Mostrando postagens com marcador dor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador dor. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Apesar de ser sexta-feira

Mateus 27
Apesar de hoje ser sexta-feira, como o apóstolo Paulo disse, eu creio também que “as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que há de ser revelada em nós”. Apesar de hoje ser sexta-feira, “a criação aguarda com ardente expectativa a revelação dos filhos de Deus”. E, embora seja sexta-feira e a “criação esteja sujeita à vaidade, mesmo contra sua vontade”, e muito embora ela “conjuntamente, gema e esteja com dores de parto, e não só ela, mas até nós, que temos as primícias do Espírito, também gemamos em nós mesmos”, nós cremos e vivemos na “esperança de que a própria criação há de ser liberta do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus”.
Apesar de hoje ser sexta-feira, tenho fé e esperança, porque “na esperança somos salvos”. E quando eu quero duvidar, por causa do amargor das minhas sextas-feiras, me lembro da exortação de que “a esperança que se vê não é esperança; pois se alguém vê, como o espera?”. Então eu lamento, e choro e sofro, porque não posso esconder de Deus minha dor. Mas me refaço, e luto, e não me acomodo, porque “se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos”. E quando o peso da sexta-feira parece demais para mim, eu sinto que “o Espírito nos ajuda na fraqueza, porque não sabemos orar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós, sobremaneira, com gemidos inexprimíveis”.
Por isso, prossigo, ainda que seja sexta-feira. Por ser sexta-feira, meus limites me param, mas minha fé me leva além. E porque assim espero, também fico bem certa, de “que nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem principados, nem coisas do presente, nem do futuro, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”.
Sim, é sexta-feira. Mas todo o cristão sabe, e crê, e espera, e suporta. Porque ele sabe que depois de toda sexta-feira da paixão há um tempo de espera confiante. Talvez demore um pouco, talvez o sábado se alongue. Mas não é sem fim. Depois de toda sexta-feira da paixão, há sempre uma manhã de domingo. Vem, Senhor, transforma esta sexta-feira em domingo de ressurreição!

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Depois da tempestade

No mar escuro, com as ondas dando de todos os lados contra o pequeno barco, nada resta ao navegante senão continuar a remar. Não há tempo para pensar, ou sentir, ou respirar, ou desejar estar em outro lugar. Seus olhos estão fitos no horizonte que está diante dele. Não naquilo que deseja, mas naquilo a que pode se agarrar para sobreviver. Preces são murmuradas em meio às braçadas. A noite é longa, mas o sono está distante - não se pode cochilar sem pôr a alma em risco. Então, prossegue a vigília. Às vezes, o choro pode durar a noite inteira - mas pode fazer a noite durar inteira.
Mas, de repente, é dia. A praia pode ser vista ao longe. As remadas podem ser as últimas. Deitado na areia morna, quando o náufrago pensa que finalmente poderá sorrir, então é que vê: os dedos em frangalhos, as palmas das mãos em carne viva, os punhos inchados. A pele seca e rachada, os cabelos emaranhados, os braços e pernas em chagas, as felpas do remo entranhadas por todos os lados, a sola dos pés em brasa por se agarrar ao fundo do barco. Os olhos, vermelhos de sal e de lágrimas; a boca ressequida das preces intermináveis. Depois da tempestade, aí é que vem a dor de sentir-se traído pelo mar no qual sempre navegou se achando seguro. Depois da tempestade é que vem o medo de navegar outra vez. Depois do susto é que vem o tremor, o coração palpitante, a gagueira. Depois de tanto amor à vida é que vem a pergunta pela validade de tudo o que se fez...
Antes de mais nada, portanto, é preciso um banho, uma refeição, um sono reparador... um refrigério... Não é que o navegante não seja grato por ter sobrevivido - o que ele quer é entender a razão de tão repentina tempestade. Por que teve de ser assim? Perguntas sem respostas são as felpas mais profundas para se retirar. Mas ele pára mais uma vez diante do mar e sabe que tem uma escolha: se não se entregar de novo às ondas, jamais navegará novamente. Se não esquecer, talvez nada de novo aconteça. Sem coragem para um mergulho, às vezes ele molha o pé na onda que quebra na praia... Quem sabe um dia... ainda não...

O povo do coração aquecido

“O justo viverá pela fé” (Romanos 1:17, Habacuque 2:4, Gálatas 3:11, Hebreus 10.38) Uma experiência de mais de um dia John Wesley era um jov...