que a história abaixo deve ser motivo de reflexão, por parte de homens, mas, especialmente de mulheres. 

Latasha era uma jovem senhora cristã congolesa que foi chamada pelo Senhor para ser pastora da Igreja Pentecostal Graça Celestial. Seu esposo também era um jovem cristão. Em sua primeira igreja, na cidade distante de Aba, a igreja percebeu que Latasha era esforçada e ungida para o ministério pastoral, mas seu marido, Lumumba, era quem mais lhe dava trabalho. Além de ciumento, ele era infeliz por sua esposa ser a pastora e ele, não. Agia como se isso não fosse problema, mas todos percebiam que ele era um marido que desdenhava sua esposa e um tanto quanto sabotador do ministério dela.
Nas outras duas igrejas por onde Latasha passou como pastora, a mesma coisa acontecia. Seu marido não era bênção, alguém que acrescentava, mas limitava e danificava o ministério da esposa.
Latasha queria realmente servir a Deus e, para ser aceita na sua denominação e na sua igreja local, diminuiu-se o quanto pôde para dar conta do pastorado e do casamento. Mas seu ministério, por causa da imaturidade do esposo, estava fadato a ser medíocre, pois Lumumba acabava agindo de modo inconveniente e prejudicando a confiança da igreja no seu ministério.
Ela confronta o marido e o desafia a mudar de atitude.  Até que, um dia, ela diz que não gostaria mais de ser a esposa dele. Ele grita que a cultura de seu país diz que ele é o dono dela e que ela não tem escolha. Ela se muda para Oyo e ali trabalha para abrir uma igreja de sua denominação.
Lumumba fica sabendo e diz secretamente para as pessoas ao seu redor que Latasha o havia traído com um outro homem da Congregação. Infelizmente, a fofoca se espalhou e chegou tanto aos ouvidos da liderança da Igreja Pentecostal Graça Celestial quanto na pequena congregação que ela reunia em Oyo.  Como a palavra de um homem no Congo vale mais que a de mulher, quanto mais Latasha se defendia, mais desconfiança gerava.  Em cultura machista, a mulher precisa de um homem para defendê-la e protegê-la.
O presidente da Igreja afastou Latasha do ministério pastoral. Diferentemente do que acontecia com maridos que largavam suas esposas, Latasha não foi mais reconhecida como pastora. Um ministério pastoral brilhante e cheio de unção foi encerrado não por causa de um mal casamento, mas por causa de um mal casamento que acabou por decisão de uma mulher.
 Há um tempo atrás ouvi de alguém que eu poderia ser uma boa candidada ao episcopado, porque a pessoa tinha certeza de que eu não me separaria do meu marido...  Agradeço imensamente a confiança no meu casamento, mas nem nós dois podemos afirmar com certeza absoluta que isso nunca irá acontecer. Apenas esperamos no Senhor e cremos por fé que nosso amor é abençoado por Deus e pode se renovar no decorrer dos anos. Ainda bem que podemos ter esta esperança, pois muitos homens e mulheres sofridos e mal-amados não a têm e por isso, a contragosto de seus desejos pessoais, acabam se separando. Ninguém o faz porque simplemente quer, a não ser que seja leviano. As pessoas passam por muitos momentos difíceis e são obrigadas a decisões igualmente difíceis e dolorosas. Ao invés de moralismos estúpidos, deveria haver honesto acolhimento e perdão, como o Mestre nos ensinou.
Mas, de fato, isso nem vem ao caso. Ninguém pode ser medido em seu exercício ministerial mais amplo por causa de uma única coisa com a qual não conseguiu lidar. Ou então, que não sejamos parciais. Se todas as denúncias e histórias que ouvimos acerca de relacionamentos conjugais fossem levadas a efeito, todos sabemos onde iria dar - poucos sobrariam - e haveria muitos homens de fora. Há histórias bizarras rondando... Pelo menos deveriam nos pôr para pensar...
Não me interessa saber as razões pelas quais, infelizmente, nossa episcopisa e seu esposo não puderam prosseguir juntos. Como eles, há outros casos que nos entristecem, porque sonhamos em ser felizes e sabemos que deve ser muito difícil escolher outro caminho. Porém, isso não vem ao caso, como já disse. Quero levantar outra questão, que me parece mais pertinente. E quero falar às mulheres cristãs, em seus ministérios e igrejas locais. Peço licença para entrar em temas polêmicos, pois quem me conhece sabe que não gosto de enfrentamentos levianos. Quando falo sobre alguma coisa complicada, é porque o tema já não consegue mais me calar. Estou triste, muito triste, com as palavras que estão vindo ao vento por aí. Antes que seja tarde, então, eu vou falar. Mesmo que discordem, peço que reflitam. É tempo de falar com amor e franqueza, é tempo de refletir e amadurecer.
Tenho dito que me preocupa muito o fato de que mulheres estão se levantando contra mulheres com questiúnculas estúpidas e ciúmes infantis. Eu me ressinto de que não defendamos umas às outras com amor e dedicação, reconhecendo o quanto trabalhamos e o quanto somos importantes. Para eleger uma mulher ao episcopado metodista, foi uma luta e tanto... Não podemos perder de vista o quanto ela tem desempenhado em suas tarefas. Se for feita uma avaliação de seu ministério e este for inadequado, tudo bem. Então que se avaliem, usando os mesmos critérios, todos os homens que lá estão. Seja avaliada a pessoa no exercício do episcopado e o episcopado que exerce. Não seja avaliada a mulher divorciada. Isso é infantil, bizarro e cruel. Contraditório ao evangelho e infrutífero para o Reino. E que não sejamos, nós, mulheres, a fazer isso. É indigno da grandiosidade do nosso chamado. Devemos ter o cuidado de cuidar bem da casa de Deus. Há Latashas em Congo. Há Latashas aqui. E não se iludam. Não são poucas...


quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Reflexões sobre o 39o. Concílio da Quarta Região

Estas seis coisas o SENHOR odeia, e a sétima a sua alma abomina: Olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, O coração que maquina pensamentos perversos, pés que se apressam a correr para o mal, A testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia contendas entre irmãos. (Provérbios 6.16-19).

Já se passaram alguns dias do Concílio Regional e nosso coração continua inquieto. Vemos sinais por toda a parte de que algo mais profundo precisa ser mudado, se quisermos ver a vontade de Deus cumprir-se em nosso meio. Não se trata apenas de uma mudança de mentalidade, mas de profundas transformações de caráter. Concordamos com o bispo Roberto ao posicionar-se firmemente a favor do crescimento da Igreja. De fato, o discurso de que somos o que deveríamos ser mostra-se uma falácia. A igreja tem a natureza do crescimento, da expansão. Sua missão é ir até aos confins da Terra, anunciar o evangelho a toda a criatura, fazer discípulos/as de todas as nações. Para chegar tão longe, ela precisa de muitos braços e pernas e bocas e corações palpitantes pela missão. Ela tem que ser despertada, motivada e orientada a sair de si mesma, a olhar o passado com humildade, aprendendo com os acertos e erros, honrando a memória dos que se foram em dedicação ao Senhor, honrando seu legado indo mais adiante e também reconhecendo seus limites e propondo novos parâmetros quando necessário for.

Ontem mesmo, ao ir à fisioterapeuta e, depois, ao supermercado, encontramos duas pessoas que já foram membros da igreja que pastoreamos – estão longe agora, sem participar de nenhuma comunidade. Ficamos felizes pela oportunidade que Jesus nos deu de poder convidá-las a voltar. Ainda as encontraremos outras vezes e reforçaremos o convite, orando e crendo que Jesus pode fazer com que elas regressem, pedindo-lhe que nosso encontro com elas seja já a sua ação efetiva a favor dessas vidas.

Mas quando elas vierem para a Igreja, encontrarão um espaço de acolhida e crescimento? Um espaço em que serão desafiadas a ter o caráter de Cristo? Ou a Igreja será a nova arena das vaidades, dos desvarios e dos desvios que tanto mal fazem ao mundo? Pensamos nos nossos colegas de ministério que desistiram da caminhada vocacional. Alguns deles por problemas concretos, que mereciam uma intervenção. Mas não poucos por puro desapontamento, por relacionamentos mal conduzidos e mal direcionados, movidos por aspirações humanas e pecaminosas. Há muitos pastores e pastoras assim. Há muitos membros assim. Ovelhas sem pastor, não apenas por que não os têm, mas ainda pior: por não acreditarem mais neles...

E isso tem acontecido de modo devastador, muito embora haja o empenho de nosso bispo em trabalhar contra isso. Reiteradamente, o bispo falou durante nosso concílio, nos cultos e nas plenárias, para que não houvesse conversas paralelas e boatos de corredor. Com firmeza, ele alertou contra tais práticas, mas, novamente, o que vimos foi isso acontecer. Podemos falar com certeza e firmeza, pois pessoalmente fomos atingidos, vitimados por boatos, fofocas e mentiras, dos quais, infelizmente, só viemos a ter conhecimento quando já terminava o culto de encerramento do 39º Concílio Regional.

É preciso que as palavras sérias e proféticas que foram ditas durante este Concílio Regional se encham de real e profundo conteúdo, capaz de transformar a vida e a missão da Igreja Metodista. Nosso bispo afirmou categoricamente que é preciso garantir a unidade da Igreja e que tal unidade significa respeitar a todas as pessoas. Ele afirmou e nós concordamos, que “é melhor ter um inimigo declarado do que um falso amigo, muito embora na vida da Igreja devemos nos esforçar para não vermos uns aos outros como inimigos, já que todos fomos comprados pelo mesmo sangue de Cristo e somos irmãos”. Nossas diferenças de postura, opinião e forma de viver a fé nos fazem diferentes e não opostos. Doeu demais ouvir que circulou por lá esta veemente mentira: “O Otávio está deixando de ser superintendente distrital para fazer oposição ao bispo e porque ele vai fazer campanha para que a Hideide seja bispa”. Ao deixar o cargo, por razões estritamente pessoais e da vida da Igreja, procuramos o bispo, expusemos todas as razões pelas quais era necessário, estrategicamente para a vida familiar, para a vida da Igreja, pelos projetos pastorais assumidos e por dificuldades particulares. Fizemos como fizemos quando de sua chegada à Região: conversamos abertamente sobre nossa disposição ao serviço.

Cremos que a Igreja é maior do que nós. Que não precisamos concordar de modo homogêneo e uniformizante com todas as pessoas para estar no mesmo barco, navegando lado a lado, atendendo aos desafios da missão. Não estamos contra ou a favor de ninguém. Prova disso é que temos nos mantido fiéis ao princípio interior que temos e não integramos movimento ou grupo algum na vida da Igreja. Não participamos de nenhuma reunião dos chamados metodistas confessantes, nem atuamos no movimento do coração aquecido, por exemplo. Nem somos contra quaisquer desses movimentos, reconhecendo sua participação, quer na reflexão, quer na prática da Igreja. Mas temos amigos e amigas em todos os lugares, porque cremos que todos somos metodistas, porque assim é que é o corpo de Cristo: diferentes membros, um só corpo. Atuamos, em dois anos de Coream e quatro anos de Superintendência Distrital, sempre no melhor interesse do corpo de Cristo, sempre ponderando e conversando, sempre assessorando o bispo da melhor forma que pudemos fazer. Desafiamos qualquer um a dizer o contrário disso – a provar que tenhamos feito qualquer coisa para prejudicar a missão metodista.

O bispo falou, numa de suas mensagens, entre outras coisas, algo que achamos fundamental neste momento crucial de nossa Região. Ele disse: “Desafio a vocês que fazem as coisas no escondido, a fazer cara a cara”. No mundo secular, são feitas alianças e acordos partidários para se alcançar os objetivos desejados, pessoais ou corporativos. No entanto, o bispo nos lembrou em seu sermão, na abertura do concílio, enfatizando a carta do próximo biênio, inspirada em 1 Coríntios (Eu sou de Paulo, eu sou de Apolo...), que, na Igreja, esta postura e modo de agir não devem existir. Na Igreja, nem tudo o que é lícito nos convém. Sobre esse assunto, os próprios Cânones nos esclarecem que devemos agir “sem discussão, nem debate”. Por isso, ficamos tristes, ao ouvir, nos bastidores dos concílios, boatos perigosos sobre a existência de listas para isso e aquilo, do uso da sala de oração para outros fins que não a espiritualidade. Não foi apenas este boato terrível que circulou, entristecendo os corações dos conciliares, comprometendo a espiritualidade de nosso conclave.

Mal saiu a nomeação pastoral e já havia rumores sobre igrejas “com coronéis” e “pastores ruins”. Ao ouvir essas conversas, nosso coração se rompeu em dor, porque as pessoas dizem isso e, quando confrontadas, afirmam: “Eu não quero me comprometer”. Então, não espalhe boatos, não entre na roda dos fofoqueiros, meu irmão, minha irmã! Não diga o que não pode provar, não espalhe o que apenas semeia contenda entre os irmãos/ãs e lança desconfianças sobre a liderança pastoral desta igreja tão combalida!

Lembremos a seriedade da visão que a revda. Maria de Fátima compartilhou com todos nós, no culto da manhã: “o corpo está ferido... Jesus pergunta: você não se importa?” Foi a pergunta feita a ela, feita a todos nós... Sim, o corpo está ferido, nós, pessoalmente, estamos feridos. E quando falamos isso não tem nada a ver com o resultado deste ou daquele pleito. Não precisamos de cargos para demonstrar nosso chamado – as funções são apenas mais trabalho, como o talento dado ao que já tem dez. Não é prêmio, é serviço. O maior reconhecimento que temos vem dos membros de nossa igreja local, que oram por nós e sabem o quanto nos doamos, viajando, pregando, participando de reuniões, correndo riscos nas estradas, para estar onde a Igreja precisa de nós, onde nos chama. Queremos receber desses irmãos e irmãs o reconhecimento, queremos receber do Senhor. Não queremos estar nos lugares porque fomos colocados lá, por que razão for – queremos estar em decorrência de nosso caráter, de nosso esforço e da confirmação de Deus e da Igreja. Caso contrário, estaremos fora.

Em nosso quarto, naquele dia pela manhã, após o culto de encerramento do 39º Concílio Regional da 4ª RE, e nos dias até agora, choramos e oramos ao Senhor pela sua cura em nós, membros feridos de seu corpo por causa desses boatos e – por que não dizer? – mentiras, a cura de Deus, que só vem pela verdade que Ele dará a conhecer e que nos libertará.

Fazemos um apelo sincero: se você viu algo errado, fale a verdade e não tema as consequências. Seja um profeta, uma profetisa de Deus. Mas se viu e não quer assumir, então se cale. Se você só ouviu dizer e não viu nada, não passe adiante. Não fique exaltado pelos corredores, falando pelas costas e negando encarar o face a face. Conversas de segunda ou de terceira mão de nada servem senão para semear a dor, a contenda, aumentar as feridas do corpo de Cristo. A Primeira Região deu provas de que tem a coragem de fazer isso: buscar a verdade é desafiador, mas sem isso, como alcançar o caráter de Cristo?

Não se tratam de posturas teológicas, nem de rótulos, como bem frisou o bispo em sua pregação. De fato, há rótulos bem velhos mesmo, que devem cair, há rótulos falsos, que podemos nos induzir ao erro, ao envenenamento. Trata-se de algo que tanto foi frisado neste concílio: trata-se de caráter. Nada ganhamos com boatos, como diz a Palavra do Senhor: “Ó língua fraudulenta, que te será dado ou que te será acrescentado?” (Salmo 120.2).

Nossa palavra aqui não é de denúncia, em termos formais e legais, mesmo porque não somos testemunhas desses acontecimentos; apenas chegaram a nós os boatos. E, como nos atingem pessoalmente, temos o direito de manifestar nosso aborrecimento frente a eles. Mas se trata de uma reflexão (dom que nos foi concedido por Deus); também de um desabafo pessoal e um chamado à unidade, apelo que outras vozes também têm feito e que queremos ver na prática. É tempo de cura, cremos nisso. É hora de deixar para trás o que aconteceu no passado, deixar de perseguir uns aos outros por posições teológicas ou por posturas tomadas nos concílios anteriores.

É hora de deixar de lado os discursos excludentes e assumir que somos uma Região com diversas vozes e que todas podem encontrar o tom ideal para serem ouvidas sem abafar as demais. É hora de pedir a Deus que faça maravilhas no meio de nós – começando por purificar nossa boca de todo boato, fofoca e mentira. Que nos dê coragem de falar a verdade na hora certa. Que nos dê os caminhos certos, justos e éticos para colocar nossos temas em pauta sem recorrer a nenhum subterfúgio.

Por esta razão, procuramos o bispo imediatamente, assim que ficamos sabendo o que a nosso respeito se dizia, para lhe reafirmar nossa posição, que é de contribuir para a Região, para a Igreja Metodista e para o Reino de Deus. Ele está informado. Apesar de todas as diferenças que existiram, porventura existam ou venham a existir num ponto ou outro da caminhada, com relação a colegas pastores/as ou membros de nossas igrejas, não agiremos jamais sem verdade, sem respeito, sem amor cristão. Não há razões cristãs que justifiquem tal postura.

É hora de vestir a armadura de Deus. A nossa luta não é contra a carne, nem o sangue – muito menos de uns contra os outros. De fato, se como diz a Palavra de Deus, onde está o Espírito do Senhor, aí a liberdade, é preciso que assumamos o que é necessário para ter liberdade: “CONHECEREIS A VERDADE E A VERDADE VOS LIBERTARÁ”.

Otávio Júlio Torres e Hideíde Brito Torres
Pastor e pastora da Igreja Metodista na 4ª RE
Cataguases, novembro de 2009

sábado, 7 de novembro de 2009

Tempo de decisões

Está chegando um tempo importante para a vida e missão da Igreja. Vem aí o concílio. Estou numa esperança louca de que coisas novas venham à luz. Estou num medo doido de que a gente enfrente grandes dificuldades. Estou com fé em Deus e isso precisa superar tanto o medo quanto a esperança, que são coisas de gente - e Deus é mais...
Eu tenho visto coisas muito difíceis acontecendo no meio evangélico no nosso País. Coisas de arrepiar mesmo... E algumas delas estão flertando perigosamente conosco todos os dias.
Estamos em busca do extraordinário, mas nos esquecemos do arroz com feijão que fortalece nossa fé. Seguindo a pós-modernidade, estamos fragmentados entre o crente em êxtase da Igreja e o crente amoral do mundo - como se isso fosse possível aos olhos de um Deus tão zeloso e santo quanto o nosso. O fim dos tempos anda mais próximo do que nunca. Será que o Filho do homem achará fé na terra? Achará fé em nós? Em mim? Pergunto-me todos os dias, tento manter a saúde da minha alma, cuido do meu coração e da doutrina, como Paulo recomendou a Timóteo. Mesmo assim, não estamos isentos do erro, da dificuldade, da distorção.
Por isso, oro a Deus pelas lideranças, pelos membros das Igrejas, pelos pastores, pastoras, evangelistas, missionários, comunicadores cristãos... Peço pelo bispo, cuja tarefa de liderar e conciliar é tão intensa que, ao final de tudo, o cansaço certamente é muito. Peço para ele visão, calma, amplitude de coração, discernimento (que eu acho o dom mais importante de todos no exercício da liderança cristã). Que cada experiência passada o consolide mais e mais na difícil tarefa de liderar uma Região tão vasta e diversificada como a nossa. Peço por renovação das suas forças, por motivação interior (porque os ataques externos às vezes querem drenar todas as nossas forças). Peço que Deus dirija nossos humanos desejos, muitos deles pecaminosos e faltos, para outro lado que não a missão. Que Deus os expurgue de nós, pois estamos, muitas vezes, buscando um poder que não é nosso...
Nesses tempos de tantas vozes, de tantos apelos, de coisas diferentes e novidades mirabolantes, lembro do Salmo 130: Senhor, meu coração não se elevou, nem meus olhos levantaram. Não me exercito em grandes assuntos, nem em coisas elevadas para mim. Decerto, eu fiz calar e sossegar a minha alma, qual criança desmamada para com sua mãe. Assim como esta criança, tal é minha alma para contigo. Espera, ó Israel, no Senhor, desde agora e para sempre"...

O povo do coração aquecido

“O justo viverá pela fé” (Romanos 1:17, Habacuque 2:4, Gálatas 3:11, Hebreus 10.38) Uma experiência de mais de um dia John Wesley era um jov...