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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Esperando o concílio geral

Acho que sou meio doida, mas continuo tendo esperança. Esta semana, nos reunimos para debater sobre o concílio geral e as propostas. Pela segunda vez neste conclave, confesso que, da outra vez, voltei para casa como o soldado depois da guerra: ferida, magoada, indignada, desesperançosa, porque a gente ficou discutindo um monte de periferias ao invés de ir ao principal.
Mas estou sonhando de novo, não adianta! Algumas coisas bem radicais precisam acontecer para que nossa igreja, com tanto potencial, com tanta capacidade, com tantos servos e servas de Deus, possa, realmente, ser relevante neste mundo de tantas insignificâncias religiosas... Temos um ótimo discurso, mas ainda nos falta achar o caminho das pedras. Acho que deveríamos fazer como Jesus disse. Nós pensamos que vemos e nisso subsiste o nosso pecado. Devemos colocar as vendas nos olhos e pedir a Deus que nos tome pelas mãos e nos guie. Nossos olhos nos enganam, precisamos da visão de Deus!
Estou sonhando com uma igreja que consiga se livrar das estruturas (ou desestruturas?) do passado, que se libere do pensamento norte-americano enraizado (ou emaranhado) em nosso modo de ser, para nos ajustarmos à nossa realidade. Não somos uma igreja grande. Mas também não estamos como deveríamos estar. Estamos muuuuuuuuiiiiiito atrás! Temos bons pensadores, mas poucos práticos! Temos de abrir os olhos e aprender com quem está fazendo direito. Não somos os únicos que sabem (será que sabemos algo?).
Deus, eu peço, livra-nos deste falso conhecimento... Dá-nos graça! Levanta homens e mulheres menos comprometidos com as estruturas e verdadeiramente engajados na pregação. Ajuda-nos a olhar para as pessoas, como disse o bispo Roberto na reunião, menos por causa de seu carisma, de sua pregação envolvente e mais por seu caráter, por sua verdadeira vida em família e na igreja, pelos frutos de seu ministério, pelo que as pessoas realmente dizem que estes homens e mulheres são... Não nos deixe enganados a respeito de nós mesmos, como líderes, mas derruba-nos, se necessário for, para que fiquemos de pé somente pela graça e não por nós mesmos...

Senhor, apesar de minha insistencia em sonhar, dá-me visão... Apesar de minha insistência em sonhar, dá-me discernimento. Apesar de minha infantil esperança, ou mesmo por causa dela, me dá a alegria de ver esta igreja como eu sonho... com gente de todo jeito, de toda forma, de toda cor, batendo palma ou não, falando em línguas ou não, sendo teólogo ou não, sendo progressista ou não, sendo carismático ou não... mas sendo todos teus filhos e filhas queridos, pecadores e pecadoras transformados, sendo crentes engajados, sendo cristãos de fato, de direito e de conversão, para honra e glória do Teu nome! Porque no Reino há lugar para todos e o Reino é maior do que a Igreja!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Apesar de ser sexta-feira

Mateus 27
Apesar de hoje ser sexta-feira, como o apóstolo Paulo disse, eu creio também que “as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que há de ser revelada em nós”. Apesar de hoje ser sexta-feira, “a criação aguarda com ardente expectativa a revelação dos filhos de Deus”. E, embora seja sexta-feira e a “criação esteja sujeita à vaidade, mesmo contra sua vontade”, e muito embora ela “conjuntamente, gema e esteja com dores de parto, e não só ela, mas até nós, que temos as primícias do Espírito, também gemamos em nós mesmos”, nós cremos e vivemos na “esperança de que a própria criação há de ser liberta do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus”.
Apesar de hoje ser sexta-feira, tenho fé e esperança, porque “na esperança somos salvos”. E quando eu quero duvidar, por causa do amargor das minhas sextas-feiras, me lembro da exortação de que “a esperança que se vê não é esperança; pois se alguém vê, como o espera?”. Então eu lamento, e choro e sofro, porque não posso esconder de Deus minha dor. Mas me refaço, e luto, e não me acomodo, porque “se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos”. E quando o peso da sexta-feira parece demais para mim, eu sinto que “o Espírito nos ajuda na fraqueza, porque não sabemos orar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós, sobremaneira, com gemidos inexprimíveis”.
Por isso, prossigo, ainda que seja sexta-feira. Por ser sexta-feira, meus limites me param, mas minha fé me leva além. E porque assim espero, também fico bem certa, de “que nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem principados, nem coisas do presente, nem do futuro, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”.
Sim, é sexta-feira. Mas todo o cristão sabe, e crê, e espera, e suporta. Porque ele sabe que depois de toda sexta-feira da paixão há um tempo de espera confiante. Talvez demore um pouco, talvez o sábado se alongue. Mas não é sem fim. Depois de toda sexta-feira da paixão, há sempre uma manhã de domingo. Vem, Senhor, transforma esta sexta-feira em domingo de ressurreição!

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Pensando bem...


Sabe aqueles dias em que sua vida parece um flash diante de seus olhos? É como se a gente visse um filme de si mesmo... Escolhas, caminhos, opções, equívocos. Bate uma tristeza de um lado, uma esperançazinha teimosa de outro. Coisas que às vezes a gente gostaria de deixar para trás e que teimam em grudar na gente. Sem a cura divina, o passado nunca fica para trás de verdade - fica insuflando o medo nos ouvidos da gente, pondo sombras nos nossos olhos, acelerando nosso coração feito filme de suspense. E a vida vai ficando cinza. Úmida de lágrimas. Desbotada de alegria.
Gosto do Salmo 4: "Em paz me deito e logo pego no sono, porque só tu, Senhor, me fazes repousar seguro". Acho que o salmista deve ter pensado algo assim: É preciso descansar bem para aproveitar a grande chance divina, que é a manhã do dia seguinte... Assim, vamos nos espreguiçar, bocejar bem grande, esfregar os olhos com calma e nos enrolar nas cobertas (bem, nem tanto que aqui em Cataguases faz um calor da gota!). Vamos dormir que amanhã é outro dia - aquele no qual o Senhor poderá fazer maravilhas no meio (e apesar) de nós.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Enchentes em Cataguases: "Se as águas do mar da vida..."

O antigo cântico me veio à mente ao ver a tragédia que se abateu sobre a nossa cidade de Cataguases. Diversos de nossos amigos, conhecidos, vizinhos e irmãos da Igreja foram atingidos. Andando pela cidade nesses dias, vê-se o clima de abatimento, de dor, de perda. Certamente 2009 começará com uma batalha a mais pela sobrevivência, pelo reerguimento. O comércio de nossa cidade foi atingido, havendo grandes perdas, o que afetará toda a economia da cidade, ameaçando empregos e o consumo. O Natal, no seu aspecto comercial, será negativo para muita gente. Prejuízos se somam. Vidas foram perdidas, tanto aqui em Cataguases quanto em outras cidades mineiras. A ajuda humanitária que se destinaria a Santa Catarina agora se faz necessária aqui também. Choramos, porque temos mesmo de chorar e nos lamentar. A dor é grande. Esta é uma cidade de gente pobre, humilde e trabalhadora. Gente que lutou para ter o pouco que tem. Em meio a isso, me veio o hino: “Se as águas quiserem te afogar, segura na mão de Deus e vai”. Lembrei-me de Pedro, quando afundou nas águas, após querer ir com Jesus. Quando ele viu a força das águas, teve medo. Afundou. Então gritou: “Socorro, Senhor”! E imediatamente Jesus lhe estendeu a mão e o suspendeu, levando-o em segurança ao barco. Segurar na mão de Deus é o nosso recurso de esperança e fé nesta hora de dor, tristeza e até mesmo indignação.Não ignoramos a tragédia, mas devemos, como cidadãos, cobrar mais medidas dos responsáveis e de nós mesmos. Enquanto andava pelas ruas, por onde se podia passar, vi boiando imensas quantidades de lixo, que nós mesmos jogamos todos os dias por aí, sem nos preocupar com os danos ao meio-ambiente. Enquanto economizo água porque me disseram pelo rádio que ela vai faltar, me lembro das vezes incontáveis em que desperdicei um bem precioso e que está ameaçado. Vejo o rio subir porque afetamos o seu fluxo com barragens, com lixo, com assoreamento. As autoridades ficaram imóveis perante os danos ambientais e até contribuíram para ele. As grandes empresas e corporações só viram o lucro e foram se apropriando erroneamente da natureza. Agora, depois que a tragédia nos cerca, sei que no seu íntimo muitos cobram de Deus a resposta, jogam sobre ele a causa da dor. Mas ele está conosco, chora nossas lágrimas e nos ajudará a reconstruir nossas vidas. Nós, porém, temos de estar prontos e alertas a evitar que o ano que vem seja tudo igual. Vamos segurar na mão do Senhor, que nos sustenta e nos dará forças para trabalhar e resgatar nossa dignidade, nossa vida, nossos bens e nossa alegria em viver. Reconstruir é uma parte importante da história do povo de Deus na Bíblia - só a cidade de Jerusalém foi destruída 17 vezes e ela continua lá, como prova de que sempre é possível recomeçar e ficar cada vez melhor. Esperança - a palavra de que tanto temos falado ultimamente é a nossa nova ordem de vida neste fim de ano. Segura na mão de Deus - e vai, porque ela te sustentará...

O povo do coração aquecido

“O justo viverá pela fé” (Romanos 1:17, Habacuque 2:4, Gálatas 3:11, Hebreus 10.38) Uma experiência de mais de um dia John Wesley era um jov...